Sexo é um tabu que já foi superado, o próximo é a morte, diz Johnny Massaro

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Sucesso em Portugal como a minissérie Emergência Radioativa, em exibição na Netflix, o ator Johnny Massaro conta que se sentiu eletrificado quando tomou conhecimento de que a obra era baseada em fatos reais, que ele desconhecia. “Fui fazer o teste acreditando que alguém tinha sido muito criativo e que, apesar de imensamente trágica, aquela era uma história dramaturgicamente muito rica, porque reúne elementos que falam sobre diversos aspectos do humano. No teste, quando descobri que era baseada em fatos reais, lembro de sentir uma sensação de eletricidade percorrendo meu corpo. Eu quis demais contar essa história”, diz.

A minissérie, que assumiu a liderança da audiência em dezenas de países logo após o lançamento, trata do acidente com Césio-137 em Goiânia, no Centro-Oeste brasileiro, ocorrido em 1987. Tudo começou com dois catadores de materiais recicláveis que encontraram uma cápsula de Césio-137 em um aparelho de radioterapia abandonado. Sem se darem conta do perigo, eles espalharam o pó radioativo pela cidade, contaminando diversas pessoas e matando, imediatamente, quatro. O episódio é considerado o maior acidente radiológico fora de uma usina nuclear.

Neste momento, porém, Massaro está concentrado nas filmagens de O Diário de um Mago, na Espanha. O filme é inspirado no livro de Paulo Coelho. “Está sendo mágico participar da adaptação de um dos livros mais traduzidos do mundo, tão aguardado por tanta gente, há tanto tempo. É uma linda jornada de autoconhecimento, aventura e descobrimento filmada no Caminho de Santiago, que eu já fiz duas vezes, a primeira, inclusive, saindo do Porto”, afirma o ator.

Com a agenda cheia de compromissos até o fim do ano, Massaro fala, nesta entrevista ao PÚBLICO Brasil, sobre sexualidade, o apoio dos pais — ele, taxista, ela, secretária de uma escola — para que levasse adiante o sonho de ser ator e o desejo de se apresentar no teatro em Portugal. Veja, a seguir, os principais trechos.

O acidente com o Césio-137 aconteceu em 1987, ou seja, há 39 anos. Você tem 34 anos. Antes de gravar a série, o que você sabia sobre o ocorrido? Tina ideia da gravidade do acidente?
Nunca tinha ouvido falar sobre o assunto. Fui fazer o teste acreditando que alguém tinha sido muito criativo e que, apesar de imensamente trágica, aquela era uma história dramaturgicamente muito rica, porque reúne elementos que falam sobre diversos aspectos do humano. No teste, quando descobri que era baseada em fatos reais, lembro de sentir uma sensação de eletricidade percorrendo meu corpo. Eu quis demais contar essa história.

Johnny Massaro está filmando “O Diário de um Mago” na Espanha
Divulgação

Qual foi o maior desafio ao gravar Emergência Radioativa?
Durante boa parte da série, o Márcio, meu personagem, é o único que detém o conhecimento e que, portanto, pode agir diante daquela tragédia sem precedentes. Então, um dos maiores desafios foi tentar achar um tom que parecesse urgente e crível, mas não histriônico.

Você chegou a conversar com algum parente daquelas famílias?
Tivemos contato com eles através das entrevistas que a produção forneceu. Mas conversei e tive vivências com físicos e profissionais que atuaram no acidente.

Como você foi escalado para a série? Fez teste ou foi um convite do Fernando Coimbra?
Foi teste. Mas fui com muita vontade, especialmente por se tratar do Fernando, diretor de quem sou fã desde O Lobo Atrás da Porta, que está sempre na minha lista de melhores filmes nacionais.

Você está na Espanha filmando O Diário de um Mago. Como está sendo viver o escritor Paulo Coelho? E como o personagem surgiu para você? Já tinha lido as obras dele?
Infelizmente, ainda não é o momento de falar muito a respeito. Por enquanto, posso dizer que é mágico participar da adaptação de um dos livros mais traduzidos do mundo, tão aguardado por tanta gente, há tanto tempo. É uma linda jornada de autoconhecimento, aventura e descobrimento filmada no Caminho de Santiago, que eu já fiz duas vezes, a primeira, inclusive, saindo do Porto.

Em Máscaras de Oxigênio não Cairão Automaticamente, da HBO, seu personagem é um comissário de bordo que sofre ao ser diagnosticado com o vírus HIV. Em entrevista ao Globo, você disse que fazer essa série te ajudou a enterrar seus fantasmas em relação ao HIV hoje. No que mais a série lhe ajudou?
Sinto que ela me ajudou em diversos aspectos na construção constante de mim mesmo. Acredito que todo trabalho, em maior ou menor grau, acaba por remodelar quem eu vou sendo. E essa série, em especial, foi definitivamente um marco nesse sentido.

Você fala abertamente sobre sua sexualidade. Você achou, em algum momento, que isso poderia atrapalhar a sua carreira?
Sim. Construção de carreira é algo muito complexo e frágil, que depende de uma série de fatores. E falar abertamente sobre qualquer assunto pode ser a causa de muitas consequências. Ao mesmo tempo, não falar também. Então, é uma questão de tempo e de escolha, do quanto você está disposto a encarar os riscos, as dores e as delícias de ser coerente com sua verdade.

O que você acha das cenas de sexo da série? E você fica nu num clipe da cantora Marina Sena.
Li recentemente que o sexo é um tabu que já foi quebrado, e que o próximo seria a morte. Sinceramente, acho que já visitei tanto essa temática que já estou mais interessado nas próximas. E com a Marina, no clipe de Numa Ilha, eu termino pelado, coberto de frutas, pronto para ser devorado. Foi uma delícia! Ela é uma artista que admiro muito.

Você, atualmente, mora no Jardim Botânico. Mas de que lugar você é do Rio de Janeiro?
Eu nasci na Ilha do Governador, onde passei minha infância; depois, morei muito tempo na Tijuca, que são regiões do Rio de Janeiro bem distantes dos cartões-postais.

Seu pai é taxista e sua mãe, secretária numa escola. Foi difícil querer ser ator na sua família?
Nem um pouco; muitíssimo pelo contrário. Tanto minha mãe quanto meu pai sempre foram — e tenho certeza de que sempre serão — meus maiores fãs e entusiastas. E mesmo eu tendo começado a trabalhar bem jovem — minha primeira novela foi aos doze anos —, tenho a absoluta convicção da sensação e da memória de que era algo que eu queria, e não que eles me obrigavam, o que pode acontecer eventualmente com atores e atrizes que começam ainda crianças.

Há mais planos profissionais para 2026?
Além de O Diário de um Mago, que estou terminando de filmar, no segundo semestre estreia Delegado, uma série policial produzida pela Emilie Lesclaux, do recente O Agente Secreto. Também estreio meu primeiro monólogo teatral, inspirado no best-seller brasileiro A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão, de Ana Suy. Aliás, poderia ter uma temporada portuguesa, né? E espero rodar bastante por Portugal com o lançamento do meu terceiro curta-metragem como roteirista, produtor e diretor, Consolo, que está saindo do forno.

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