Cinco curiosidades: como Heated Rivalry está a mudar vidas um pouco por todo o mundo

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O fenómeno mudou as vidas de Hudson Williams e Connor Storrie, que, alguns meses antes de Heated Rivalry, eram só dois empregados de mesa com o sonho da representação. Agora, são o rosto do sucesso da série canadiana da Crave (em Portugal, exibida na HBO) que desconstrói os estereótipos do que é ser queer no mundo do hóquei no gelo, desporto que é parte da identidade nacional do Canadá. Eis cinco curiosidades que se têm sucedido ao êxito mundial.

Rachel Reid e o tratamento para o Parkinson

Heated Rivalry não mudou só a vida dos dois actores que dão vida aos jogadores de hóquei Shane Hollander (Hudson Williams) e Ilya Rozanov (Connor Storrie), que, apesar de serem rivais no ringue, se apaixonam. Rachel Reid que é autora dos livros que deram origem à série (inicialmente publicados em 2018 e ainda sem tradução em português) também contou que, na sequência da adaptação ao ecrã, foi contactada por um neurologista especialista em doença de Parkinson.

O autor televisivo da série, Jacob Tierney, falou sobre a doença de Reid numa entrevista à CNN e “uma coisa maravilhosa” aconteceu no dia seguinte. “Achei um pouco estranho, mas no dia seguinte, um dos maiores especialistas em Parkinson do mundo entrou em contacto comigo e perguntou se me podia ajudar. Nunca tinha conseguido falar com um especialista em Parkinson. Estou numa lista de espera há cinco anos porque moro num lugar muito pequeno”, contou a escritora à revista Variety.

Em poucas semanas, começou o tratamento e tudo graças ao sucesso de Heated Rivalry. “Ele [o médico] disse como alterar a minha medicação para que conseguisse dormir, porque eu nunca dormia. Essa mudança fez com que passasse a dormir a noite toda, o que realmente ajuda na escrita”, declarou, falando das dificuldades de coordenação por causa dos sintomas que caracterizam a doença de Parkinson. “Preciso descobrir novas maneiras de escrever. Não sei se será voz para texto”, declarou ainda a autora no final do ano passado.

Heated Rivalry nas bibliotecas

A série também renovou o interesse pelos livros de Rachel Reid, de tal forma que várias bibliotecas no Canadá e nos Estados Unidos disponibilizaram a colecção em versão digital ou áudio de forma gratuita. A Biblioteca Pública de Toronto disponibilizou o audiobook de Heated Rivalry sem lista de espera no início deste mês, seguindo os passos das bibliotecas de Calgary, na província de Alberta, ou de Burlington, em Ontário. Para controlar os acessos, apenas é possível “uma cópia por utilizador”, explicou o director da biblioteca da metrópole canadiana, Matt Abbott.

A biblioteca de Toronto teve mesmo de renovar a licença do livro digital, que normalmente expira depois de cem downloads. Só em Fevereiro, diz a televisão nacional CBC, já foram feitos mais de cinco mil downloads de Game Changers, o primeiro livro da colecção. “Há títulos que fazem realmente sucesso e, neste caso, temos muita sorte por se tratar de uma autora canadiana e por a editora o estar a disponibilizar, para que possamos oferecer um acesso mais amplo”, declarou.

Em Nova Iorque, durante a tempestade de neve que afectou a cidade no início deste mês, o presidente da câmara, Zohran Mamdani, incentivou os cidadãos a ficarem em casa e a “aproveitar a oferta da biblioteca pública” dos livros que inspiraram Heated Rivalry.

Exemplo inspirador

Atenção, spoiler: no quinto episódio, que estará disponível no final desta semana, Scott Hunter, que se apaixona por Kip, empregado de uma loja de batidos de fruta, assume-se como homossexual perante a equipa. E, no final, convida Kip para celebrar a vitória ao seu lado no ringue. O momento e a série inspiraram o atleta norte-americano Jesse Kortuem a partilhar nas redes sociais a sua história — até então “um segredo” para o público — bem como outros atletas, como têm contado em entrevistas Hudson Williams e Connor Storrie.

“Quando era adolescente, carregava um peso que não parecia encaixar-se naquele mundo e vivia num estado constante de dicotomia. Adorava o desporto, mas vivia com um medo persistente”, escreveu Kortuem no Instagram. “Perguntava-me como poderia ser gay e ainda assim praticar um desporto tão duro e masculino.”

Na sua vida privada, todos sabiam que era homossexual, mas nas equipas de hóquei por onde passou, quer no Minnesota, de onde natural, quer em Atlanta ou Nova Iorque, nunca falou abertamente sobre a sua sexualidade com os colegas. “Revelar quem eu realmente era à minha equipa mudaria tudo num instante, mudaria a opinião deles sobre mim, poderia trazer uma atenção negativa para a equipa com o jogador gay, então nunca arrisquei”, testemunha.

Em 2017, num “ponto de ruptura”, inscreveu-se para participar num torneio LGBTIQ+ e conheceu um grupo de rapazes gays que, como ele, praticavam hóquei. Encontrou, assim, a paz no ringue. “Quero falar para os atletas que ainda não assumiram a sua orientação sexual ou que estão a lutar para encontrar o seu caminho. Quero que saibam que há esperança e que não estão sozinhos. Há uma vida e uma felicidade profunda à vossa espera no vosso caminho.”

A trend das camisolas de hóquei

No Canadá, o fenómeno cultural também está a ser aproveitado para fazer render a tendência das camisolas de hóquei. Os Ottawa Senators criaram duas camisolas de edição especial com os apelidos de Hollander e Rozanov, as duas personagens principais, para vender nos hipermercados Canadian Tire. A iniciativa surgiu depois de vários fãs encomendarem as jerseys com o nome das personagens através do site do clube, que vendeu para países como a Alemanha, a Suécia ou até a Indonésia, disse à CTV o responsável de marketing, Peter Shier.

A edição limitada no Canadian Tire reverte a favor da Ottawa Pride Hockey, uma liga recreativa do desporto que reúne cinco equipas com 200 atletas LGBTQI+.

A marca Province of Canada também anunciou que vai lançar o casaco de pêlo que Hollander usa no segundo episódio da série. Não é o casaco oficial da equipa olímpica canadiana, mas uma réplica daquele que foi usado pelo actor Hudson Williams. A peça ainda não está disponível, mas é possível entrar na lista de espera no site da etiqueta de Toronto.

O chalé de luxo

O cenário do último episódio (ainda por ser transmitido em Portugal) existe mesmo na vida real. O chalé envidraçado de Shane, que fica na região do lago de Muskoka, a Norte de Toronto, tem despertado atenções, mas não está disponível para arrendar.

A villa de luxo é assinada pelo atelier de arquitectura Trevor McIivor Architect, que teve de vir a público fazer um esclarecimento: “A casa foi encomendada para uso pessoal e desenvolvida ao longo de muitos anos com um cliente excepcional. Não foi criada para a série. A casa existe e continuará a existir e a ser desfrutada pela família que nela investiu o seu coração e a sua alma.”

Contudo, o Turismo da província de Ontario está a aproveitar a oportunidade para promover a região de Muskoka. “Venham até ao chalé” é o slogan da campanha lançada neste mês, que sugere outras casas de campo de luxo como a de Shane, que podem ser arrendadas. E os encantos da região vão mais além, diz, promovendo actividades para os amantes de desporto e de caminhadas.

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