Em 11 anos, brasileiros contribuíram com 6 bilhões de euros à Previdência de Portugal

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Dados disponibilizados pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) apontam que, ao longo dos últimos 11 anos (entre 2015 e 2025), os trabalhadores brasileiros que vivem em Portugal contribuíram com 6,07 bilhões (mil milhões) de euros para a Previdência Social do país, incluindo a parcela das empresas. Apenas no ano passado, foram despejados 1,47 bilhão de euros nos cofres da Segurança Social. Os brasileiros representam 37,2% do total de estrangeiros que reforçam o caixa do sistema previdenciário português.

Os números, segundo a secretária de Estado da Segurança Social, Filipa Lima, reforçam o peso cada vez mais maior dos trabalhadores estrangeiros nas contribuições à Previdência lusa. Entre 2015 e 2025, o total de brasileiros que injetaram recursos na Segurança Social aumentou nove vezes: eram 45.530 11 anos atrás ante 409.562 em 2025. Quando se olha para os valores aportados pelos trabalhadores, o salto foi ainda maior, de 16,5 vezes: passaram, no mesmo período, de 89,7 milhões de euros para 1,47 bilhão de euros.

A disparada das contribuições dos brasileiros se deu entre 2022 e 2023, quando o Governo permitiu a regularização de imigrantes no país por meio dos títulos de residência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Nesse curto espaço de tempo, os repasses ao sistema previdenciário luso pelos trabalhadores oriundos do Brasil aumentaram de 682,3 milhões de euros para 1,04 bilhão de euros.

Na avaliação da secretária de Estado da Segurança Social, essas informações são importantes para se contrapor à onda de desinformação espalhada pela extrema-direita, de que os imigrantes se alojam em Portugal para receber subsídios do Governo. Segundo ela, todos os números referentes aos trabalhadores estrangeiros no país serão disponibilizados online pela Segurança Social a partir desta sexta-feira, 20 de fevereiro. “É uma forma isenta, transparente, sem discriminação, de contribuir para a literacia sobre o tema”, assinala.

Lucro para o sistema

Os brasileiros, por sinal, receberam, nos 11 últimos anos, 1,5 bilhão em apoios da Segurança Social, quando somados todos os benefícios, entre eles, o auxílio maternidade. Ou seja, nesse período, o sistema previdenciário português teve um “lucro” de 4,5 bilhões de euros com os trabalhadores provenientes do Brasil.

Essa diferença positiva ajudou a pagar parte das aposentadorias de todos aqueles que já se retiraram do mercado de trabalho em Portugal. “O peso relativo dos trabalhadores estrangeiros na Segurança Social, sem dúvidas, ficou maior”, reforça Filipa Lima. Em 2015, os imigrantes em geral respondiam por apenas 3,39% das contribuições ao sistema previdenciário português. No ano passado, essa relação atingiu 13,7%.

Os números disponibilizados pelo Ministério do Trabalho indicam que, dos 409.562 brasileiros que despejaram recursos nos cofres da Segurança Social no ano passado, 48,37% (198.108) eram mulheres e 51,63% (211.454), homens.

A secretária de Estado chama ainda a atenção para o perfil mais jovens dos trabalhadores. Aqueles com idades entre 20 e 39 anos representam 59,89% dos contribuintes. Se a esse grupo forem adicionados os brasileiros com menos de 20 anos, a participação vai a 75,12%. Trata-se de um público que tende a contribuir por um longo período para a Segurança Social, ajudando na sustentabilidade do sistema.

O grosso dos trabalhadores brasileiros está distribuído por oito ramos econômicos: atividades administrativas e dos serviços (81.595), atividades de alojamento e restaurantes (68.322), indústrias de transformação (57.583), construção (51.259), comércio por atacado e varejo (50.768), atividades de saúde humana e ação social (28.726), transporte e armazenagem (23.194) e atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares (16.291).

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