O cantor José van Dam, baixo-barítono que protagonizou produções de ópera que marcaram as décadas de 1960-1990, morreu na terça-feira, aos 85 anos, anunciou esta quinta-feira a Chapelle Musicale Reine Elisabeth da Bélgica.
“É com imensa emoção e profunda tristeza que a Chapelle Musicale Reine Elisabeth anuncia a morte do seu mestre emérito em residência, José van Dam, no dia 17 de Fevereiro de 2026. Deixou-nos em paz, rodeado pelos seus entes queridos”, lê-se no comunicado disponível na página de abertura do site da Chapelle Musicale.
“A Bélgica perdeu o seu maior embaixador da ópera, o mundo perdeu uma lenda cujo génio moldou a história da ópera dos séculos XX e XXI, mas nós, da Capela Musical, perdemos sobretudo um mentor, uma figura paterna e uma fonte inesgotável de integridade artística”, afirma a mensagem da instituição belga.
O barítono, que se tinha retirado dos palcos há cerca de 15 anos, somou uma carreira de mais de seis décadas marcada por interpretações como as de Falstaff e Simon Boccanegra, de Giuseppe Verdi, Gouland, de Pelléas et Mélisande, de Debussy, ou Leporello, de Don Giovanni, de Mozart, que também levou ao cinema, na versão dirigida por Joseph Losey. A sua última actuação aconteceu em D. Quixote, de Jules Massenet, na capital belga em 2010.
José van Dam — Joseph van Damme, de nome de registo — nasceu em Bruxelas, em 1940, onde estudou no Real Conservatório, antes de se estrear, aos 20 anos, em Liège, numa produção de O Barbeiro de Sevilha, de Rossini.
Nas décadas seguintes, dominou os cartazes dos teatros líricos a nível mundial, do Théâtre Royal de la Monnaie, na Bélgica, à Metropolitan Opera de Nova Iorque e ao Teatro alla Scala de Milão, do Covent Garden, em Londres, à Ópera de Paris, ao Teatro Real de Madrid e ao Liceo de Barcelona.
No cinema, além de Don Giovanni, protagonizou Le maître de musique, de Gérard Corbiau.
O seu repertório atravessa quase três séculos de produção operática, com obras de diferentes épocas e expressões tão diferentes entre si como Guilherme Tell, de Rossini, Boris Godunov, de Moussorgsky, Wozzeck, de Alban Berg, Parsifal, de Richard Wagner, A Danação de Fausto, de Hector Berlioz, Salomé, de Richard Strauss, La Boheme, de Giacomo Puccini, e São Francisco de Assis, de Olivier Messiaen, que estreou na Ópera de Paris, em 1983, e pela qual foi celebrado no Festival de Salzburgo, em 1992, numa encenação de Peter Sellars.
Ao longo da sua carreira, José van Dam trabalhou com outros cantores que marcaram o seu tempo, como Mirela Freni, Regine Crespin, Gundula Janowitz, Agnes Baltsa e Tereza Berganza, e com maestros como Claudio Abbado, Riccardo Muti, Georg Solti, Seiji Ozawa, Lorin Maazel, Colin Davis, Michel Plasson, Charles Dutoit, Antonio Pappano, Herbert von Karajan, Sylvain Cambreling.
Com Michel Corboz e o Ensemble Vocal e Instrumental de Lausanne fez a Missa em Si Menor e o Magnificat, de Johann Sebastian Bach, e o Requiem de Duruflé, com a Orquestra de Colónia; com Karajan, entre outras gravações, a Missa Solene, de Beethoven.
José van Dam actuou por diversas vezes em Portugal incluindo, pouco antes de abandonar os palcos, a actuação no Carnaval dos Músicos, do Schostakovich-Ensemble, do pianista Filipe Pinto-Ribeiro, e no 17.º Aniversário da Orquestra Metropolitana de Lisboa, em 2009, no Centro Cultural de Belém.
A Chapelle Musicale Reine Elisabeth recorda esta quinta-feira que a carreira de José van Dam “reflectiu uma rara aliança entre a perfeição vocal e a absoluta fidelidade intelectual à partitura”. E conclui: “Personificando o seu monumental São Francisco de Assis ou apresentando as suas inesquecíveis interpretações de Dom Quixote, José van Dam cantou sempre pela verdade da personagem, nunca pelos aplausos”.
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