Um rapaz imigrante recorda com saudade os seus aniversários anteriores: “A alegria, as gargalhadas, os presentes e todos os jogos e brincadeiras.” Aproxima-se o dia de fazer 8 anos e, desta vez, a festa será apenas com os pais, que “decidiram partir em busca de uma vida melhor”. Estão agora num lugar novo, com uma cultura diferente e uma língua por decifrar.
Adam vê-se sem os familiares que ficaram no país natal, sem todos os seus amigos e até sem muitos dos seus brinquedos. A solidão que sente é tal que pede aos pais para lhe comprarem um robô com inteligência artificial que viu numa montra. Apresentava-se como “novo amigo!” e descrevia-se assim: “Eu falo, brinco e percebo-te!” Até tinha nome: Roberto.
O escritor Victor D. O. Santos, brasileiro, viveu a experiência de ser imigrante quando foi para os EUA fazer o doutoramento em Linguística. “Mudar para um país novo e recomeçar é bastante difícil, tanto para adultos quanto para as crianças. Cada imigrante lida com obstáculos diferentes”, disse numa entrevista à editora que o publica em Portugal, Penguin Random House.
O também autor de O Que nos Torna Humanos (ilustrado por Anna Forlati) é casado com uma ucraniana-americana, que foi para os EUA depois de a Rússia invadir a Ucrânia. Têm dois filhos, que, apesar de terem nascido nos EUA, são considerados imigrantes. “Eu e a minha esposa damos muito valor quanto a preservar as nossas culturas e línguas com os nossos filhos, pois acreditamos que isso enriquece a vida e experiência deles”, conta.
Anna Margrethe Kjaergaard
Sentimento anti-imigrantes espalha-se pelo mundo
Uma das motivações para escrever este livro, com ilustrações ternas e expressivas da dinamarquesa Anna Margrethe Kjaergaard, foi a tomada de consciência do sentimento forte anti-imigrantes que se espalha pelo mundo. E fala das políticas do actual Presidente dos EUA: “O ódio e a discriminação generalizada contra imigrantes sob o Governo [de Donald] Trump é algo que realmente faz o meu sangue ferver e que a sociedade não devia aceitar. Digo isto não só porque sou imigrante também, mas por ter coração.”
Espera por isso que Um Amigo de Presente motive conversas sobre o tema e traga um olhar mais humano para quem se encontra nessa situação quase sempre delicada. “Não se pode esquecer que por trás de cada imigrante existe uma história, sonhos e, acima de tudo, um ser humano como qualquer outro.”
Na narrativa, o pequeno Adam, que acabará por arranjar um amigo de verdade, fica a saber da pior maneira o significado da palavra “imigrante”. A casa deles foi vandalizada e alguém escreveu na parede da sala: “Voltem para casa, imigrantes.” É aí que o menino pergunta: “Papá… o que é um imigrante?” Resposta do pai: “É alguém que se mudou de um país para outro, tal como nós fizemos. E não há mal nenhum em alguém ser imigrante.” Pois não.
No final do livro, o autor dirige uma mensagem aos pequenos leitores, em que lembra que “cerca de 40 milhões de crianças vivem num país diferente daquele onde nasceram” e pede: “Da próxima vez que te cruzares com uma criança imigrante, pensa em como podes ajudá-la a integrar-se e fazê-la sorrir.” Também vale para os adultos.
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