Aplicação brasileira com recurso a inteligência artificial quer devolver autonomia a cegos

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O desenvolvedor brasileiro Jonathan Santos, que tem uma deficiência visual que só lhe permite vislumbrar vultos, criou a aplicação Visionauta com o objectivo de devolver autonomia a outras pessoas com o mesmo problema de saúde.

O ex-engenheiro da Google e da Samsung contou à agência Lusa que desenvolveu a aplicação para o seu próprio uso, sendo que depois viu potencial para a partilhar com outras pessoas. “Para mim, vai ser muito gratificante poder ajudar outras pessoas, assim como me tem ajudado”, afirmou.

A tecnologia muitas vezes é vista como um luxo, mas para Jonathan Santos é uma extensão dos seus próprios olhos. Segundo o desenvolvedor, a aplicação surgiu da necessidade real de quem foi perdendo a visão e precisava de ferramentas para o dia-a-dia e para continuar a estudar e trabalhar.

A aplicação, que é “capaz de reconhecer textos impressos através da câmara do smartphone, moedas e notas, seja real, euro, dólar e algumas demais, e cores, existe desde 2017, mas com outro nome, e conta com cerca de cinco mil utilizadores.

Com uma nova “cara” e mais ferramentas, inclusive a Inteligência Artificial (IA), a Visionauta, apenas ainda disponível para dispositivos Android, ajuda a encontrar objectos, como um comando de televisão, responde a diversas perguntas e descreve o mundo ao redor.

“Eu posso andar no ambiente com o celular [telemóvel] na mão. Quando ele identificar o controlo remoto [comando de televisão], diz-me que está aqui. Isso ajuda a não ter que ficar tapeando muitas coisas”, disse o engenheiro, dando como exemplo uma situação no museu, onde a pessoa pode questionar sobre como é a obra, de quem é ou para que seja descrito o ambiente.

Sobre a tecnologia, o engenheiro explicou que o processamento é híbrido, no sentido em que a maioria dos “recursos funcionam completamente offline“, apesar de quando há uma conexão à internet o programa fornece “respostas mais precisas”.

Embora a experiência em grandes empresas de tecnologia tenham refinado as suas técnicas, Jonathan Santos deu mérito à Academia por ter impulsionado a criação desta e de outras aplicações.

“Eu acho que o maior impulsionamento, do ponto de vista técnico, se deu no mestrado [em Engenharia da Computação na Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, Brasil]”, referiu o investigador, acrescentando que foi na universidade que se ambientou com as tecnologias de IA.

O desenvolvedor mencionou que a aplicação deve chegar em breve aos utilizadores de IOS, sistema operativo da Apple, sendo que já está a planear adquirir um dispositivo como esse sistema para iniciar o desenvolvimento.

Jonathan Santos revelou ainda que está a desenvolver uma nova aplicação para audiodescrição de filmes, que ainda está numa fase inicial, cuja “ideia seria colocar o celular próximo a uma tela, que está passando algum filme, e o celular identificar o filme e começar a passar a audiodescrição” nos auscultadores.

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