Stephen Colbert, comediante e apresentador da CBS, afirmou na segunda-feira, 16 de Fevereiro, que os advogados da emissora o proibiram de exibir uma entrevista com James Talarico, deputado democrata da Câmara dos Representantes do Texas, que está a concorrer à nomeação do seu partido para o Senado dos EUA.
“A Administração de Donald Trump quer silenciar qualquer pessoa que diga algo negativo sobre Trump na televisão, porque tudo o que Trump faz é ver TV”, disse Colbert na emissão de segunda-feira do The Late Show.
A Comissão Federal de Telecomunicações norte-americana (FCC, na sigla original), liderada pelos republicanos, declarou no mês passado que os talk shows já não são considerados programas de notícias isentos das regras de tempo de antena equitativo, que exigem que os canais concedam espaço de antena às opiniões de candidatos opositores.
Colbert criticou o presidente da FCC, Brendan Carr, e os advogados da rede, afirmando que estavam a aplicar unilateralmente a directiva de Carr “por motivos puramente financeiros”.
A justificação repete a explicação fornecida pela Paramount quando anunciou, em Julho de 2025, que o programa de Colbert sairia do ar em Maio de 2026, enquanto procurava aprovação da FCC para uma fusão de 8,4 mil milhões de dólares com a Skydance Media.
A Reuters e outros órgãos de comunicação social noticiaram no início deste mês de Fevereiro que a FCC abriu uma investigação para determinar se o talk show diurno da ABC, o The View, violou as regras de tempo equitativo em entrevistas com candidatos políticos após a participação de Talarico.
O presidente Donald Trump pressionou repetidamente Carr para tomar medidas contra emissoras norte-americanas e criticou aquilo que considera uma cobertura unilateral. Colbert publicou a entrevista no canal do programa no YouTube.
A CBS afirmou, em comunicado, que a decisão seguiu a “orientação legal de que a transmissão poderia activar a regra de tempo equitativo da FCC para outros dois candidatos, incluindo a deputada Jasmine Crockett, e apresentou opções sobre como o tempo equitativo para outros candidatos poderia ser cumprido”.
A CBS acrescentou que o programa “decidiu apresentar a entrevista através do seu canal do YouTube com promoção no ar durante a transmissão, em vez de fornecer potencialmente as opções de tempo igual”.
Um panorama em mudança para os talk shows
Até Janeiro, os talk shows estavam isentos da obrigação de oferecer oportunidades iguais a candidatos políticos que subordina os programas noticiosos, como entrevistas jornalísticas. É assim desde que o departamento de media da FCC concedeu tal isenção para a parte de entrevistas do programa The Tonight Show, de Jay Leno, em 2006. As emissoras de televisão baseavam-se nessa decisão como precedente justificativo para entrevistas com candidatos políticos em programas humorísticos semelhantes.
Carr, Paramount Skydance e CBS não responderam a pedidos de comentário sobre as declarações de Colbert. A Casa Branca recusou-se a comentar.
A comissária democrata da FCC, Anna Gomez, criticou a decisão da emissora de não transmitir a entrevista, considerando-a censura. Afirmou que a comissão não tem autoridade legal para pressionar emissoras por motivos políticos e que a CBS tem direito à liberdade de expressão para exibir a entrevista.
“Este é mais um exemplo preocupante de capitulação corporativa na senda da campanha mais ampla desta Administração para censurar e controlar o discurso público”, afirmou Gomez. “Não é segredo que a Paramount, empresa-mãe da CBS, tem assuntos regulatórios pendentes perante o Governo, mas os interesses corporativos não podem justificar a recusa em transmitir conteúdo digno de notícia.” A Paramount Skydance está a tentar comprar a Warner Bros Discovery.
Carr enfrentou críticas bipartidárias após pressionar emissoras para retirar do ar o talk show nocturno da ABC, apresentado por Jimmy Kimmel, em Setembro, alertando que poderiam enfrentar multas ou perda de licenças, e afirmando que “é hora de assumirem responsabilidade”.
Duas grandes emissoras disseram que retirariam Kimmel do ar, e a Disney suspendeu brevemente o programa antes de o voltar a transmitir. Em Dezembro, a senadora democrata norte-americana Tammy Baldwin, do Wisconsin, acusou directamente Carr: “Usou a sua posição no Governo federal para retirar Jimmy Kimmel do ar, numa clara tentativa de intimidar a liberdade de expressão.”
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