As gafes na cerimónia de abertura
Elogiada por grande parte do mundo pela sua elegância e sobriedade, a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina ficou marcada pelas gafes do, então, director da Rai Sport Paolo Petrecca, que entretanto se demitiu. A primeira foi logo no início da emissão, quando disse “boa noite do Estádio Olímpico” — a cerimónia estava a ter lugar no estádio de San Siro e o único estádio olímpico italiano fica em Roma.
Confundiu ainda a actriz italiana Matilda de Angelis e a cantora Mariah Carey; e Laura Mattarella, filha do Presidente italiano, que normalmente o acompanha nos eventos oficiais, com Kirsty Coventry, presidente do Comité Olímpico Internacional.
Quando, os atletas das selecções feminina e masculina de voleibol, as italianas foram campeãs do mundo em 2025, transportaram a chama olímpica, Paolo Petrecca só se lembrou do nome de uma das jogadoras, Paola Egonu, ignorando os restantes.
Também nunca mencionou o nome do rapper Ghali, que subiu ao centro do relvado numa das actuações da noite, cantando o poema Promemoria, de Gianni Rodari, Ci sono cose da non fare mai (há coisas que nunca devem ser feitas, em tradução literal). Laura Pausini também foi muito criticada em Itália pela forma como escolheu cantar o hino italiano.
O vídeo exibido antes da cerimónia também causou polémica, pois a imagem do famoso desenho de Leonardo da Vinci, Homem Vitruviano, foi censurada. Tudo é idêntico ao desenho original do artista renascentista, excepto os genitais que desapareceram. A decisão pode estar relacionada com a regulamentação do COI que proíbe “conteúdo sexual explícito”.
Uma coisa chamada bidé
Assim que os atletas começaram a chegar à aldeia olímpica, vários vídeos publicados nas redes sociais questionavam a função do bidé, peça da casa de banho, pelos vistos, desconhecida por muitos deles. Os atletas canadianos e norte-americanos fora os mais perplexos, acompanhados por vários jornalistas: “Serve para lavar os pés?”; “É para refrescar as bebidas?”; “É um segundo lavatório?”, foram algumas das dúvidas levantadas. Os cidadãos italianos não se ficaram atrás e replicaram também em vídeos a explicar como usar um bidé.
Pedidos de casamento
Se para alguns atletas os momentos altos dos Jogos Olímpicos foram a conquista de medalhas, outros juntaram a isso um pedido de casamento. O patinador norte-americano Jean-Luc Baker, no Dia dos Namorados, decidiu pedir a mão da também patinadora espanhola Olivia Smart, de 28 anos. A relação entre ambos começou por ser de amizade, mas mais de uma década depois de se conhecerem o amor falou mais alto. Hilary Knight, a capitã da equipa norte-americana de hóquei em gelo, também ficou noiva da patinadora de velocidade Brittany Bowe. A escolha do local para o pedido faz todo o sentido, afinal, conheceram-se nos últimos jogos há quatro anos em Pequim, justificaram.
WU HAO/Reuters
À procura do amor
Se houve quem desse o passo para o casamento, também houve quem andasse à procura do amor. “Quem quer sair comigo?” Foi com esta a frase que Sophia Kirkby, atleta norte-americana de luge, deu início a uma das novelas de Milão-Cortina. Nas redes sociais, a atleta de 24 anos disse estar à procura de alguém para passar o Dia dos Namorados, auto-intitulando-se “a solteira mais cobiçada” dos Jogos Olímpicos de Inverno.
Kirkby recebeu centenas de mensagens nos primeiros dias e teve, pelo menos, dois encontros, um deles com um polícia italiano. Numa publicação na véspera do fim dos jogos, referiu sair de Cortina d’Ampezzo sem namorado, mas com muitos números de telefone. A quem a criticou respondeu desta forma: “Não fico parada à espera das oportunidades, crio-as.”
A traição
Após ter conquistado a medalha de bronze na prova de 20 quilómetros de biatlo, o norueguês Sturla Holm Laegreid decidiu aproveitar os holofotes para pedir desculpa à namorada que tinha traído há três meses, mas que era a “mulher da sua vida”. Um dia depois, voltou a pedir desculpas, desta feita, ao seu colega de equipa Johan-Olav Botn, medalha de ouro, por lhe ter roubado o palco ao falar da sua vida pessoal.
Sobreviver para ganhar uma medalha
Há dez anos, Jake Canter, atleta norte-americano, fracturou o crânio num parque de trampolins, ficou em coma e, quando acordou, os médicos disseram-lhe que não podia voltar a fazer snowboard. Três cirurgias, um diagnóstico de depressão e vários outros problemas de saúde depois, o snowboarder ganhou a medalha de bronze na modalidade slopstyle.
Marko Djurica/Reuters
Bebida a mais
A jornalista Danika Mason da televisão australiana Channel 9 fez um directo embriagada no qual falou do preço do café, iguanas e ainda de vários atletas. O vídeo tornou-se viral e, um dia depois, a repórter pediu desculpa também em directo: “Olhem, avaliei completamente mal a situação. Não devia ter bebido, especialmente nestas condições. Está frio, estamos a uma altitude elevada, e provavelmente não ajudou o facto de não ter jantado.”
Um ouro após o cansaço
Alysa Liu, patinadora norte-americana, conhecida pelo seu cabelo de duas cores, voltou a vencer um ouro, depois de se ter retirado do mundo da patinagem durante dois anos. Liu começou na patinagem aos 5 anos e aos 13 já era campeã nacional, quando decidiu afastar-se dos ringues alegando cansaço e, depois deste Ouro em Milão, disse que queria “sensibilizar as pessoas para cuidarem da sua saúde mental”. Além disso, há 24 anos que uma patinadora norte-americana não conseguia um ouro individual na patinagem artística.
REUTERS/HAO WU
Um treinador que muda de bandeira
Benoît Richaud, um treinador e coreógrafo de patinagem artística conseguiu o feito de acompanhar 16 atletas nestes jogos, que defendem bandeiras bem distintas como EUA, Canadá, França e Geórgia. Curiosamente cada vez que acompanhava um deles mudava para o respectivo casaco da selecção em causa.
Uma russa que quis apoiar a Ucrânia
Anastasia Kucherova, arquitecta russa que vive em Milão, foi uma das voluntárias a levar as placas com os nomes dos países durante a Cerimónia de Abertura e escolheu a Ucrânia. Sabe que, depois disso, dificilmente poderá voltar à Rússia, partilhou numa entrevista ao La Repubblica. Tem medo, mas diz que fala também por todos aqueles que no seu país discordam do Governo, mas não podem manifestar-se.
Casos com Israel
“Free Palestine”. Foi a frase que Ali Mohammed Hassan, 26 anos, repetiu três vezes a um grupo de cinco adeptos israelitas na loja olímpica de Cortina na qual trabalhava. O jovem foi imediatamente dispensado após o incidente. “Se falhei peço desculpa, mas penso não ter ofendido ninguém, dizer free Paslestine é um problema?”, questionou Hassan, acrescentando que os israelitas assim quem repararam nele chamaram-lhe muçulmano e árabe.
REUTERS/DANIEL DAL ZENNARO
Mas houve mais polémicas com Israel. O primeiro aconteceu logo na Cerimónia de Abertura de Milão-Cortina, com os atletas a serem assobiados no desfile. Depois, enquanto o atleta israelita Adam Edelman competia na última segunda-feira, o jornalista suíço Stefan Renna lembrou que o desportista apoiava o genocídio em Gaza. O Comité Olímpico israelita queria que o jornalista fosse afastado, mas a RTS retirou a prova do seu site e defendeu o seu enviado. “O nosso jornalista quis questionar a política do Comité Olimpico Internacional relativamente às declarações do atleta em causa”, esclareceu a RTS. “No entanto, tal informação, embora factual, é inapropriada no contexto de um comentário desportivo devido à sua extensão”, concederam.
Este sábado, na Rai Due, também se ouviu a frase “evitemos o equipamento 21 que é israelita”, assim que a transmissão da prova começou. A Rai Sport pediu de imediato desculpa pela voz do director interino Marco Lollobrigida: “Foi uma expressão inaceitável que não representa de algum modo os valores do serviço público e da Rai Sport”, afirmou a cadeia em comunicado.
A segunda mais velha a ganhar
A norte-americana Elana Meyers-Taylor, 41 anos, ao vencer na modalidade bobsleigh em Milão-Cortina tornou-se a segunda atleta mais velha a ganhar um ouro, ficando atrás da sueca Annette Norberg, que, em 2010, se tornou campeã olímpica aos 43 anos.
Ser mãe e atleta
Francesca Lollobrigida ganhou duas medalhas de ouro nestes Jogos Olímpicos e as imagens dela com o filho nos braços a falar com os jornalistas, após ganhar a primeira medalha, fica para a história. Foi aplaudida, mas também muito criticada e a criança de dois anos e meio foi apelidada de mal-educada por estar a chamar a atenção da mãe.
Reuters/Piroschka Van De Wouw
“Fui muito espontânea, pois já não o via há uma semana e ele queria a mãe para ele”, disse aos repórteres alguns dias depois, confessando estar desiludida com tantos comentários negativos. “Quero demonstrar que é possível ser mãe e atleta de alta competição”, realçou. Antes de ser mãe, a atleta retirou-se, mas a federação italiana disse-lhe que poderia voltar quando quisesse. Ela assim fez e para ganhar.
Já os esquiadores mexicanos Sarah Schleper e Lasse Gaxiola também fizeram história, pois são os primeiros mãe e filho a competir nos mesmos Jogos Olímpicos de Inverno
Preservativos esgotados
Na véspera do Dia dos Namorados, os preservativos esgotaram nas vilas olímpicas. A organização garantiu que distribuiu cerca de dez mil preservativos, uma prática olímpica comum para promover relações sexuais seguras entre atletas, e apressou-se a dizer que o stock seria reposto. De acordo com a revista italiana Panorama, alguns preservativos encontravam-se à venda na Vinted a 105,70 euros cada.
Andar de metro
A equipa masculina canadiana de hóquei no gelo espantou os milaneses ao escolher o metro como meio de transporte para se movimentar na cidade.
A primeira medalha sul-americana
O esquiador Lucas Pinheiro Braathen conseguiu o feito de ser o primeiro atleta sul-americano a ganhar uma medalha nos Jogos Olímpicos de Inverno. Fez furor nas pistas, onde ganhou o ouro, mas também ao dançar o samba, depois da vitória.
REUTERS/ANNA SZILAGYI
Contra Trump
Alguns atletas norte-americanos usaram os Jogos Olímpicos de Inverno para mostrar o seu descontentamento contra a política de Donald Trump. Hunter Hess, esquiador, afirmou que apesar de endossar a bandeira norte-americana isso não significa que a represente em tudo, assegurando que defende os direitos de todos e não o ódio do ICE. Já Gus Kenworthy, americano de nascimento, mas que defende a bandeira britânica, pátria da mãe, escreveu na neve com urina “Fuck ICE”.
Bandeira da Europa não entra
Uma criança de 12 anos levava na mochila uma bandeira da União Europeia e foi avisada no controlo da segurança na semifinal de hóquei em gelo feminina entre a Suécia e os Estados Unidos que não a poderia mostrar. A culpa é da Carta Olímpica, que considera a bandeira azul com as estrelas douradas um símbolo político, tal como a bandeira da Paz.
Um ouro que parecia garantido
Ilia Malinin espantou todos no início dos Jogos Olímpicos de Inverno com o seu salto mortal, mas no dia da final individual de patinagem artística duas quedas relegaram-no para oitavo lugar. Já não perdia uma competição há dois anos.
O patinador norte-americano é filho de dois ex-patinadores do Uzbequistão, que são também os seus treinadores. A desilusão foi grande e numa publicação no Instagram, Malinin escreveu: “No maior palco do mundo, aqueles que parecem mais fortes podem estar a travar batalhas invisíveis por dentro. Até as memórias mais felizes podem acabar manchadas pelo ruído. O ódio vil online ataca a mente e o medo atrai-a para a escuridão, por mais que tente manter-se são perante a pressão insuportável.”
REUTERS/Fabrizio Bensch
Um patinador que virou toureiro
Uma das imagens que se tornaram virais nestes jogos é a do patinador Tim Dieck, alemão de nascença, mas que defende as cores de Espanha, vestido de toureiro nas bancadas da Ice Skating Arena de Milão e com uns óculos em forma de anéis olímpicos. A razão para tal foi apoiar a sua namorada a patinadora italiana Sara Conti, que estava a competir no programa curto com Niccolò Macii e que tinham escolhido fazê-lo ao som de Concerto de España de Benise.
Claudia Greco/Reuters
Mas Sara Conti também esteve nas bocas do mundo, depois de Macii lhe ter apontado falta de concentração numa das provas. Dias depois, o seu parceiro de pista e ex-namorado decidiu retratar-se, quase em lágrimas: “Sou sempre muito crítico, mas não queria fazer pesar sobre a Sara os erros que aconteceram. Muitas vezes fui eu que falhei e ela apoiou-me sempre”, admitiu aos microfones da Rai. O par conseguiu uma medalhe de bronze por equipas.
Mas voltando a personagens das bancadas, os irmãos da jogadora norte-americana de hóquei no gelo Haley Winn também se destacaram. Num dos jogos levaram uma máscara de águia, noutro o trio usou perucas mullet e roupa a combinar e noutro ainda surgiram com uma espécie de fato cheio de bandeiras dos EUA.
DR
Uma patinadora designer
Madison Chock venceu com o marido a prata numa das provas de patinagem, mas a sua fama ultrapassa o que faz dentro do ringue, as atenções voltam-se também para as roupas feita pela própria e para os rivais de Espanha, Austrália e Geórgia.
REUTERS/Claudia Greco
Controvérsia com atletas franceses
A vitória de Guillaume Cizeron num dos programas dança no gelo trouxe de novo à ribalta a acusação de abuso da sua ex-companheira de patinagem Gabriella Papadakis, que até escreveu um livro sobre como o comportamento de Cizeron foi abusivo para consigo diversas vezes. “O mundo da patinagem artística pode ser muito complicado e difícil para uma mulher. Como muitas outras, muitas vezes lutei para me adaptar; o nosso é um desporto muito avassalador”, disse a patinadora.
A também francesa Julia Simon, biatleta, conseguiu o ouro depois de ter sido condenada a uma pena suspensa em Outubro passado por utilizar os dados do cartão de crédito da sua colega de equipa Justine Braisaz-Bouchet e de um fisioterapeuta da equipa. Foi multada em 15 mil euros.
O capacete da discórdia
Vladyslav Heraskevych, porta-bandeira ucraniano, foi desclassificado por querer usar um capacete com imagens de atletas seus conterrâneos mortos desde que começou a invasão russa à Ucrânia. A presidente do COI Kirsty Conventry, em lágrimas, disse que não se pode pôr em causa segurança. No entanto, o atleta de skeleton continua a afirmar que o seu capacete não viola as regras.
A beleza dos médicos italianos
“Vá às urgências, esqueça as aplicações de namoro.” Foi esta a frase que pôs a irmã de Lindsey Vonn na ribalta. Mas vamos por parte, a norte-americana Lindsey Vonn, uma das favoritas à vitória no esqui alpino, teve uma queda aparatosa e acabou no hospital, tendo feito quatro cirurgias à perna lesionada. A acompanhá-la esteve a irmã que reparou na beleza dos médicos e enfermeiros transalpinos. “Eu sabia que haveria um lado bom em toda esta história”, escreveu numa publicação viral.
Um vídeo de Madonna
A rainha da pop surpreendeu a patinadora artística norte-americana Amber Glenn depois de saber que ia actuar no programa curto ao som da sua canção Like a Prayer. “És uma patinadora incrível, tão forte, tão bonita, tão corajosa. Não consigo imaginar que não ganhes. Por isso, só quero desejar-te boa sorte. Vai em busca do ouro.” Ambar Glenn mostrou-se visivelmente emocionada enquanto via o vídeo, agradecendo a Madonna pelo apoio e incentivo aos atletas nas suas trajectórias artísticas. “Espero fazer jus à música”, afirmou. O figurino bordeaux com os ombros à mostra fez lembrar o corpete de renda usado por Madonna no videoclipe. A patinadora ficou em quinto lugar, mas leva para casa o ouro em equipas.
Uma atleta a quem chamam diva
A neerlandesa Jutta Leerdam conquistou o ouro (com recorde olímpico) nos mil metros e a prata nos 500 metros, mas o que mais deu que falar foi a maquilhagem borrada das lágrimas a escorrer-lhe pelo rosto e o fato se ter aberto, revelando o seu soutien Nike após vencer os mil metros. Segundo os especialistas de marketing, esse gesto ter-lhe-á rendido cerca de um milhão de dólares.
REUTERS/Guglielmo Mangiapane
A patinadora, que foi considerada a atleta mais sexy dos Jogos, é uma verdadeira influenciadora das redes sociais, onde tem 6,3 milhões de seguidores e faz par com o namorado, o pugilista e YouTuber norte-americano Jake Paul, irmão de Logan Paul, simpatizantes de Trump.
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