Frito ou grelhado, em caldeirada ou ensopado, no tacho, na cataplana, com migas, arrozes e açordas a compor o prato. Por norma, estamos na época alta para a degustação dos peixes vindos do rio e dos festivais gastronómicos que prestam honras a espécies como a truta, a lampreia, a enguia ou o sável, apresentadas das mais variadas formas.
A tradição mantém-se mas, nesta temporada, traz águas agitadas no bico. Com as safras dificultadas pelas tempestades que varreram o território e os efeitos da devastação a fazerem-se sentir, do rio aos estabelecimentos que costumam servir o manifesto, o festim deste ano vem com algumas condicionantes e ajustes ao cardápio — passeios pelo património, workshops e demonstrações culinárias são alguns dos exemplos de actividades paralelas que costumam servir de acompanhamento à degustação e que, entre prejuízos e prioridades, podem ter de ficar para segundo plano (é dizer, uma próxima oportunidade).
Por agora, focamo-nos em manter o espírito de promoção dos produtos endógenos e seguir a rota que aí vem nos domínios do peixe do rio. Comezainas à parte, é sempre uma boa forma de apoiar as comunidades.
Lampreia do Rio Minho
Caminha, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Valença e Vila Nova de Cerveira. Os seis municípios do Vale do Minho tornam a fazer a serventia da casa com a lampreia. É certo que o particular sabor destes ciclóstomos não cativa todas as bocas, mas aqui há variedade para (quase) todos os gostos, seja de acordo com o receituário tradicional, em arroz ou à bordalesa, seja em propostas temperadas com a modernidade, em sushi, folhados ou pizas. O preceito vale da confecção à apresentação do prato e pode ser (com)provado durante quatro meses, de 15 de Janeiro a 5 de Abril, sempre ao fim-de-semana e nos 76 restaurantes que responderam à chamada nesta 17.ª edição (é aconselhada a reserva prévia). Uma iniciativa promovida pela Adriminho – Associação de Desenvolvimento Rural Integrado do Vale do Minho, em parceria com a Confraria da Lampreia do Rio Minho.
DR
Lampreia do Rio Cávado
Para os lados de Barcelos, a ideia é saborear os Sete Prazeres da Gastronomia barcelense ao longo do ano, a começar pela Lampreia do Rio Cávado. Marcado para este fim-de-semana (de 27 de Fevereiro a 1 de Março), em dezena e meia de restaurantes, é o primeiro momento do programa do município que põe as fichas todas na valorização das tradições gastronómicas e vínicas locais, complementando a oferta com artesanato, percursos pedestres, rotas temáticas e animação de rua. Galo, rojões e papas de sarrabulho (20 a 29 de Março), bacalhau (15 a 17 de Maio), petiscos (10 a 12 de Julho), galo assado (9 a 11 de Outubro), arroz pica no chão (13 a 15 de Novembro) e doçaria (5 de Dezembro) são os prazeres que se seguem.
Mês da Enguia
Em Salvaterra de Magos, manda a moral e os bons costumes que se celebre Março como o Mês da Enguia. Numa ementa onde a tradição é o maior tempero, a 30.ª edição da iniciativa vem com notas agridoces e formato reformulado, ainda a detalhar pela autarquia, por causa dos estragos provocados pela intempérie (que obrigaram também ao cancelamento da emblemática Feira de Magos, reservada no calendário para meados de Maio). Certos, para já, são os encontros com os saberes e sabores à moda ribatejana.
No que toca a eirós, vale a pena deixar uma menção honrosa ao Festival da Enguia da Lagoa de Santo André, em Santiago do Cacém, que com uma década de serviço já é paragem obrigatória no mapa dos comensais à conta do selo de produto único e de excelência, pescado numa área de reserva natural. Tendo o repasto encerrado a 8 de Fevereiro, fica a nota para memória (e degustação) futura.
DR
Março, Mês do Sável
Enquadrada pelo rio Tejo, com o património ribatejano e a tradição varina e avieira às costas, Vila Franca de Xira dedica o terceiro mês do ano ao sável. A versão do peixe frito em postas finas acompanhado com açorda de ovas é o prato-bandeira da campanha gastronómica, mas há outros sabores ribeirinhos à mesa nos 31 restaurantes que participam nesta edição do certame. A harmonizar a carta vem o vinho municipal Encostas de Xira e também demonstrações culinárias com chefs, animação cultural e descontos em alojamento e actividades de lazer nos parceiros associados. A ementa começa a desfiar-se a 27 de Fevereiro, na BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market, em jeito de aperitivo, passando ainda pelo Auchan de Alverca do Ribatejo e pelo Mercado de Vialonga (dia 28), e pelo Continente Modelo de Vila Franca de Xira (dia 7 de Março).
Festival do Peixe do Rio
Auto-apresentada como a Capital das Cozinhas do Rio, a vila do Alandroal (Évora) põe em marcha um festival apontado aos “amantes dos sabores do rio e apreciadores da cultura local”. Barbo, sável, carpa e lucioperca são quatro dos ilustres na montra, à prova entre 6 e 15 de Março. A animação não fica pelo prato: um Trail Xperience e um passeio de BTT, ambos no dia 8 de Março (às 9h), respectivamente com 16 e 35 quilómetros, são duas das propostas alinhavadas pela organização para encorpar a experiência.
Festival do Lagostim e Peixe do Rio
Em Ferreira do Zêzere, Terra de Sentidos, a ideia é “Se não podemos vencê-los… Vamos comê-los”. O repto foi lançado em 2008, por causa da abundância do lagostim-vermelho na albufeira de Castelo do Bode e o que se seguiu é uma lição de como transformar uma praga num festim para o paladar. Nesta edição do festival, marcada para os dias 6 a 29 de Março, ficam de fora os showcookings, os workshops de pesca, os passeios pedestres e as caminhadas pelas margens da ribeira da Cabrieira. Num concelho fustigado pela tempestade Kristin, o objectivo é concentrar a atenção na gastronomia, nos produtos endógenos e no apoio ao comércio local e aos 12 estabelecimentos aderentes, num claro manifesto pelos valores da resiliência, da união e da solidariedade.
Festa da Truta do Rio Beça
A 21 e 22 de Março, a povoação de Canedo, em Ribeira de Pena (Vila Real), dá corda (e linha) à décima Festa da Truta do Rio Beça. Gastronomia, artesanato e natureza são os três eixos do encontro que se enquadra nas festividades em honra de São José e se artilha com degustações, animação musical, chegas de bois, caminhadas e a tradicional pescaria com almoço-convívio.
Mais peixes na rede e carne a acompanhar
Terra de herança piscatória, Vila Nova da Barquinha é presença habitual nestes roteiros de sabores ribeirinhos. Com o Nabão, o Zêzere e o Tejo a fornecer a matéria-prima, não é difícil encontrar à mesa acepipes como o sável frito com açorda de ovas, as enguias fritas com migas, o arroz de lampreia, o torricado de carpa, a fataça na telha, o risoto de lagostins do rio ou o lúcio com molho de caril. Mais ainda se a visita coincidir com iniciativas gastronómicas como o Mês do Sável e da Lampreia (algures entre Fevereiro e Março) ou a Mostra de Peixe do Rio (Maio e Junho).
Também sem datas conhecidas para 2026 está o Festival do Sável e da Lampreia promovido pelo município de Gondomar, um ritual com mais de três décadas que costuma acertar o paladar ao mês de Março.
Para quem gosta de casar vontades, Sever do Vouga tem uma boa sugestão, que cruza “a herança da faina do Rio Vouga com a tradição dos assados em forno a lenha”. O resultado está à prova na Rota Gastronómica Lampreia, Vitela e Cabrito, na mesa de 13 restaurantes locais entre 7 e 15 de Março.
CM Vila Nova da Barquinha
Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com









