Podemos dizer que afinal a música Video Killed The Radio Star, dos The Buggles, não estava correta, pelo menos em Portugal, porque nos últimos anos a rádio ganhou uma nova importância. Seja porque nos fez companhia durante a pandemia, seja porque nos mantém informados durante um apagão ou catástrofe natural. Mas será que foi apenas por isso? O que está a fazer a rádio ter um sucesso tão grande?
Ainda me lembro, desde tenra idade, de ter crescido a ouvir rádio. Cheguei a ser fã, muito novo, da famosa Rádio Oceano Pacífico, ou aliás quando esta era um segmento da RFM, e depois cresci, durante a minha adolescência, a ouvir religiosamente a Megahits. Hoje sou um fã ávido da M80. Todos nós crescemos a ouvir rádio, seja por influência dos nossos pais, seja por influência de quem nos rodeia.
Contudo, durante anos ouvimos que a rádio era, tal como a imprensa, um meio em decadência, e durante alguns anos foi mesmo. Era mais um setor numa grande e brusca mudança, onde as rádios não se estavam a saber reinventar.
Ainda no outro dia apanhei uma entrevista de uma das maiores rádios do país, feita em 2018, e basta vermos o estúdio para podermos dizer que não existia tanta infraestrutura. E, se compararmos com os dias de hoje, o investimento é evidente, até na informação.
Entretanto, com a pandemia, alguns ótimos diretores e liberdade para a reinvenção, as rádios decidiram mudar as coisas. Hoje em dia temos comediantes a fazer rádio, sketches dentro das próprias emissões e entrevistas às mais variadas ou talvez caricatas personalidade da televisão e do digital.
Afinal, a rádio entrou na era dos podcasts e, em vez de se virar contra o seu maior “inimigo”, decidiu juntar-se a ele. Atualmente, eu e muita gente da Geração Z, à qual pertenço, ouvimos os sketches em versão podcast nas mais variadas apps, como o Extremamente Desagradável e o Ninguém Pod Comigo, que se tornaram dos podcasts mais ouvidos no nosso país. Por vezes optamos até por apenas interagir com a rádio a partir desta plataformas porque é afinal mais prático e condensado.
Esta reinvenção não vem apenas com clamor: existem, sim, diversas críticas sobre o uso de influencers na rádio e a falta de oportunidades para pessoas da área da comunicação social. Eventualmente, a rádio terá de arranjar novas formas de coexistir de uma melhor maneira com a internet e, claro, ainda há muito que pode ser feito nesse sentido.
Fazer rádio hoje é perceber que a internet chegou e que, em vez de a combater, faz mais sentido juntar-se a ela, e dessa relação têm surgido muitas coisas boas, sobretudo para quem, como eu, gosta de humor e entretenimento.
É, assim, difícil negar o cada vez mais óbvio sucesso que a rádio está a ter. Passou a ser um dos meios favoritos de diversas marcas para publicidade e está recheada de novos programas. Arrisco-me até a dizer que a rádio conseguiu algo que a televisão tenta há muitos anos: inovar e ter sucesso enquanto o faz.
Conseguiu agora chamar os jovens, nem que seja pela via dos podcasts e sketches de humor. A rádio tornou-se “internetficada” e a sua evolução continua. Mas quais serão, afinal, os próximos passos deste gigante que, em Portugal, continua a remar contra a maré da sua decadência que assola diversos países? Eu, tal como muitos jovens, com certeza, estamos bastante interessados em assistir e até, quem sabe, participar.
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