Zelensky diz que Rússia está “isolada” e a “perder iniciativa dia após dia” no terreno

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O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acredita que a Rússia está cada vez mais “isolada” no plano internacional e que, no terreno, está a “perder a iniciativa”, afirmou numa entrevista exclusiva ao The Guardian, publicada esta terça-feira.

“Não podemos dizer que a Rússia esteja a perder a guerra. Mas podemos dizer que estão a perder a iniciativa dia após dia”, afirmou.

Faz um ponto de situação: na última semana, o Kremlin acumulou perdas na frente de batalha. Exemplo disso é o facto de drones ucranianos terem conseguido atingir a casa de Putin em São Petersburgo e terem conseguido incendiar terminais petrolíferos. Ao mesmo tempo, no leste da Ucrânia, o avanço russo quase parou.“Um grande número” de soldados russos mortos ou feridos “quer dizer que não estão a ganhar a guerra”, aponta. As perdas do lado ucraniano, afirma, não são tantas.

E, a este ponto, Zelensky não esconde que as forças ucranianas estão ocupadas com alvos militares ou energéticos no Sul ocupado – muitos deles essenciais para a região da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. “Isto é tudo infra-estrutura crítica. Ajuda-os a militarizar a nossa Crimeia. Estamos a trabalhar nisso.”

Refere ainda que usar drones de longo alcance para atingir cidades como Moscovo ou São Petersburgo serve para fazer com que os residentes “sintam” o que é a guerra: “A vitória nesta guerra acontecerá quando a sociedade russa reconhecer que esta guerra é terrível, uma tragédia não apenas para alguém, algures, mas para eles próprios.”

“A Rússia está perto do colapso”

A tentativa de um encontro presencial com Putin para terminar com o conflito saiu furada quando o líder russo rejeitou publicamente a oferta, dizendo que a carta de Zelensky foi “rude” e que as exigências da Rússia – ficar com a região do Donbass, Donetsk e Lugansk — continuam as mesmas.

Zelensky assume que não sabe se Putin quer continuar a guerra por acreditar que ainda é possível vencê-la, mas afirma que “a razão pela qual ele está a mentir não interessa”. De acordo com o Presidente ucraniano, Putin mentiu desde o início – por exemplo, quando disse que precisava da terra para “salvar” os falantes de russo naquelas regiões — e que essas mentiras são a cola que une vários elementos da sociedade russa.

Noutro momento da entrevista, fala de uma reunião secreta que teve com o oligarca russo Roman Abramovich, em Kiev, em Maio, durante a qual lhe terá transmitido que nunca abdicará do Donbass como a Rússia quer. “Acho que há pessoas diferentes ao lado de Putin. Metade quer que ele continue com a guerra e metade quer que ele a acabe. Eu acho que as pessoas que vêm dos negócios entendem que a economia está numa situação péssima e que a Rússia está muito perto do colapso.”

A Rússia, que está cada vez mais “sozinha” no plano internacional, depois da derrota do seu aliado Viktor Orbán, na Hungria, e das tentativas de apoiar candidatos pró-russos na Moldova e na Arménia também terem falhado. “Estão a perder influência em diferentes países, incluindo no Azerbaijão. Estão isolados dentro da Europa e também dos EUA. Estão sozinhos”, diagnostica.

Sobre os EUA, Zelensky só tem elogios a fazer, apesar da hostilidade com que foi recebido na Casa Branca, no ano passado. Diz-se agradecido pelo “largo apoio” dos norte-americanos, reconhece os esforços diplomáticos levados a cabo e admite que as atenções estão agora no Médio Oriente: “Claro que desde o início da guerra com o Irão que a atenção deles mudou.” Nota que Kiev nunca recebeu o mesmo “volume de apoio” que Israel e os aliados do Golfo e reconhece que o que lhe falta agora são os sistemas Patriot, de fabrico norte-americano, os únicos capazes de atingir os mísseis balísticos russos que continuam a cair sobre cidades ucranianas.

Fala, também, sobre os aliados europeus. Esteve reunido com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, com o chanceler alemão, Friedrich Merz, e com o Presidente francês, Emmanuel Macron, no domingo, em Londres, para renovar um pedido: que ajudem a Ucrânia a defender-se de um ataque em larga escala russo. Zelensky diz também que procura apoio financeiro para poder fazer das suas forças mobilizadas um Exército contratado ao estilo europeu.

Acredita que os europeus se deviam juntar para construir uma alternativa aos Patriots, que custam cerca de quatro milhões de dólares cada um, e está disposto, em troca, a partilhar a informação sobre drones que foi ganhando ao longo de quatro anos de conflito. “A NATO está muito interessada nela. É uma informação sem preço e da qual temos grandes volumes.”

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