50 anos do PPE: uma Europa que tem de continuar a fazer sentido na vida das pessoas

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Celebrar os 50 anos do Partido Popular Europeu – do PPE – não é apenas assinalar o passado. É, acima de tudo, olhar em frente e perguntarmo-nos com clareza: continua a Europa a responder à vida real das pessoas? Continuamos a responder às ansiedades daquilo que, desde a sua fundação, se propõe representar?

Ao longo das últimas cinco décadas, o PPE afirmou-se como a principal família política europeia. Defendeu a paz, a liberdade, o Estado de direito e uma economia que procura equilibrar crescimento com justiça social.

Mas hoje, mais do que nunca, esses valores têm de se traduzir em respostas concretas para quem vive, para quem trabalha e para quem emprega, todos os dias, cidadãos europeus.

Para o PSD, esta não é uma história distante. Ela é parte da nossa identidade.

Com Francisco Sá Carneiro, o partido afirmou desde o primeiro momento a sua vocação europeísta, entendendo a integração europeia como um desígnio nacional estratégico. Esse espírito foi determinante no caminho que conduziu Portugal à adesão à Comunidade Económica Europeia, consolidando a nossa democracia e abrindo novas perspetivas de desenvolvimento.

Há 40 anos, a adesão de Portugal à então CEE mudou o rumo do país. Trouxe desenvolvimento, oportunidades e estabilidade democrática. Mas também criou expectativas que exigem hoje uma resposta à altura.

Foi sob a liderança de Aníbal Cavaco Silva que Portugal afirmou a sua capacidade de convergência, tirou pleno partido dos fundos estruturais e assumiu, com sucesso, a sua primeira Presidência do Conselho da União Europeia. Recentemente, este percurso foi reconhecido com a atribuição da Ordem Europeia do Mérito, que muitos honrou enquanto portugueses e enquanto partido político.

A integração do PSD no PPE, a 11 de novembro de 1996, durante a liderança de Marcelo Rebelo de Sousa, consolidou esse posicionamento. Desde então, o partido tem estado onde as decisões se tomam – e isso não é um detalhe: é, no coração da Europa, que se defendem os interesses de Portugal. E nós não fugimos dessa responsabilidade.

Esse peso também se construiu com lideranças portuguesas de relevo europeu, como Durão Barroso, à frente da Comissão Europeia, num período particularmente exigente para a Europa.

Os mandatos de Paulo Rangel como eurodeputado e vice-presidente do PPE foram e são hoje um exemplo desse peso político do PSD no contexto europeu. A sua firmeza na defesa do Estado de direito europeu e no equilíbrio – hoje tão necessário – entre a vocação atlântica e a pertença europeia é, para as novas gerações, uma inspiração indispensável.

Com a liderança de Luís Montenegro, recebemos um renovado impulso à participação ativa no PPE. Desde o início das suas funções, assumiu como prioridade o reforço da presença do partido nas instâncias europeias, compreendendo que é nesse espaço que se decidem muitas das matérias que impactam diretamente a vida dos portugueses, colocando Portugal no centro do debate europeu.

Mas a questão central, hoje, não é apenas institucional. É política.

A Europa enfrenta desafios sérios: segurança, guerra no seu espaço geográfico, pressão migratória, competitividade económica, transição energética e coesão política. Há – e não devemos ter medo de dizê-lo – uma crescente perceção de distância entre as decisões europeias e a vida real das pessoas.

O debate sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual é um bom exemplo. Não se trata apenas de números, trata-se de saber que prioridades escolhemos. Coesão? Segurança? Inovação? Ou uma Europa que, ao tentar fazer tudo, tem impacto em quase nada?

Na defesa, como o PPE defende desde o primeiro momento, é fundamental que a Europa ponha termo a hesitações. Que reforce a sua capacidade, em articulação com a NATO, não como opção ideológica, mas como imperativo estratégico.

Neste contexto, o nosso partido tem uma responsabilidade acrescida. Não basta gerir. É urgente liderar com certeza e com visão. E o PSD tem também de estar à altura desse papel. Não apenas como participante, mas como influenciador. Defendendo uma Europa mais próxima das pessoas, mais eficaz nas respostas e mais clara nas prioridades.

Portugal não pode ser um espectador. Tem de ser um ator ativo, à altura da sua história e da sua projeção global. Com uma presença que atravessa continentes e uma tradição de pontes com mundo – mesmo aquele que conhecemos, porventura, menos bem.

Celebrar os 50 anos do PPE só faz sentido se for também um momento de exigência. Exigência com a Europa e exigência connosco próprios. Porque, no fim, a pergunta é simples: a Europa continua a ser uma solução para a vida das pessoas? O PSD tem a responsabilidade de garantir que a resposta continua a ser “sim, é”.

O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990

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