Brinde ao amor: conheça o casal que divide o balcão e a vida

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É Dia dos Namorados, mas esqueça aquela ideia romantizada do amor à primeira vista. A brasiliense Flavi Andrade e o carioca Guilherme Lacerda, que hoje vivem em Lisboa, mais precisamente no boêmio Bairro Alto, levaram um tempinho para engatar o romance, que já dura duas décadas.

“Começámos mais firmes do que um prego na areia”, brinca Flavi, ao lembrar o início da relação, ainda em Brasília, quando ambos tinham 25 anos e foram apresentados por amigos em comum. Jovens, cheios de planos e incertezas, era meio caminho para a coisa não evoluir a contento. Mas o tempo provou – e segue provando – o contrário. “Foi construção, aprendizado nos erros, ajustes e muito diálogo”, diz a head bartender do Rossio Gastrobar, onde ambos trabalham.

Aliás, aí está um dos tantos pontos que unem o casal. É no alto do hotel Altis Avenida, nos Restauradores, centro histórico de Lisboa, que a dupla passa boa parte do tempo. Ela, como chefe do bar, que fica no terraço do edifício. Ele, como membro da equipe. “Costumo dizer que não muda nada. Afinal, ela manda em mim em casa. Então é normal mandar no trabalho”, diverte-se Guilherme.

No entanto, brincadeiras à parte, o comportamento dos dois no ambiente profissional é tão discreto que, por vezes, leva tempo até que se perceba que os dois partilham de uma vida conjugal. Para a dupla, trabalhar em casal não tem nada de romântico, apesar de ser permeado pelo sentimento de parceria. “Ele é meu braço direito e meu braço esquerdo. Somos uma equipa antes de sermos um casal”, diz Flavi.

Num setor ainda fortemente masculinizado, Flavi ocupa o lugar de liderança, mas faz questão de despersonalizá-lo. “Trabalhamos para uma estrutura e para o time crescer. Não há palco para egos. Há espaço para construção”, resume a head bartender.

Encontro etílico

O bar entrou nessa história de amor mais tarde, quando os dois emigraram juntos para a Europa, em 2007, inicialmente para Sevilha, no sul da Espanha: ela para fazer doutorado em jornalismo. Ele para avançar nos estudos de publicidade. “Começamos a trabalhar em bar para reforçar a renda, como muita gente faz”, relembra Flavi. E foi ali, entre coqueteleiras e medidores, que surgiu uma nova paixão: o universo dos cocktails, que a conquistaram primeiro. “Eu comecei na cena da música. Mas, aos poucos, fui me contagiando”, diz Guilherme.

Se na preparação dos drinks os dois sabem a medida exata para o equilíbrio perfeito, na vida pessoal não há uma fórmula mágica, mais acertos de doses, por assim dizer. Sem filhos, com duas décadas de história, cultivam uma rotina quase sincronizada: academia, trabalho e provas sensoriais, que costumam vir, sobretudo, em viagens. “Somos caçadores de experiências. Gostamos de provar comidas e bebidas diferentes”, diz Guilherme.

Aqui, é como unir o útil ao agradável, já que as degustações, mesmo nos momentos de descansam, ajudam a forjar um repertório gustativo cada vez mais apurado. A próxima parada, por sinal, é na ensolarada Caraíva, na Bahia.

Nas horas vagas, Flavi Andrade e Guilherme Lacerda seguem a rotina de provas em bares e restaurantes
Arquivo Pessoal

De resto, quando falam da relação, eles não escolhem receitas: preferem falar de escolhas, de propósitos e de limites. “Respeito, admiração, comunicação. Isso é inegociável”, diz ela. O resto é negociação diária e ajuste fino, o que é ligeiramente facilitado pelos anos de convivência. “Desistir é fácil. Ficar é trabalho”, complementa ele.

Ao longo dos anos, Flavi e Guilherme aprenderam a conviver com diferenças que, curiosamente, também estão dentro do copo. Entre os clássicos, ela prefere Dry Martini. Ele, Margarita. E viva as diferenças. Mesmo que, ao fim e ao cabo, a escolha deles seja estar do mesmo lado do balcão – seja na profissão, seja na vida. E em uma obra que, diga-se de passagem, continua aberta. Mesmo que tenha todos os ingredientes para ser chamado de um verdadeiro romance.

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