A Hungria ameaçou, neste domingo, bloquear a aprovação do 20.º pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia e travar nova ajuda financeira à Ucrânia enquanto não for retomado o transporte de petróleo russo através do território ucraniano.
A posição foi anunciada através das redes sociais pelo ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, que acusou a Ucrânia de bloquear deliberadamente o trânsito de crude e garantiu que Budapeste impedirá novas decisões favoráveis a Kiev enquanto o fluxo através do oleoduto Druzhba não for restabelecido.
“No Conselho dos Negócios Estrangeiros de amanhã [segunda-feira], a UE pretende adoptar o 20.º pacote de sanções. A Hungria irá bloqueá-lo. Até a Ucrânia retomar o trânsito de petróleo para a Hungria e para Eslováquia através do oleoduto Druzhba, não permitiremos que decisões importantes para Kiev avancem”, afiançou o chefe da diplomacia da Hungria.
At tomorrow’s Foreign Affairs Council, the EU aims to adopt the 20th sanctions package. Hungary will block it. Until Ukraine resumes oil transit to Hungary and Slovakia via the Druzhba pipeline, we will not allow decisions important to Kyiv to move forward.
— Péter Szijjártó (@FM_Szijjarto) February 22, 2026
Kaja Kallas, alta representante para a Política Externa e de Segurança da UE, afirmou na sexta-feira que esperava ser possível aprovar a última proposta de sanções da Comissão Europeia na reunião entre os ministros de Negócios Estrangeiros dos 27, que se realiza na segunda-feira, em Bruxelas.
A proposta da Comissão inclui a introdução de uma proibição total da prestação de serviços marítimos para o petróleo bruto da Rússia.
As entregas de petróleo à Hungria e à Eslováquia estão interrompidas desde 27 de Janeiro, na sequência de ataques russos com drones que, segundo autoridades ucranianas, danificaram infra-estruturas energéticas no Oeste do território ucraniano, incluindo em ligações essenciais do sistema Druzhba.
Budapeste e Bratislava defendem que o fornecimento de petróleo já poderia ter sido restabelecido e têm aumentado a pressão política sobre Kiev, numa altura em que a guerra está prestes a entrar no seu quarto ano.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano rejeitou no sábado os “ultimatos” dos dois países e acusou-os de favorecer os interesses de Moscovo, alertando para riscos acrescidos à segurança energética regional.
Hungria e Eslováquia juntas
A decisão húngara surge após o primeiro-ministro, Viktor Orbán, ter anunciado também a sua oposição ao empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, reforçando uma estratégia que liga directamente o apoio político europeu às condições de abastecimento energético.
A Hungria e a Eslováquia permanecem entre os poucos países da União Europeia que continuam fortemente dependentes de petróleo e gás russos, tendo beneficiado de derrogações comunitárias após o início da guerra.
Segundo a Associated Press, Orbán tem defendido que a substituição rápida dos combustíveis fósseis russos teria grande impacto na economia húngara — posição que já foi contestada por analistas europeus.
A escalada política inclui também o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, que admitiu suspender o fornecimento de electricidade de emergência à Ucrânia caso o fluxo de petróleo não seja retomado.
Além disso, Hungria e Eslováquia anunciaram, nesta semana, a suspensão de exportações de gasóleo para território ucraniano, ampliando a pressão energética sobre Kiev num momento em que os ataques russos continuam a atingir infra-estruturas críticas.
Desde o início da guerra, em Fevereiro de 2022, a maioria dos países europeus reduziu drasticamente as importações energéticas russas, mas Budapeste tem mantido relações energéticas e políticas mais próximas de Moscovo, posicionando-se frequentemente contra iniciativas de sanções ou apoio militar à Ucrânia dentro da União Europeia e da NATO.
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