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O economista, professor e gestor português Jaime Quesado celebra, no início de março, os seis anos do Grupo de Partilha e Discussão SK – Sharing Knowledge, que reúne hoje 1.020 membros, entre acadêmicos, gestores e empresários, com o objetivo de promover encontros, partilha e debate qualificado sobre temas da atualidade nacional e internacional. Vários membros do grupo são portugueses que moram em outros países, como Brasil, além de brasileiros que estão em Portugal.
Criado no início da pandemia de covid-19, o grupo nasceu da necessidade de manter o fluxo de informação e reflexão em um período de isolamento social. A iniciativa partiu do próprio Quesado, que mobilizou contatos dos meios acadêmico e empresarial. Desde então, o SK consolidou dois eixos de atuação: a partilha diária de conteúdos estratégicos e a realização de encontros online e presenciais.
Na vertente digital, o grupo promove a partilha de documentos, relatórios e artigos sobre geoestratégia, economia, ciência, inovação e tecnologia. Ao longo de seis anos, foram realizadas mais de 300 sessões online, geralmente com 60 a 90 minutos de duração, sempre com convidados de referência e espaço aberto para debate. Na próxima quinta-feira (19/02), ocorre a sessão de número 350, com participação aberta aos integrantes do grupo.
Paralelamente, o SK investe em encontros presenciais, fortalecidos após o período mais restritivo da pandemia. Entre as iniciativas estão os chamados Encontros de Estação — primavera, verão, outono e inverno — além do tradicional Encontro de São Martinho, realizado em novembro. Os eventos ocorrem em locais emblemáticos, como o Convento da Arrábida, em Setúbal, a Universidade de Coimbra e a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
“O último desses encontros reuniu 40 pessoas e foi há uma semana: o Encontro de Inverno, no Alentejo, que é uma zona muito linda em Portugal, e aconteceu no Torre de Palma Wine Hotel. O convidado foi o antigo primeiro-ministro e antigo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, que teve uma grande sessão conosco sobre os desafios da geoestratégia, as implicações para a Europa e para Portugal”, informa o economista. O próximo encontro presencial está marcado para 24 de março, novamente no Convento da Arrábida, com debate sobre colaboração e liderança no contexto atual.
Visitas temáticas
Outra frente de atuação são as Conversas SK, realizadas duas vezes por mês, em Lisboa e no Porto. Os locais dessas conversas, 50 já realizadas até agora, incluem, por exemplo, a biblioteca Palácio Galveias, no centro de Lisboa, e a Livraria Lello, no Porto. Já participaram nomes conhecidos, a exemplo de Eduardo Souto de Moura e Miguel Poiares Maduro, diz ainda Quesado.
Os Roteiros SK completam o conjunto de iniciativas, com visitas temáticas a empresas, universidades e outros espaços públicos. “Estivemos, por exemplo, na Adega do Esporão, no Alentejo, com o dr. José Roquette a falar sobre vinho. Outro evento foi na Escola 42, para debater o futuro da Inteligência Artificial. Também estivemos na Marinha Grande, distrito de Leiria, que infelizmente foi recentemente muito afetada pelas chuvas, onde discutimos o futuro da indústria”, destaca Quesado.
Entre os convidados internacionais, o grupo já recebeu nomes de projeção global. Um deles foi Daron Acemoglu, prêmio Nobel de Economia em 2024 e professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), que falou sobre como a inovação pode ajudar a fixar mais valor nas nações. Acemoglu também fez uma ligação com sua obra Why Nations Fail (“Por que as Nações Fracassam”), aprofundando a discussão sobre instituições, inovação e desenvolvimento. O pensador basco Daniel Innerarity também participa regularmente dos debates, com reflexões sobre o futuro da democracia e os desafios do espaço público.
Integração e interação
O economista brasileiro José Roberto Afonso, professor titular dos Programas de Pós-Graduação do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) e professor-pesquisador associado no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, destaca a diversidade como uma das principais forças do grupo, da qual também faz parte.
“Na minha opinião pessoal, além da integração, há a interação de pessoas de várias profissões e áreas de atuação. Embora a grande maioria seja formada por intelectuais e professores, há também empresários e empreendedores”, afirma. Ele ressalta ainda a dimensão internacional da rede: “Há muitos portugueses espalhados pelo mundo — na Bélgica, nos Estados Unidos, na Alemanha, no Reino Unido, no Brasil — além de pessoas de outras nacionalidades europeias que vivem em Portugal”.
Para Afonso, o SK se diferencia por estimular o intercâmbio de ideias sobre desafios comuns. “Outro ponto relevante é a mescla de reuniões virtuais — que marcaram o início do grupo na pandemia — com encontros presenciais, realizados em espaços importantes do país”. Ele também valoriza a coerência com a proposta expressa no próprio nome do grupo. “É importante, como diz o título em inglês, compartilhar conhecimento. Foi o caso da presença do jornalista de economia Martin Wolf, nascido em Londres, a cujas palestras virtuais assisti no grupo. É uma iniciativa muito interessante”.
Ações sociais
Segundo o economista, a combinação entre nomes consagrados e debates sobre experiências sociais fortalece o projeto. “Gosto muito da proposta de promover conversas com economistas reconhecidos internacionalmente, como Daron Acemoglu, e, ao mesmo tempo, discutir questões e projetos sociais bem estruturados e com ótimos resultados. Gerar conhecimento em diferentes áreas — negócios, economia e ações sociais — e compartilhá-lo é o grande diferencial”, detalha Afonso.
A integração entre países, especialmente entre Portugal e Brasil, é outro eixo estruturante do grupo. Os debates sobre essa aproximação ocorrem tanto de forma remota quanto presencialmente, com o objetivo de fortalecer parcerias, ampliar a integração social e dar voz também a portugueses que vivem no exterior, permitindo que compartilhem suas experiências de inserção nos países onde residem. O ciclo incluiu ainda discussões sobre relações comerciais luso-brasileiras, com participação de empresas dos dois países.
As sessões online são gravadas e disponibilizadas no YouTube, ampliando o alcance das discussões. Hoje, a maioria dos integrantes é formada por portugueses residentes em Portugal e no exterior, além de brasileiros. Com atividades semanais, o grupo mantém fluxo contínuo de encontros e conteúdos.
“O objetivo é reforçar a identidade do passado, que faz parte da nossa história, dar sentido e presença ao presente e, ao mesmo tempo, criar um futuro melhor. É com esse triângulo que o SK tem procurado construir uma narrativa de encontro, partilha e debate. São seis anos de atividades — um legado que continuamos a desenvolver”, conclui Quesado.
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