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As tempestades sucedem-se como um comboio com carruagens a mais, com a água que parece que escarnece de nós na sua abundância, depois de tantos anos passados a chorar por ela, com a terra e a vegetação a secar. São “fenómenos extremos”, ou até mesmo “fenómenos climáticos extremos”, ouve-se dizer, mas percebemos do que se está a falar?
São as alterações climáticas a entrar-nos pela porta dentro sem pedir licença, como escreveu esta semana num artigo de opinião no Azul a ambientalista Sílvia Moutinho.
Mas quem ouça os políticos portugueses a falar, como na audição conjunta das comissões de Ambiente e Agricultura ao ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, na quarta-feira, por causa do vídeo e comentários sobre os dirigentes do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), percebe que muitos dos que vagueiam habitualmente pelos corredores do poder habitam num planeta paralelo.
É um planeta em que as alterações climáticas não são um problema urgente para todos os habitantes do planeta, e onde é até concebível ir às instituições que zelam pela conservação do ambiente que é nosso património comum para identificar e despedir os funcionários mais zelosos – “empatas”, provavelmente, como o ministro da Agricultura se referiu a técnicos do ICNF.
No mundo do Chega, da Iniciativa Liberal e, pelo que se vê, de algumas figuras gradas do PSD, é preciso “equilíbrio”, ou seja, nada de “fundamentalismos ambientais”. O desenvolvimento económico e o progresso da tecnologia trarão soluções para todos os problemas, e os fanáticos do “decrescimento” são alucinados anticapitalistas que se vestem de verde.
Quem os ouça, lembra-se do que se passa nos Estados Unidos, com a praga de proporções bíblicas “Make America Great Again” que Donald Trump fez descer sobre os norte-americanos.
Mas o que acontece é que em muitos lugares de poder, de tomada de decisão, há pessoas destas, e há-as há muitos anos, desde sempre, mantendo um país confiante em que tem um clima e uma paisagem com regimes típicos do início do século XX. Que interessa se esta é uma área de risco de cheias? Pois se agora há seca, porque nos havemos de preocupar com a cheia de um rio ou ribeira que nunca mais ninguém viu?
É fácil diz que a culpa dos efeitos mortíferos e destruidores das tempestades seguidas que estão a atingir Portugal é dos “fenómenos extremos”. O difícil é assumir que, se o clima e a natureza são desafios constantes, as catástrofes, essas, são causadas pelas decisões humanas.
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