Brasileiros investem na construção de imóveis para a classe média em Portugal

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Há cinco anos em Portugal, o pernambucano Thiago Melo, dono da Imojornada, decidiu se juntar ao conterrâneo e arquiteto Charles Ruas para investir na construção de imóveis em Portugal. O foco dos empreendedores, que contam com a parceria do marroquino Rachid Timchra, é a classe média, que enfrenta sérias dificuldades para realizar o sonho da casa própria, diante da disparada dos preços da habitação no país.

Para tocar os empreendimentos em território luso, Melo recorreu à experiência acumulada pela construtora da família no Recife, especializada em imóveis para o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), voltado à população de renda mais baixa. “Estamos adaptando esse programa à realidade de Portugal, onde se constrói imóveis mais caros e, às vezes, grandes demais para as necessidades do público que queremos alcançar”, diz ele. “Imóveis de dois quartos (T2) entre 60 e 70 metros quadrados, por exemplo, tornam os preços mais acessíveis”, acrescenta.

As operações conjuntas do trio começaram em 2023, com um empreendimento em Sesimbra, na região metropolitana de Lisboa. De lá, os negócios se estenderam para o Barreiro, no Vale da Amoreira e na Moita, para Sintra, em Abrunheira, e para o norte de Lisboa, mais precisamente em Azambuja. “Atuamos, principalmente, na Margem Sul, onde ainda é possível comprar terrenos não tão inflacionados, que viabilizam os empreendimentos. Na maioria das vezes, o negócio é fechado diretamente com o proprietário, sem intermediário”, destaca Melo.

Para ele, há um amplo mercado a ser explorado, sobretudo entre o público mais jovem, até 35 anos, beneficiado por um programa do governo que permite o financiamento bancário de 100% do valor dos imóveis. “Inclusive, a primeira casa que vendemos na Baixa da Banheira, no Barreiro, foi para um casal de jovens” conta. “Esse público está ávido por imóveis, mas é preciso que os valores sejam mais acessíveis. É o que estamos tentando fazer, adaptando para a classe média o modelo do Minha Casa, Minha Vida”, ressalta.

Thiago Melo, da Imojornada, diz que o modelo de negócio de baseia no programa brasileiro Minha Casa, Minha Vida
Vicente Nunes

Parceria com investidores

O empreendedor assinala que boa parte das suas obras é tocada com capital de terceiros, que veem potencial de rentabilidade no negócio. “Temos atraído, principalmente, investidores brasileiros, que desejam diversificar suas aplicações, colocando parte dos recursos em euro. Assim, conseguimos tocar os empreendimentos sem a necessidade de recorrermos a bancos. Os investidores entram com o capital e nós, com toda a operação, da execução dos projetos às vendas”, detalha.

Em Sesimbra, em um novo empreendimento com três casas germinadas, o investimento inicial é de 717 mil euros. “Vimos ali uma boa oportunidade, como também percebemos no Barreiro, onde já compramos dois terrenos e devemos adquirir mais três. Em Sintra, vamos levantar um prédio com cinco apartamentos”, comenta. “Temos um modelo enxuto, com parceiros que nos garantem que a construção não ultrapasse os prazos previstos, de forma a garantir a rentabilidade planejada”, emenda.

Melo afirma que Portugal deveria investir mais nesse modelo de imóveis acessíveis, pois é nas classes média e de renda mais baixa que reside a maior parte do déficit habitacional do país. “Sabemos que os custos de construção aumentaram muito nos últimos anos e que a mão de obra está escassa em Portugal, mas é possível garantir empreendimentos que caibam no bolso das pessoas. As prestações dos financiamentos precisam se encaixar no orçamento das famílias”, frisa.

Com cidadania portuguesa desde 2008 — o bisavô emigrou com os filhos para o Brasil —, o pernambucano afirma que sempre desejou viver fora do Brasil. Formado em engenharia civil, viveu uma temporada em Barcelona, onde trabalhou em uma multinacional.

“Agora, em Portugal, efetivamente, estou tendo a oportunidade de realizar esse sonho e tocando meu próprio negócio. Em todos os empreendimentos, fico responsável por identificar oportunidades e pela gestão das obras. Charles Ruas está encarregado do projeto arquitetônico e do licenciamento. E o Rachid, da construção e das vendas. Com esse modelo, damos escala no negócio”, ressalta.

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