EUA em risco de perderem liderança na IA por falta de energia eléctrica

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Os Estados Unidos estão a enfrentar um dos maiores desafios na corrida pela supremacia inteligência artificial (IA), à medida que as infra-estruturas eléctricas lutam para suportar o consumo de energia dos grandes centros de dados. O treino e a implantação de modelos de IA acontecem principalmente nessas instalações, que abrigam servidores, sistemas de armazenamento e outros equipamentos.

O consumo global de electricidade destas infra-estruturas deverá duplicar até 2030, o que representa cerca de 3% do consumo total de energia, estimou a Agência Internacional de Energia (AIE) num relatório publicado em Abril de 2025. A China e os EUA lideram este crescimento, representando quase 80% do aumento global.

Enquanto a China investiu fortemente na produção de electricidade — instalando cerca de 1.500 gigawatts (GW) de nova capacidade eléctrica desde 2021, elevando o total para 3.891 GW —, os EUA mantêm a sua capacidade praticamente estagnada em cerca de 1.373 GW. Além disso, segundo a Bloomberg, a China deverá adicionar mais 3,4 terawatts (3.400 GW) de capacidade de produção eléctrica nos próximos cinco anos — cerca de seis vezes mais do que os Estados Unidos.

O sector tecnológico norte-americano está preocupado. Jensen Huang, CEO da Nvidia, disse ao Financial Times, no ano passado, que a China pode “vencer a corrida da IA” devido aos baixos custos energéticos e a regulações mais flexíveis. Elon Musk afirmou que “com base nas tendências actuais, a China ultrapassará largamente o resto do mundo em capacidade de computação de IA”, porque terá três vezes a produção eléctrica dos EUA até finais de 2026.

Também a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, se pronunciou sobre o tema em Outubro do ano passado. Em comunicado, declarou que, apesar de “os EUA lideram o mundo no desenvolvimento da IA, manter essa vantagem exige muito mais electricidade do que os EUA conseguem fornecer actualmente”.

Descontentamento dos consumidores e reacção do Governo dos EUA

Um centro de dados consome, em média, tanta electricidade como 100 mil casas, mas algumas instalações que estão actualmente em construção exigirão 20 vezes mais energia. O aumento das tarifas de electricidade tornou-se um tema sensível para a população norte-americana. Nos últimos seis anos, os preços médios ao consumidor cresceram mais rápido que a inflação em dezenas de estados.

Numa referência à frustração dos eleitores com o aumento dos preços da electricidade, durante o seu longo discurso do Estado da União na quarta-feira, Donald Trump afirmou que as grandes empresas de tecnologia devem assumir a responsabilidade pelo fornecimento de energia dos seus centros de dados, para que os consumidores não sofram aumentos nos preços. Ele chamou à iniciativa um “compromisso de protecção aos consumidores de energia.” Segundo o The New York Times, na próxima semana, os executivos das tecnológicas irão reunir-se na Casa Branca com Trump para assinar formalmente o compromisso.

Nas últimas semanas, tanto a Microsoft como a Anthropic se comprometeram publicamente a pagar tarifas de electricidade mais altas para cobrir esses custos. Muitas empresas de tecnologia estão também a construir as suas próprias centrais eléctricas, maioritariamente a gás natural, como é o caso da Meta num centro de dados em El Paso, no Texas.

“Queremos, absolutamente, pagar a nossa parte justa de todos os custos associados ao nosso fornecimento”, afirmou Briana Kobor, responsável pela inovação no mercado de energia na Google, numa recente reunião com reguladores de serviços públicos em Washington.

No entanto, a pressão no sector já se sente. O maior mercado de energia dos Estados Unidos — a PJM Interconnection —, que serve 67 milhões de pessoas e abrange 13 estados norte-americanos, alertou no início deste mês para potenciais défices de fornecimento de electricidade de até 60 GW nas próximas décadas, devido ao crescimento acelerado da procura proveniente dos centros de dados, informou a Reuters. A empresa avisou também que a rede eléctrica dos EUA poderá não dispor de capacidade e reservas suficientes até 2027, aumentando o risco de apagões.

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