“Unir o futebol”, tem sido o grande desígnio de Pedro Proença, primeiro como presidente da Liga, depois como candidato a presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), agora como líder federativo há um ano no cargo. O objectivo não mudou, nem o actual estado dessa dessa desejada união – a percepção diária é que os principais agentes do futebol português não estão (nem querem estar) unidos. Será esse o principal desafio para Proença, promover essa união e tentar implementar o seu Plano Estratégico 2024-2036, apresentado nesta terça-feira na Cidade do Futebol, precisamente no dia em que se cumpriu um ano desde que Proença tomou posse como sucessor de Fernando Gomes no cargo.
O plano de Proença engloba três períodos de quatro anos, desde 2024 até 2036, o que indicia que o antigo árbitro aponta para que a sua gestão na FPF tenha a duração estatutariamente permitida, de três mandatos de quatro anos como presidente da direcção. Ao todo são 366 medidas, a maior parte das quais (258) prevista para o primeiro quadriénio, de 2024 a 2028 – o líder da FPF diz que 25 destas medidas já foram feitas. Depois, 75 a serem implementadas entre 2028 e 2032, e 36 entre 2032 e 2036. Um “projecto colectivo […] assente na união como base de um novo paradigma” e um “mapa do caminho que fará de Portugal a Nação do Futebol”, escreve Proença na mensagem que antecede o documento.
Proença reconhece que herdou um trabalho de excelência dos seus antecessores – de Fernando Gomes, que liderou a FPF entre 2011 e 2025, mas também de Gilberto Madaíl, líder federativo entre 1996 e 2011. O presidente da FPF tem algumas metas ambiciosas, como chegar aos 400 mil praticantes federados em 2036 (em 2025, segundo dados da federação, são 250 mil), aumentar o número de praticantes femininas federadas para 60 mil (21 mil em 2025), fazer crescer o número de árbitros para 13 mil (4442 em 2025) e aumentar para 70 milhões (40,2 milhões em 2026) as receitas provenientes de patrocínios, licenciamento e merchandising.
Proença apontou dez áreas de intervenção nos próximos dez anos, entre elas a governação da própria FPF, a arbitragem, disciplina e justiça, futebol feminino, sustentabilidade e competitividade no futebol, selecções nacionais, ou Mundial 2030, do qual Portugal é um dos organizadores, em conjunto com Espanha e Marrocos.
No que diz respeito à arbitragem, o plano de Proença aponta a profissionalização total como o caminho a seguir, falando, inclusive, de uma “revolução” no sector. A FPF fala de uma “escassez de árbitros” e uma “sobrecarga” dos que estão em actividade e que isso “compromete a qualidade das decisões em campo”. Entre as medidas previstas neste plano estão a criação de um Plano Nacional de Arbitragem e a criação de uma Entidade Externa Profissional independente. Para aumentar o número de árbitros, acrescenta o plano, haverá um esforço no “reforço da segurança física dos árbitros” e uma “reformulação dos quadros de arbitragem”.
Para a reforma da disciplina e da justiça, tem como objectivo, até 2036, reduzir para metade o tempo médio de decisão dos processos. Central nesta proposta, acrescenta Proença, haverá uma revisão do papel do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), organismo criado em 2015.
Na área da sustentabilidade e competitividade do desporto, haverá, até 2028, uma proposta de reformulação dos quadros competitivos – a FPF é a entidade responsável pela organização de todas as competições com a excepção dos dois campeonatos de futebol masculino. Neste item, haverá uma intenção de acabar com as meias-finais da Taça de Portugal a duas mãos, uma entrada mais tardia das equipas profissionais nesta competição, e um alargamento da Supertaça a mais equipas. Na componente da sustentabilidade, Proença deseja um diálogo com o poder político para reduzir os chamados “custos de contexto” – redução do IVA na bilhética e da reforma da Lei dos Seguros.
No futebol feminino, para além do aumento substancial de praticantes, Proença define como objectivo a profissionalização de todas as equipas do principal campeonato – das actuais quatro para dez até 2032.
O Mundial de 2030 é uma das heranças da anterior direcção – a organização do torneio foi atribuída em Dezembro de 2024, depois de uma declaração de intenções anunciada em Outubro de 2020, na altura apenas pelas duas nações ibéricas. Portugal terá apenas duas cidades (e três estádios) envolvidos no Mundial do centenário, mas Proença entende que esta será uma oportunidade para provar “a capacidade organizativa portuguesa”.
A nível das selecções, a FPF espera que o futebol português continue a ser conquistador e tem como meta a conquista de um grande torneio internacional de selecções seniores até 2036.
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