Benfica-Real Madrid: depois da “farra”, o juízo

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Benfica e Real Madrid jogam na Liga dos Campeões nesta terça-feira de Carnaval (20h, SPTV5), mas a folia chegou mais cedo para ambos. Há menos de três semanas, na Luz, o jogo da ronda final da primeira fase foi uma “farra” completa: reviravoltas, golos, resultados improváveis noutros campos, drama, equívocos no banco e até um guarda-redes cabeceador. Na perspectiva do lazer neutro, pede-se mais do mesmo. Na visão de benfiquistas, talvez se peça juízo, que Carnaval já houve que chegue.

A fortuna ditou que portugueses e espanhóis se encontrem novamente: na mesma prova, à mesma hora, no mesmo local – a diferença é que não acaba tudo aqui. O play-off de acesso aos oitavos-de-final prevê duas partidas, pelo que a folia de Trubin deve dar lugar à frieza de quem tem, no mínimo, 180 minutos de futebol.

No fundo, o Benfica teve ter a memória fresca do que se passou naquele jogo, mas a cabeça bem fria, para evitar que a partida se torne no que se tornou. Naquele contexto, contra um Real em inferioridade numérica e com dois jogadores a leste do que se passava, tudo correu bem. Noutro contexto, com um Real sério e concentrado, é possível que o desfecho seja diferente.

Bellingham e o 4x4x2

Há coisas bastante evidentes que o Benfica pode e deve levar para este play-off. A primeira – e se calhar a mais óbvia – é que o Real Madrid defende pouco e defende mal.

Das 32 equipas em prova, o Real é a quinta com pior rácio de golos sofridos para golos sofridos esperados: sofreu 12, mas, segundo o Who Scored, já deveria ter sofrido 16 – em função da probabilidade de sucesso das finalizações que concedeu.

É também uma equipa que concede muitos remates, sobretudo em função do valor de posse de bola que tem. É, portanto, uma equipa que procura controlar o jogo, mas que não controla o momento da perda. E isso viu-se na Luz.

Bellingham, que parte de posições mais centrais em momento ofensivo, é destacado para um labor sem bola como ala-esquerdo, para poder proteger Vinícius e Mbappé. Isto faz a equipa depender de um recuperador incapaz e, sobretudo, pouco fiável – Carreras esteve em agonia vezes sem conta por culpa da má recuperação do inglês. Foi terreno fértil para Dedic criar superioridades numéricas e o jogador vai estar de regresso ao “onze” – confirmou José Mourinho.

Tudo à direita

Outa coisa interessante que saiu desse jogo foi a competência “encarnada” no momento da perda. A equipa mostrou muita capacidade de pressionar e rapidez a montar o bloco baixo quando a pressão imediata não resultava – e esse bloco focou-se muito no lado direito da defesa, que conseguiu impedir Vini e Mbappé de terem situações de um contra um.

Nessa medida houve um grande trabalho de Prestianni e Aursnes, sabendo certamente Mourinho que o Real Madrid é a equipa da Champions que mais ataca pela esquerda (41%) e a que menos ataca pela direita (29%).

Mas esta competência global no momento defensivo também traz um sinal de alerta. Na única vez em que falhou na rapidez a recuar o bloco houve golo do Real Madrid numa transição. A equipa espanhola já marcou cinco golos em contra-ataque nesta Champions e tem jogadores capazes de decidir um jogo na mais pequena falha – tal como já tinha acontecido no 1-0, com Mbappé a castigar uma desatenção de Dedic.

Em suma, o Benfica pode tirar pistas importantes do que deve tentar repetir e também lições relevantes do que não pode voltar a conceder.

Comunicação ou realidade?

Apesar de tudo isto, José Mourinho disse, repetiu e reafirmou que este Real é diferente do que esteve na Luz há 18 dias. “É tudo novo. Esqueçamos o jogo que jogámos na Luz há umas semanas. Arbeloa percebeu o que aconteceu aqui. Têm tido uma evolução na solidez da equipa”, começou por explicar Mourinho na antevisão da partida.

“O jogo não vai ser uma cópia e eles tiveram uma evolução importante enquanto equipa num curto espaço de tempo”, acrescentou mais tarde. E voltou à carga: “É uma estrutura diferente, um modo diferente de estar em campo, uma mentalidade táctica diferente”.

Em que se traduz isto? Mourinho não detalhou grande coisa, mas a dada altura lá deixou escapar que “defendem com duas linhas de quatro muito compactas, deixando lá na frente o Vinícius e o Mbappé para transições e profundidade”. “É uma maneira muito eficaz que encontraram de serem mais sólidos e, com estes rapazes lá na frente, perigosos”, acrescentou.

Não consta que essa forma de defender seja uma grande novidade, porque o Real já a utilizava – e isso viu-se também na Luz. E não seria inédito isto ser um subterfúgio comunicacional de Mourinho, procurando esfriar sofisticadamente o entusiasmo desmedido com o que se passou na Luz.

Mas a verdade é que o Real já teve três jogos de campeonato depois do “Carnaval” na Luz, pelo que foram 270 minutos de futebol para Mourinho ver coisas diferentes. Resta esperar para ver se é mera comunicação ou boa análise.

Para já, o que parece mais ou menos clara é uma outra afirmação do treinador do Benfica: “Se ganhar uma vez ao Real Madrid é muito difícil, ganhar duas é muito mais difícil. Ganhar três ou uma eliminatória ainda mais difícil é”. E quanto mais parecido o Real for com o foi na Luz maior a probabilidade de Mourinho não ter razão – e ele quererá certamente não ter.

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