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Sob forte comoção, familiares e amigos se despediram da brasileira Lucinete Freitas, sepultada em Fortaleza, no Ceará, dois meses após sua morte na Amadora, região metropolitana de Lisboa, em Portugal. A babá cearense, de 55 anos, foi morta, segundo a Polícia Judiciária portuguesa (PJ), com golpes de bloco de cimento na cabeça, crime confessado pela própria patroa, uma maranhense de 43 anos detida em 18 de dezembro do ano passado.
O corpo chegou à capital cearense na sexta-feira, 13 de fevereiro, com as despesas de traslado e sepultamento custeadas pelo Governo do Ceará, segundo o viúvo, José Teodoro. O enterro, ele prossegue, ocorreu no dia seguinte, marcado por pedidos de justiça e indignação da família diante da falta de informações sobre o andamento das investigações.
Lucinete desapareceu em 5 de dezembro. Treze dias depois, o corpo foi encontrado em uma área de mata na Amadora, coberto por entulhos. Desde então, conforme relata o marido, as informações repassadas pela Polícia Judiciária não esclarecem detalhes do caso. “Queremos celeridade e transparência nas investigações sobre o assassinato da minha esposa. Faz mais de dois meses e até agora não conseguimos ter acesso ao inquérito, não sabemos como andam as investigações, não sabemos o motivo de tanto sigilo”, diz o viúvo.
“Queremos que seja feita a justiça, queremos que as autoridades portuguesas descubram tudo que aconteceu e se há outras pessoas envolvidas, por exemplo”, acrescenta. Ele diz ainda que quando os patrões se desentendiam, Lucinete ficava sempre ao lado do patrão e que isso pode ter colaborado para que a patroa a atacasse e matasse.
José Teodoro e Lucinete eram casados há 15 anos e têm um filho adolescente. A família planejava se reencontrar em Portugal em janeiro de 2026. Lucinete viajou primeiro à Europa, em abril de 2025, para trabalhar como babá, enquanto o marido se preparava para ampliar as oportunidades no país. Trabalhador autônomo na área de jardinagem, ele fez cursos em Tecnologia da Informação, construção civil e logística com a intenção de recomeçar a vida no exterior.
Desabafo emocionado
Durante o velório, a irmã da vítima, Francisca Freitas, fez um desabafo emocionado ao lembrar dos planos interrompidos. “Lucinete era uma pessoa muito boa, especial, querida. Saiu [do Brasil] para trabalhar, para dar um futuro melhor para o filho e o marido e infelizmente encontrou uma pessoa, que não vou dizer o nome, e essa pessoa fez o que fez com ela”.
Segundo Francisca, o sentimento da família é de revolta e apelo por responsabilização. “A gente pede que a Polícia de Portugal veja tudo isso com carinho e que se fosse um pai, um parente, se fosse a mãe de um deles (da Polícia), eles não iriam querer justiça? Não iriam querer que ela [a criminosa] fosse julgada nos rigores da lei? A família inteira de Lucinete pede encarecidamente: autoridades de Portugal, façam isso por nós. É o clamor de uma mãe, de uma amiga. É isso o que queremos: justiça”.
O Consulado-Geral do Brasil, em Lisboa, informou que está em contato com a família de Lucinete Freitas desde dezembro de 2025, além de manter contato frequente com o Governo do Ceará e também com a funerária brasileira, contratada pelo Governo do Ceará, que deu suporte à família dela na logística do traslado do corpo para o Brasil. A nota diz ainda que o Consulado forneceu “as orientações necessárias para que a empresa cearense conseguisse tramitar, em Portugal, a documentação exigida pela lei portuguesa”.
A Polícia Judiciária, por sua vez, foi procurada pela reportagem e informou, sobre o inquérito e o andamento das investigações, que “a legislação portuguesa não permite que sejam partilhados os dados (solicitados), sob pena de violarmos o segredo de justiça”. A justificativa é contestada por Teodoro. “Desde 20 de janeiro que o agente da PJ não fez mais contato comigo e estamos sem notícias. Isso tem que ser mais transparente”, finaliza.
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