O responsável pela arbitragem da UEFA, o italiano Roberto Rosetti, admitiu na quinta-feira, durante o 50.º congresso daquele organismo, em Bruxelas, a necessidade de uma revisão dos princípios que regem o sistema de videoárbitro (VAR), preconizando um modelo menos nervoso e admitindo alguns excessos e preciosismos que prejudicam o ritmo do jogo.
Uma das prioridades apontadas por Roberto Rosetti é a uniformização dos lances em que a bola contacta com a mão dos jogadores, já que há abordagens distintas nas diferentes Ligas, o que cria problemas nas competições da UEFA, seja de clubes ou selecções.
Segundo Rosetti, o VAR “está a tornar-se demasiado forense”, o que desafia os responsáveis da arbitragem para encontrar uma “interpretação coerente” para que este instrumento limite as decisões mais sujeitas à interpretação.
“A tecnologia funciona muito bem para decisões factuais, como o fora de jogo. Mas os lances mais subjectivos estão a originar demasiadas intervenções”, advertiu, o que varia de Liga para Liga.
A Premier League é a que apresenta a taxa mais baixa de intervenção do VAR na presente época, com 0,27 interrupções por jogo. Um dado que não traduz um futebol mais justo, já que o facto de haver menos revisões não reduz a controvérsia das decisões.
Ainda assim, a Bundesliga (Alemanha) e a La Liga (Espanha) surgem com 0,38 intervenções, enquanto a Serie A (Itália), com 0,44, e a Ligue 1 (França), com 0,47, se aproximam mais dos registos da Liga dos Campeões, com 0,45.
“Não podemos seguir esta direcção, de intervenções microscópicas do VAR”, insistiu Rosetti, empenhado em debater o problema. “Gostamos do futebol como ele é”, vinca, ciente da complexidade da questão, pois uma boa parte do problema reside no facto de adeptos e meios de comunicação social questionarem o “silêncio” do VAR quando julgam que deveria ter havido intervenção, o que reflecte o número crescente de decisões subjectivas.
“Não podemos atrasar reinício do jogo”
Rosetti enfatizou os princípios que estiveram na origem do VAR, lembrando que se trata de “uma questão de justiça” e que “é bom para reforçar as decisões certas em campo” e que o VAR foi criado para corrigir erros claros e óbvios
Mas para ser ainda mais relevante, é preciso uma maior uniformização: “Temos que falar uma única linguagem técnica”, preconiza, sobretudo no que diz respeito aos lances de mão na bola. Neste campo, a interpretação difere entre as ligas, com a Premier League a adoptar uma das abordagens mais flexíveis.
“Não podemos falar línguas técnicas diferentes em toda a Europa. Até porque as equipas disputam competições europeias, onde o critério tem que ser claro”.
Rosetti garantiu que as discussões e propostas estão na ordem do dia e promete voltar ao tema antes da próxima época: “Temos de voltar a falar!”, avisa, perseguindo a uniformidade e uma interpretação coerente do VAR.
Rosetti deixou, contudo, menos abertura relativamente ao alargamento das competências do VAR. A FIFA deverá aprovar a revisão dos cantos e segundos cartões amarelos na reunião de 28 de Fevereiro, mas o essencial é que todos falem a mesma linguagem.
“Há um conceito crucial: não podemos atrasar o reinício dos jogos. Quando algo atrasa o reinício do jogo, não é bom para o futebol. Por isso, aprovamos todas as alterações que permitam agilizar o recomeço dos jogos… Porque o futebol é intensidade e emoção”.
Rosetti revelou, igualmente, o ênfase dado na reunião dos principais árbitros europeus, em Janeiro, às frequentes quedas de jogadores devido a contactos mínimos, tendo sido dadas instruções para um maior controlo das acções de bloqueio aos guarda-redes nos cantos sempre que isso os impedir “claramente” de disputar a bola.
Sob reserva de aprovação na reunião da IFAB, a proposta do francês Arsène Wenger, antigo treinador do Arsenal, de alterar a regra do fora-de-jogo deverá ser testada na principal liga canadiana a partir de Abril.
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