A prevenção da violência deve constituir-se como uma prioridade desde os primeiros anos de vida das crianças. A base deste processo reside no estabelecimento de um vínculo afetivo seguro entre pais e filhos e na adoção de métodos educativos construtivos, que reforcem os factores de proteção e reduzam os factores de risco.
A abordagem deste fenómeno complexo exige o compromisso articulado da família, da escola e da comunidade. Sabemos que é dentro destas esferas que as crianças e os jovens aprendem os valores morais e sociais relativamente a diferentes dimensões da vida, incluindo a forma como se posicionam nos relacionamentos, sejam eles fraternos, de amizade ou de intimidade. Assim, investir na prevenção da violência nestes contextos, através de uma reflexão crítica sobre as crenças, as atitudes e os comportamentos que não se coadunam com uma educação consciente, informada e orientada, constitui-se um factor de proteção essencial.
Sabemos que as figuras significativas das crianças e jovens se constituem como modelos, portanto, quanto mais ativo for o envolvimento destas pessoas, mais consistentes, generalizáveis e duradouras serão as aprendizagens e as competências adquiridas. Neste sentido, os adultos são convidados a aprofundar os conhecimentos sobre a criação de ambientes seguros, assumindo-se como agentes centrais na construção de uma cultura de não violência. Importa ajustar as práticas educativas de modo a fomentar valores e vínculos equilibrados junto dos educandos e incluir a sensibilização para as diferentes formas de violência — física, psicológica, social, verbal, entre outras — e o reforço de que todas podem ter um impacto grave na vida das vítimas.
O diálogo deve ser utilizado como ferramenta para fortalecer a proximidade, enquanto o respeito, a consideração pelos sentimentos dos outros, a resolução não violenta de conflitos e a igualdade de género devem ser promovidos como valores estruturantes para uma convivência saudável e segura.
Os esforços de proteção das crianças face a exposição à violência no contexto familiar revelam-se igualmente essenciais, na medida em que a vivência destas situações pode comprometer o desenvolvimento, com consequências emocionais negativas, tanto a curto como a longo prazo. A título de exemplo, este tipo de experiência pode afetar a aprendizagem, a aquisição da linguagem e o funcionamento cognitivo da criança e do jovem, bem como dificultar o desenvolvimento de competências sociais e emocionais.
Destacam-se algumas estratégias práticas, a aplicar tanto pela família como pela escola, que potenciam trajetórias desenvolvimentais equilibradas.
- Fortaleça a relação: reserve tempo de qualidade para brincar/estar com o seu filho e consolidar laços de confiança.
- Mantenha uma comunicação assertiva e afetiva: pratique a escuta ativa para que a criança se sinta segura ao expressar-se.
- Reforce os fatores de proteção: ensine a criança a resolver conflitos e problemas de forma assertiva e não violenta, incentive a negociação e a procura de soluções onde haja equilíbrio para os envolvidos. Por exemplo: dividir o tempo de uso de um brinquedo.
- Desconstrua crenças e mitos sobre a violência interpessoal e explique o que é uma relação abusiva.
- Ensine o seu filho a compreender e a respeitar os direitos de todas as pessoas, independentemente do género, da raça ou de alguma deficiência.
- Desenvolva a literacia emocional: ensine a criança a expressar-se, a nomear a frustração e a utilizar estratégias de autorregulação, como o termómetro das emoções e a respiração consciente.
- Estabeleça regras e limites adequados. A sua ausência gera insegurança e o excesso de autoritarismo causa revolta.
- Tenha zero tolerância relativamente a quaisquer formas de violência e discriminação e seja um modelo.
- Desenvolva a empatia: incentive a sensibilidade aos sentimentos alheios, ajudando a criança ou o jovem a colocar-se no lugar do outro e a compreender o impacto das suas ações.
- Supervisione ativamente, sem sufocar a criança: esteja presente nas rotinas sociais da criança, ensinando-a a identificar e a afastar-se de ambientes ou figuras conflituosas.
- Conheça o mundo digital e acompanhe os conteúdos consumidos online pelo seu filho, mantendo um diálogo aberto sobre os perigos do cyberbullying e restringindo o acesso a jogos ou plataformas de cariz violento.
- Envolva-se de forma equilibrada com a escola: mantenha um um canal de comunicação constante com os professores para identificar precocemente sinais de alterações de comportamento ou dificuldades na socialização.
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