Devia ser algures pelo ano de 1971 quando Francisco Figueira começou a dar aulas na escola primária de Penamacor, depois de ter estado em Angola, na guerra. Por esta altura, Salazar já estava morto e enterrado, mas a ditadura, no vigor do marcelismo, talvez pressentindo o estertor, parecia mais férrea do que nunca. Lisboa era a “metrópole” de um império ultramarino preso por arames. Portugal, um país a preto-e-branco, “orgulhosamente só”, onde grassava a pobreza e o analfabetismo, com os lugares, as vilas e as aldeias tão isoladas entre si como estavam das cidades, assim como estas da capital. A imensa vaga migrante dos anos 1960 (do século passado), junto com a Guerra Colonial, deixou tantas e tantas regiões do tal “Interior” do país à míngua de gente, entregues a si próprias, como se pertencessem a nenhum lugar. A vila de Penamacor não era diferente, a não ser por ter ali instalado desde Dezembro 1936, um dos braços do regime. Ali funcionava a Companhia Disciplinar de Penamacor, onde eram incorporados todos os mancebos de quem se suspeitava alimentar ideias contrárias à ditadura.
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