Um guia das vagas e dos novos cursos no ensino superior

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Caro leitor, cara leitora

Apesar da redução do número de jovens que se candidataram ao ensino superior no ano passado, e do grande debate que isso gerou, politécnicos e universidades públicas aumentaram a sua oferta. A lista das vagas disponíveis no próximo concurso, em Julho, foi divulgada na segunda-feira

Há 1179 licenciaturas e mestrados integrados disponíveis, com 56.790 lugares para quem concorrer pelo regime geral de acesso. A que se somam 21.493 através dos regimes e concursos especiais, num total de 78.283 lugares. São mais 1465, ou 2%, do que no ano passado. Pode consultar aqui a nossa página especial e pesquisar por si.

Junta-se a oferta do sector privado, que cresce 5% (quase 30 mil vagas), e que também pode consultar, curso a curso, nesta página.

Nas instituições onde a redução de jovens mais se faz sentir, aposta-se hoje em novos públicos: nos adultos com mais de 23 anos que se querem diplomar; nos que já têm um diploma de especialização tecnológica não superior e pretendem licenciar-se; e nos estudantes internacionais. Há instituições que aumentaram mais de 60% a sua oferta neste tipo de concursos especiais.

Volta e meia questiona-se se a rede do ensino superior do país (com cerca de 100 instituições) é excessivamente fragmentada; se faz sentido manter cursos com pouca procura ou com índices elevados de desemprego; se temos ou não demasiadas licenciaturas de três anos de banda muito estreita, demasiado especializadas.

Mas o desejo de continuar a aumentar o número de jovens que acedem ao ensino superior, e de tentar diversificar a base social dos que o fazem, acaba por se sobrepor a essa discussão.

Ainda há poucos dias, no diploma do Governo que altera as regras de acesso (uma alteração destinada a inverter a quebra de procura registada no ano passado, reduzindo o número de provas que são exigidas aos candidatos) se recordava que o objectivo estratégico do país é o aumento, até 2030, da percentagem de adultos entre os 25 e os 34 anos com um diploma de ensino superior, para valores superiores a 50%.

“Não obstante o progresso alcançado neste âmbito na última década, com um aumento de 33,2%, em 2015, para 43,2%, em 2024, Portugal ainda se mantém abaixo das médias da União Europeia e da zona euro, que têm um ponto de partida mais elevado e continuam a crescer, sendo, por isso, necessário um esforço maior para convergir para as médias europeias”, acrescentava.

Hoje, nesta newsletter, fazemos o exercício de olhar para algumas das novas formações, que abrirão vagas pela primeira vez em 2026/2027. Em que áreas estão as instituições a apostar?

O cardápio tem saúde, dados e sustentabilidade (palavra recente nas designações das formações superiores). Vejamos exemplos:

1) Há dois novos cursos de Engenharia Aeroespacial (nos cinco que já existiam as médias de acesso estão no topo das mais estratosféricas do país e tendem a esgotar-se logo na 1.ª fase do concurso): um abre na Universidade de Coimbra, outro na Nova de Lisboa, com 40 e 30 vagas respectivamente.

2) Além de Engenharia Aeroespacial, surgem mais engenharias que se juntam à lista das mais de 200 ofertas do país: Engenharia de Sistemas de Computadores, no Politécnico de Lisboa; Engenharia Naval e Oceânica, na Universidade de Coimbra; Engenharia de Dados e Inteligência Artificial, no Politécnico do Cávado e do Ave, por exemplo.

3) Por falar em dados, compreensivelmente, esta área continua a crescer, com diferentes formatos. Estreiam-se os cursos de Análise e Engenharia de Dados, na Universidade Nova; Ciência de Dados, na Universidade de Lisboa; Informática e Economia dos Dados, no Politécnico de Lisboa. Mais de 120 vagas nestas formações.

4) A sustentabilidade está na moda. Nascem as licenciaturas de Gestão Sustentável das Cidades e da Indústria (uma) e de Sistemas Alimentares Sustentáveis (outra), ambas no Politécnico de Leiria; Gastronomia e Sustentabilidade Alimentar, no Politécnico do Cávado e do Ave; Cidades e Comunidades Sustentáveis Inteligentes, na Universidade da Beira Interior. Coimbra e Trás os Montes já tinhas licenciaturas em Cidades Sustentáveis. Mas para se perceber quão recente é a tendência, nos dados disponíveis sobre empregabilidade dos cursos superiores, que são de 2023, não aparece nenhum curso que tenha no nome a palavra “sustentável” ou “sustentáveis”.

5) Nasce um novo mestrado integrado de Medicina, na Escola de Ciências da Vida e do Ambiente da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Tem 40 vagas.

6) A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto abre Ciências da Saúde Pública. A Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa abre Saúde Pública Global (ensino em inglês).

7) Na saúde, destaque ainda para três novas licenciaturas de Fisioterapia (que se somam às dez que já existem e que no ano passado esgotaram a sua capacidade na 1.ª fase). Têm estreia marcada na Escola Superior de Saúde de Santarém, do Politécnico de Santarém; na Escola Superior de Saúde, do Politécnico de Viana do Castelo; e na Escola Superior de Saúde de Viseu, do Politécnico de Viseu.

8) Uma curiosidade: Direito já é dos cursos onde todos os anos mais vagas abrem (no ano passado foram mais de 1200), mas a procura não abranda. Os cursos continuam a ficar preenchidos, na maior parte dos casos, logo na 1.ª fase, sendo o da Nova o que tem a média de ingresso mais alta, quase 18 valores. O Iscte, também em Lisboa, abre um novo em 2026/27, com 26 vagas.

9) Segunda curiosidade: apesar da escassez de professores do ensino básico em algumas regiões, foi criada, para já, apenas uma licenciatura de Educação Básica, em regime pós-laboral, pela Escola Superior de Educação do Politécnico de Setúbal. Tem 20 vagas. Soma-se às 21 licenciaturas que já existiam e que, em geral, reforçaram a sua capacidade. Há, feitas as contas, mais 147 vagas do que no ano passado, num total de 1344, depois de o Governo ter assinado contratos-programa com dez instituições de ensino superior para o reforço da formação inicial de professores, através da majoração do financiamento que lhes é atribuído.

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