Pentágono faz ultimato à Anthropic sobre sistemas de IA para fins militares — a empresa diz que não vai ceder

0
2

A empresa de inteligência artificial Anthropic não tem intenção de suavizar as suas restrições de utilização para fins militares, disse uma pessoa familiarizada com o assunto na terça-feira, depois de o Departamento da Guerra norte-americano ter ameaçado adoptar “medidas drásticas” caso a Anthropic não cedesse.

Na terça-feira, o director executivo da Anthropic, Dario Amodei, esteve reunido com o secretário de Estado da Defesa, Pete Hegseth, num encontro que supostamente servia para pôr fim a uma disputa de vários meses. A empresa, que é actualmente a única do ramo da inteligência artificial a trabalhar com sistemas militares classificados, tem-se recusado a abdicar de medidas que impedem que a sua tecnologia seja usada para atingir alvos de forma autónoma e fazer operações de vigilância doméstica.

Durante a reunião, Hegseth fez um ultimato à Anthropic: ou alinhava nas pretensões da Administração ou o Governo tomaria medidas drásticas, disseram pessoas familiarizadas com o assunto. As opções passavam por rotular a Anthropic como um risco para a cadeia de abastecimento ou fazer com que o Pentágono invocasse uma lei que obrigaria a Anthropic a alterar as suas regras.

O governo deu à Anthropic um prazo até às 17 horas de sexta-feira para responder, de acordo com um alto funcionário do Pentágono com conhecimento do assunto.

O Pentágono não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Um porta-voz do Anthropic disse que a reunião de terça-feira “deu continuidade às conversações de boa-fé sobre a nossa política de utilização para garantir que a Anthropic pode continuar a apoiar a missão de segurança nacional do governo em conformidade com o que os nossos modelos podem fazer de forma fiável e responsável”.

O Pentágono tem vindo a negociar contratos de IA com vários fornecedores de modelos de linguagem de grande dimensão, ou LLM, incluindo a Google, xAI e OpenAI da Alphabet, que deverão moldar o futuro da utilização militar da inteligência artificial para aplicações no campo de batalha, abrangendo enxames de drones autónomos, robôs e ciberataques.

Até há pouco tempo, a Anthropic era o único fornecedor de LLM nas redes classificadas. Esta semana, o Pentágono anunciou que tinha chegado a um acordo com a xAI para a sua implantação em redes classificadas. A Reuters já tinha noticiado anteriormente que o Pentágono planeia transferir todas as empresas de IA para redes classificadas.

A disputa do Pentágono com a Anthropic atingiu o auge no início deste mês, quando manifestou desconforto com o facto de a empresa ter feito perguntas sobre a forma como os seus produtos de IA foram utilizados durante o ataque militar na Venezuela que capturou o Presidente Nicolas Maduro.

Durante a reunião com Hegseth, Amodei disse que as salvaguardas actualmente em vigor não constituiriam um problema para as operações actuais do Departamento de Defesa.

Hegseth disse que o Pentágono invocaria a Lei de Produção de Defesa para obrigar a Anthropic a cumprir as suas exigências ou consideraria a empresa um risco para a cadeia de abastecimento, uma determinação normalmente imposta a empresas de adversários estrangeiros.

Esta situação poderá afectar os negócios da Anthropic com outras empresas que têm relações comerciais com o governo dos EUA.

Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com