A Ordem dos Farmacêuticos (OF) alertou nesta quarta-feira que os conteúdos que circulam nas redes sociais a desafiar jovens a tomarem doses elevadas de paracetamol constituem um “risco sério para a saúde”.
Em comunicado, a ordem chama a atenção para o chamado “desafio do paracetamol”, uma espécie de competição entre jovens que acontece nas redes sociais e na qual é incentivada a “ingestão excessiva” deste fármaco.
Trata-se de um fenómeno que tem vindo a ser observado em diversos países europeus, como a Alemanha, a Bélgica, Espanha, França e Suíça, avançou a OF, ao realçar que a toxicidade do paracetamol pode manifestar-se mesmo antes do aparecimento de sintomas clínicos, pelo que se “torna imperativa uma abordagem preventiva e informada junto desta população”.
O paracetamol é um dos medicamentos mais utilizados no tratamento de sintomas da dor e da febre, devido à sua acção analgésica e antipirética e, quando administrado de acordo com as recomendações, apresenta um perfil de segurança favorável.
O maior risco associado ao seu uso consiste, porém, na ingestão de doses superiores às recomendadas, avisou ainda a OF, salientando que a sobredosagem pode provocar lesões hepáticas graves e irreversíveis, podendo evoluir para insuficiência hepática aguda, necessidade de transplante hepático e, em casos extremos, morte.
Em casos menos frequentes podem também ocorrer lesões renais, sobretudo associadas a utilização prolongada e/ou ingestão excessiva, refere o comunicado.
De acordo com a ordem, a sobredosagem pode ocorrer por ingestão única de uma dose elevada ou por uso crónico acima das doses recomendadas e os sintomas iniciais surgem geralmente nas primeiras 24 horas e incluem náuseas, vómitos, sudação, mal-estar e letargia.
À medida que os danos hepáticos progridem, pode surgir dor abdominal, evoluindo para complicações graves, referiu ainda a OF, avisando que, perante suspeita de sobredosagem, deve ser procurada assistência médica imediata, mesmo na ausência de sintomas, tendo em conta que o tratamento é mais eficaz quando iniciado precocemente.
A ordem lembrou também que os farmacêuticos assumem um papel “particularmente relevante na prevenção de intoxicações e na promoção do uso seguro” de medicamentos e, neste caso em particular do paracetamol, a sua intervenção é focada na sensibilização dos adolescentes para os riscos associados à ingestão deliberada de doses elevadas, incluindo desafios promovidos nas redes sociais, e para a sua potencial toxicidade hepática e renal.
Doses usuais
Em comunicado, a Ordem dos Médicos (OM), através do Colégio de Farmacologia Clínica e do Colégio de Pediatria, informa sobre as doses habituais e os limites de segurança.
Adultos e adolescentes: 500mg a 1000mg por toma, com intervalos mínimos de quatro a seis horas. Nunca ultrapassar a dose máxima diária indicada no folheto do medicamento. Em muitas apresentações o máximo é 4g a cada 24h. Deve evitar-se a duplicação inadvertida com antigripais e combinações analgésicas que também contêm paracetamol, assim como a ingestão de bebidas alcoólicas.
Crianças: a dose deve ser sempre ajustada ao peso e à formulação pediátrica. Como referência clínica comum, 15 mg/kg por toma, a cada quatro a seis horas, com máximo de 60 mg/kg/dia.
O que fazer perante suspeita de excesso?
Não esperar por sintomas. Contactar imediatamente o CIAV INEM 800 250 250 (gratuito) e, em caso de emergência, ligar 112 e recorrer ao Serviço de Urgência.
A Direcção Executiva do SNS (DE-SNS) e Unidades Locais de Saúde (ULS) devem estar alertadas e preparadas para responder a qualquer quadro clínico, reforça a OM.
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