A cosmologia do negacionismo

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O negacionismo climático contemporâneo não é apenas recusa de dados científicos — é a defesa de uma cosmologia política inteira. Existe uma matriz ideológica coerente que articula a negação da ciência climática com a desconfiança em instituições internacionais, com hostilidade à regulação estatal, com o ataque aos consensos científicos enquanto forma de autoridade coletiva. Aceitar a crise climática obriga reconhecer que a mão invisível do mercado — essa entidade quase mística que supostamente harmoniza interesses individuais com o bem comum — é impotente (invisível, precisamente) face a tempestades-bomba, a incêndios ou a secas que devoram florestas e cidades. Nem a mais devota crença em Adam Smith torna o mercado capaz de regular sistemas planetários. Este é, aliás, incapaz de valorizar aquilo a que não se pode atribuir um preço: atmosfera estável, biodiversidade, futuro habitável. Da sua lógica fazem parte o lucro trimestral e a transação individual. Mas o clima opera em décadas e séculos, em vastos sistemas planetários interligados. São escalas e lógicas incompagináveis.

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