A frase foi proferida num registo aparentemente leve, quase como uma confidência pessoal — porém, vinda do secretário da Saúde dos Estados Unidos (o equivalente a ministro da Saúde), não poderia passar despercebida. “Não tenho medo de germes. Já “snifei” cocaína de tampas de sanita”. A declaração, de Robert F. Kennedy Jr., foi feita num podcast, citado nesta sexta-feira pela Sky News, e já reacendeu críticas à sua liderança e gestão da saúde no país, num contexto de decisões controversas sobre vacinas e outras políticas de saúde pública.
Kennedy, conhecido como RFK Jr., contou a história ao podcaster e humorista Theo Von, anfitrião do programa This Past Weekend, enquanto falavam sobre o passado de consumo de drogas de ambos e da frequência de reuniões de apoio a dependentes, interrompidas durante a pandemia de covid-19. Juntos, formaram mesmo um grupo “pirata” que continuou a reunir-se de forma não oficial durante a pandemia. Ao longo da conversa, Kennedy abordou também a sua longa trajectória de reabilitação de alcoolismo e toxicodependência.
“Se eu não tratar esta doença, o que para mim significa ir a reuniões todos os dias, a minha vida está em risco”, afirmou. “É uma condição que me pode matar se não houver disciplina e acompanhamento.”
A entrevista provocou uma onda de críticas imediatas. A organização Protect Our Care, que luta por acesso a cuidados de saúde acessíveis nos EUA, considerou Kennedy “a pessoa mais perigosa e inadequada alguma vez colocada à frente de uma agência federal com poder de vida ou morte”. O seu presidente, Brad Woodhouse, limitou-se a uma palavra: “Demita-se.”
Também nas redes sociais surgiram reacções. Malcolm Kenyatta, deputado democrata da Pensilvânia, escreveu no X: “por alguma razão, não confio neste homem em questões de saúde pública”. Já Aaron Reichlin-Melnick, do American Immigration Council, apontou para um duplo padrão na abordagem à toxicodependência: “Lembrem-se de que a administração Trump trata imigrantes com historial de toxicodependência como os piores criminosos, independentemente de quanto tempo passou”, comentou.
Kennedy já tinha assumido publicamente a sua toxicodependência, que teve início após o assassinato do seu pai, Robert F. Kennedy, em 1968. Foi detido duas vezes por posse de drogas — cannabis, em 1970, e heroína, em 1983 — e atribui à segunda detenção a motivação para iniciar o seu percurso de sobriedade.
For some reason I don’t trust this guy on public health. https://t.co/iyDE0AGO1K
— Rep. Malcolm Kenyatta (@malcolmkenyatta) February 12, 2026
A polémica acompanha ainda a sua notoriedade como crítico das vacinas durante a pandemia de covid-19, tendo repetido várias vezes alegações falsas que associam vacinas ao autismo em crianças.
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