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Que o churrasco é quase uma instituição gastronômica no Brasil não é novidade. A carne feita na brasa, uma marca originalmente dos gaúchos, conquistou o país de norte a sul e virou negócio para o empresário carioca Luiz Felipe Costa, CEO e sócio-fundador do Grupo Alento Braza, de Portugal. Ao lado do sócio José Luiz Penha, ele adaptou o modo de servir para o churrasco na pedra e inaugurou, no mês passado, a 11ª unidade da Braza, com 180m2. A expectativa é chegar a 35 casas no período de cinco anos, com planos de expansão para a Espanha quando o número chegar a 20 unidades em solo português. No percurso, para 2026, a expectativa é de um aumento de 70% na faturamento.
A marca, que surgiu no país no final de 2021, já aplicou cinco milhões de euros, emprega 150 pessoas e tem um ambicioso crescimento para 2026, com investimentos na ordem de dois milhões de euros. “Apostamos na abertura de mais quatro unidades, mais duas em Lisboa e outras duas no Porto”, diz Costa, que acaba de celebrar a inauguração da unidade do Mercado do Bom Sucesso, no Porto, que vai funcionar também como espaço de testes. “Em curso, temos o trabalho com um produtor de linguiça para termos algo próximo à nossa calabresa.”
Divulgação/Braza
No aspecto gastronômico, a receita é aparentemente simples, com foco no churrasco e nos sabores brasileiros e na qualidade e execução da matéria-prima. Cortes como picanha, maminha e t-bone são cuidadosamente preparados para partilhar na pedra, com ticket médio que varia de 18 a 20 euros para duas pessoas.
Para acompanhar, não pode faltar a boa e velha dupla arroz com feijão. “Fazemos os dois do zero, fresquinho. O feijão com um bom refogado e o arroz, que em Portugal adaptamos para o basmati (grão alongado de origem indiana), feito com banha e sal”, afirma Costa. Para completar, farofa e batata frita.
Para pedir no prato, além a opção de grelhados, há clássicos cariocas como o filé (posta de vitela) à Oswaldo Aranha, com direito a muito alho frito. Some-se a isso as entradas para quem quer apenas petiscar, como bolinho de feijoada ou bolinho de costela suína. Para fechar a refeição, pudim de leite, em uma receita adaptada com creme de leite, que dá mais leveza à receita, e brigadeiro de colher.
Divulgação/Braza
No menu, entretanto, não entra apenas o que se degusta. A intenção dos empresários, desde o princípio, foi apostar na cordialidade no atendimento, mesmo que o foco da empresa seja nos espaços de alimentação dos shoppings, o nicho ao qual o negócio se adaptou melhor e que costuma ter um atendimento mais casual. “Desde o início foi a nossa intenção pelo modelo do negócio, pela circulação natural de pessoas nos centros comerciais, a facilidade do estacionamento e contato mais direto com os clientes em potencial”, diz.
A ideia de aprimorar a experiência gastonômica por meio do serviço é levada tão a sério que, uma vez por mês, é feito um treinamento, que dura em média quatro horas, para afinar o ritmo, por assim dizer. “Acreditamos que um bom negócio na gastronomia vai além do cuidado com o que é servido, mas também como é servido e do ambiente onde é servido”. Nesta seara, para além do sorriso no rosto, entra em cena também o cuidado para a entrega rápida. “Nossos preparos que mais demoram para sair levam, no máximo, 20 minutos, que é o caso das carnes servidas na pedra, feitas na hora.”
Atenção ao público tem atraído não apenas brasileiros, naturalmente atraídos pelos pratos ofertados na casa. A clientela, garante o empresário, surpreende em locais como Guimarães, onde 95% dos comensais são portugueses. “Depende muito da zona. Em Braga, por exemplo, onde a comunidade brasileira é bem significativa, fica no meio a meio”, diz. Nas contas do grupo, em 2025 passaram pelas unidades do restaurante 700 mil clientes, com um registro do consumo médio anual de 30 toneladas de carnes, incluindo a bovina, a suína e a de aves, que também fazem parte do cardápio da marca.
História
A ideia de abrir um negócio em Portugal surgiu há cerca de dez anos, por meio de uma motivação recorrente do imigrante brasileiro: segurança. “Quando meu primeiro filho nasceu, há nove anos, minha esposa, cuja família tem raízes em Portugal, lançou a ideia. Passei a estudar o setor da restauração português, em busca de lacunas que pudéssemos ocupar.”
No Brasil, ele já vinha da experiência bem-sucedida do Billy the Grill, que segue na mesma linha de oferta de carnes feitas na brasa e tem 60 unidades no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. O objetivo, no entanto, era criar uma marca especialmente voltada ao mercado de Portugal. “Foi muito estudo, primeiramente, de longe. Depois, fiz algumas viagens para ver a coisa de perto. E mesmo com toda essa base, não engrenou de primeira. Fizemos ajustes até arrancar para a expansão”, relembra Castro.
A primeira loja, de rua foi aberta em Maia, na região do Porto, mas o negócio engatou de verdade quando a marca conseguiu entrar no mercado da restauração nos centro comerciais. “Vimos que, de fato, o negócio se encaixava melhor nesses espaços. De início, não foi fácil entrar. Os portugueses são mais cuidadosos em termos de curadoria, até para não se ter, por exemplo, muitos restaurantes semelhantes no mesmo espaço”.
Concentrados em endereços como Via Catarina e Norte Shopping, no Porto, Atrium Saldanha, em Lisboa e no Parque Braga, em Braga, o plano é ambicioso. “Queremos ser a segunda marca em vendas em centros comerciais, apenas trás do McDonalds”, afirma Luiz Felipe.
Estratégias
Paralelo ao percurso das operações, o Grupo Alento Braza mira em estratégias de marketing, que passam pela programação de uma semana dedicada aos cortes e carnes portuguesas. Atualmente, o grupo trabalha essencialmente com carne proveniente da Argentina e do mercado europeu, já que a produção de carne bovina em Portugal não é suficiente para atender a demanda das unidades. “Nosso lema é Alma Portuguesa, Coração Brasileiro. Por isso, queremos homenagear em uma ação, que deve acontecer em breve, as carnes portuguesas, seja por meio de cortes tradicionais daqui, seja pelo uso de raças portuguesas”, diz.
Em outra frente, o grupo trabalha para popularizar o aplicativo “Manda Braza”, que busca fidelizar o cliente por meio da oferta de 10% de cash back e facilidade na hora de fazer o pedido. “O cliente não precisa enfrentar fila e já pode fazer o pedido e pagar antes de chegar ao balcão”, diz. No futuro, haverá a possibilidade de fazer pedidos pela ferramenta, o que atualmente pode ser feito por meio do Uber Eats. “São nossos parceiros e trabalhamos juntos para melhorar a entrega, tanto na agilidade como, por exemplo, na qualidade das embalagens”, diz.
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