Mesmo com apoios, muitos jovens não conseguem morar sozinhos. “Está difícil esse sonho de ter casa”

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Quando era pequena e pensava no futuro, Rita Vasconcelos imaginava uma adulta com a própria casa, por onde correriam os seus filhos. Agora, com 28 anos, reconhece que está cada vez mais longe de alcançar esse sonho: vive na casa arrendada dos pais, onde divide o quarto com a irmã, e não consegue sequer contemplar a ideia de comprar ou arrendar casa em Lisboa por causa dos preços astronómicos, mesmo com os apoios do Governo. “Apesar de me dar bem com a minha família, é uma casa de 50 metros quadrados, que é muito pequena para quatro adultos”, conta ao P3. “Nem sempre é fácil.”

A dificuldade em encontrar casa foi um dos motivos que levaram a jovem que trabalha em publicidade a emigrar há uns anos: sente que teve de sair do país para conseguir viver sozinha. Viveu em Londres e em Madrid, onde conseguia pagar a renda “confortavelmente” e ainda poupar algum dinheiro. “Em ambas as cidades sentia que podia sonhar e que tinha opções em cima da mesa. Aqui, nem chego a esse ponto, as pernas são-me logo cortadas”, desabafa Rita. A vontade de estar perto da família foi mais forte e, há seis meses, decidiu voltar para Portugal, mas o preço dos quartos e das casas empurraram-na de novo para casa dos pais. “Vemo-nos obrigados a ter a mesma vida que tínhamos aos 18 anos. Passaram dez anos e nada mudou”, lamenta.

Rita não é caso único. Apesar dos apoios do Governo à habitação para jovens com menos de 35 anos — como a garantia pública, a isenção de IMT ou apoios à renda como a Porta 65 —, muitos não conseguem dar o passo de sair de casa dos pais ou de quartos arrendados em casas divididas com outras pessoas. A razão não é cultural: os preços são demasiado elevados, incompatíveis com os rendimentos. Os especialistas ouvidos pelo PÚBLICO indicam que estas medidas podem beneficiar alguns jovens, sobretudo aqueles com mais possibilidades ou que já estavam próximos de conseguir ter casa, mas que são insuficientes no meio desta crise da habitação.

“Apesar de terem um bom fundamento e uma intenção legítima, medidas centradas na procura, como isenções fiscais ou facilitação do crédito, são insuficientes quando o principal problema é a escassez de oferta habitacional”, explica o investigador Luís Clemente-Casinhas, que estuda este tema e é um dos autores do estudo Isenção ou ilusão?, que mostra que a poupança conseguida com estas medidas foi anulada pela subida do preço das casas. “Estas medidas não criam casas novas”, observa. Levam, sim, a um aumento da procura, que tende a traduzir-se num súbito aumento de preços, o que pode dar também origem a “comportamentos especulativos”. O resultado pode ser ineficaz e até contraproducente: “Uma parte significativa do benefício fiscal acaba por ser incorporada nos preços, reduzindo ou mesmo anulando o ganho efectivo para os jovens que se pretendia apoiar.” Neste cenário, o aumento dos preços dificulta também o acesso à habitação das restantes pessoas.

Rui Costa tem 35 anos e mora com os pais porque não consegue pagar uma casa sozinho em Vila do Conde
Paulo Pimenta

“As isenções fiscais tendem a beneficiar sobretudo os jovens com rendimentos mais elevados e maior estabilidade laboral, que já estavam relativamente próximos de conseguir comprar casa”, refere o professor universitário do Iscte, notando como isto pode levar a um agravamento das desigualdades dentro da própria geração.

O sociólogo Renato Miguel do Carmo concorda: “Para os jovens que estão numa situação mais precária e com salários mais baixos, estas políticas não terão grande eficácia.” Podem até privilegiar “jovens que já estejam numa situação mais favorecida, com um background familiar mais favorecido, com salários mais altos e situação mais regular e que têm o privilégio de ter mais poder de compra”.

A investigadora Romana Xerez, do ISCSP, acredita que estas medidas são muito relevantes e que ter foco nos jovens é extremamente importante, ainda que também reconheça que algumas delas facilitem quem já tem mais possibilidades. De qualquer forma, indica que a habitação já não é só um problema das classes mais baixas e acontece também nas classes média e alta: Os jovens não conseguem pertencer à mesma classe social dos pais ou até dos avós. “É uma crise grave que vai ficar ainda mais grave, não tenhamos dúvidas.”

O adiar da independência

Quando teve de voltar a morar com a mãe, Bianca Milanez, de 29 anos, sentiu-se “frustrada”. Sobretudo porque já tinha sentido o gostinhode morar sozinha durante dois anos, na zona da Mouraria, em Lisboa: tinha o próprio espaço, ia ao supermercado, pagava renda e as contas. Ter de voltar a morar com a família pareceu-lhe um passo atrás. Havia muito aquele sentimento de que falhei na vida, conta.

Os proprietários da casa que arrendava na Mouraria decidiram vender o apartamento em 2022 e Bianca ainda tentou procurar casa. Só que a maior parte não lhe dava resposta positiva ou pediam vários meses de renda de uma só vez. Como é freelancer de desenho na área da BD e de jogos, é mais difícil porque não tem um salário certo todos os meses. “É uma desvantagem” para conseguir casa, diz. Além da dificuldade por causa dos preços e por ter duas cadelas, também sentia discriminação por ser brasileira. Acabou por desistir.

A solução foi voltar a morar com a mãe e com a irmã, que tem 26 anos – dão-se todas bem, mas Bianca reconhece que há sempre alguns atritos por sentirem que ainda existe uma “familiaridade de adolescente”. Dividem a renda do T3 de quase 1700 euros, que considera um “achado”. Mantém a vontade de morar sozinha, mas, por agora, não pondera comprar casa (mesmo com os apoios do Governo) porque o vê “100% como impossível” — o que a deixa a sentir-se “decepcionada e frustrada”. “Está difícil esse sonho de ter casa.”

É comum a crise da habitação gerar estes sentimentos de desamparo em quem não consegue sair de casa dos pais e ganhar autonomia. O psicólogo Daniel Teixeira Coelho considera que este tipo de situações pode levar a um “adiamento” das etapas de desenvolvimento expectáveis num adulto: sair de casa dos pais, ter um salário para pagar as próprias contas, ter relacionamentos e, se o desejarem, constituir família.

A incapacidade de ter casa própria pode gerar uma percepção de falta de independência e autonomia, o que faz com que, a nível social, possa haver sentimentos de ansiedade, injustiça, “vergonha, fracasso e impotência”, que afectam a auto-estima e motivação destes jovens e levam a uma “fadiga emocional”. Há ainda casos em que estes jovens sentem “revolta, raiva e um aumento da conflitualidade”, incluindo a familiar ou contra o Governo, explica o vice-presidente da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Estes impactos tendem a ser maiores se se tratar de uma situação prolongada, afirma Daniel Teixeira Coelho. É como se “todo o planeamento de vida ficasse comprometido”.

“As pessoas têm esta sensação de que não estão a progredir e, em jovens, isto torna-se particularmente dramático, porque é uma idade em que não é suposto estar com este tipo de sentimentos”, refere o sociólogo Renato Miguel do Carmo, professor no Iscte e director do Observatório das Desigualdades. “Isto está a criar muita frustração e não estou a ver o mundo da política a perceber como é que devem lidar com isto e responder com medidas estruturais que invertam estas situações.”

Além disso, as gerações mais novas têm vivido um comboio de crises. “Estamos perante gerações mais jovens que estão, quase desde que nasceram, a viver de crise em crise”, refere o sociólogo. “As gerações que têm agora 20 e tais anos, e por aí em diante, basicamente nasceram pouco antes da crise financeira e têm vivido com esta percepção constante de que se está a viver em crise.” As crises financeiras e da habitação, as guerras, a crise climática, a pandemia. São “crises profundas.”

O psicólogo Daniel Teixeira Coelho refere que tudo isto se enquadra num fenómeno maior de ansiedade financeira, um receio de não ter recursos suficientes para manter o nível de vida, poupar ou pagar dívidas. E pode haver outras situações relacionadas com habitação que geram stress adicional, como os casos de sobrelotação ou de casais que se separam mas que têm de continuar a viver juntos por não conseguirem encontrar casas separadas a preços acessíveis.

“Sinto que a minha geração está parada no tempo”, desabafa Melodie Maia, de 30 anos. A jovem de Viana do Castelo está há nove anos em Lisboa e, depois de se ter separado do companheiro com quem dividia a casa, teve de voltar para um quarto arrendado numa casa partilhada, em Odivelas. “A privacidade não é a mesma, estou confinada ao meu quarto”, diz, até porque a casa não tem sala. Apesar de morar com pessoas que lhe eram desconhecidas, o ambiente é tranquilo e vive perto do trabalho, numa fábrica de sobremesas. E considera-se “sortuda” por pagar cerca de 370 euros já com as despesas incluídas. “Arrendar uma casa sozinha é impensável”, admite, ainda que desejasse uma casa só para si, por mais pequena que fosse. “Ganho mais do que o salário mínimo, mas ainda assim não é suficiente.”

“Para pagar um apartamento sozinha… pagava a renda, pagava as contas e o resto do mês passava fome. Infelizmente a realidade é mesmo essa”, afirma Melodie Maia, que mora em Lisboa há nove anos
Nuno Ferreira Santos

Quem não consegue ter casa própria pode cair numa espiral de comparação constante: tanto com pessoas da mesma geração que tenham conseguido alcançar estas metas como até com as gerações anteriores que conseguiram comprar casa sem tantos entraves.

Há algumas décadas, a habitação foi um “pilar fundamental” na melhoria das condições de vida: o acesso à habitação própria em Portugal cresceu muito a partir dos finais dos anos 1970 até início dos anos 2000, explica a investigadora do ISCSP Romana Xerez, que foi coordenadora do projecto Housing4Z. “Recentemente — e isto são já efeitos pós-crise de 2008 e 2012 e com as crises recentes —​, o que verificamos é que há claramente uma crise da habitação como problema internacional”, refere. Nos países do Sul da Europa, incluindo Portugal, o caso é mais grave e há “números muito elevados de jovens a viverem em casa dos pais”.

Os dados do Eurostat mostram que, em 2024, 62% dos jovens com idades entre os 18 e os 34 anos ainda vivem com os pais ou contribuem para o rendimento da casa. A média da União Europeia é de 49%. Já a idade média com que os jovens portugueses saem de casa dos pais ronda os 29 anos.

Esta permanência em casa dos pais não acontece por razões culturais, assegura Romana Xerez, mas sim pela falta de casas a preços acessíveis, pela impossibilidade financeira, pela precariedade e baixos salários. Tudo isto leva a “grandes desigualdades” em relação às gerações anteriores — a chamada “desigualdade intergeracional da habitação” —, “que está a afectar profundamente as novas gerações”.

Em muitos casos, o salário não é suficiente para pagar uma renda ou uma prestação ao banco. “Naturalmente, o salário não chega e não é só o não chegar: é a sobrecarga das despesas de habitação, que é ter 40% ou mais do nosso rendimento para pagar despesas de habitação”, que incluem a água, o gás, a electricidade… Em Portugal, este rácio de rendimento e preço da habitação “é dos mais elevados em termos mundiais”, indica Romana Xerez, que também é investigadora no CAP – Centro de Administração em Políticas Públicas. E os jovens são dos mais afectados por esta questão, até porque tendem a ganhar menos.

Rui Costa tem 35 anos — faz 36 já este ano — e sente precisamente isso: se estivesse a viver sozinho, daria mais de 60% do seu ordenado só para a renda, sem contar com outras despesas. “Torna-se completamente incomportável”, reconhece o gestor de armazém numa empresa de materiais de bricolage em Vila do Conde. “Nestes últimos dois anos, apesar de ter conseguido aumentar o meu salário, está impossível.” Há cinco anos era mais fácil arrendar casa, diz, mas desde essa altura tem notado uma “espiral de subida de preços e de inflação”. “Se neste momento me aparecesse algo por volta de 500 euros [de renda], eu fazia o sacrifício que ainda era aceitável fazer. Qualquer coisa acima disso é meter a corda ao pescoço”, afirma.

O gestor de armazém chegou a viver com amigos em Barcelos, mas pouco antes da pandemia ficou sem emprego e deixou de conseguir pagar a renda. Foi nessa altura que regressou para casa dos pais, onde vive até agora. Por vezes, ouve alguns comentários em casa por não ter o seu próprio espaço. “Claro que é desconfortável”, reconhece. Ainda tentou arrendar um quarto, “mas as opções também não são nada animadoras”. Com toda esta situação, sente-se “revoltado”.

E sente que não deverá conseguir aproveitar os apoios à habitação: “Estou mesmo no limite de idade para poder usar qualquer ajuda do Governo”, diz, em conversa com o P3. “Estou numa idade em que não sou jovem nem sou velho.”

Ainda assim, Rui Costa tem uma segurança e acredita que conseguirá ter casa daqui a uns anos: os seus pais têm um apartamento que está agora arrendado “a um casal já de idade, com uma renda acessível”, conta. Por enquanto, continuará a morar em casa dos pais. “Não vamos tirar as pessoas que estão lá.”

Sem casa, sem filhos

As dificuldades em conseguir casa também têm implicações nos relacionamentos e na possibilidade de ter filhos. A crise da habitação “tem um peso muito grande na constituição da família”, refere Romana Xerez. “Os jovens eventualmente não pensam em ter filhos porque não têm condições para ter filhos.”

É o caso de Rita Vasconcelos. “Um dos meus maiores sonhos sempre foi ser mãe e vejo essa possibilidade cada vez mais longe. Enquanto a questão da habitação não estiver assegurada, nem sequer é algo que possa considerar”, diz. A única forma que encontra de o conseguir é fora do país. “Por mais triste que isto me pareça, porque este sonho de família seria também perto da minha família e não vai ser possível.”

Esta insegurança em relação à habitação é uma preocupação constante na sua vida. Como os pais vivem numa casa arrendada em Lisboa e os avós numa casa arrendada no Alentejo, Rita sente que tem “bases pouco sólidas”. “Não temos aquela segurança de quem tem casa própria”, admite.

A ideia de estagnação e frustração vai-se repetindo ao longo de várias entrevistas, incluindo na de Melodie Maia. “Gostava de ter outro tipo de vida, de ter alguém e ter filhos, mas sinto que isso tão cedo poderá não acontecer”, reconhece. “É muito complicado uma pessoa dar o próximo passo quando não há esta independência.”

Também Bianca Milanez sente que o seu desejo de ser mãe se tornou uma impossibilidade. “Eu cresci a pensar que ia ter filhos, mas não me vejo criando uma família”, afirma, dizendo que é unicamente pela questão financeira que nem lhe permite ter casa própria. “Não estou na pobreza, mas está cada vez mais difícil.”

Para Rui Costa, “tem sido complicado”: “Estou numa fase da vida em que vejo todos os meus amigos a namorar e a casar-se. E é muito difícil na casa dos teus pais conseguires dar esse passo”, afirma. Para quem está solteiro, como ele, a tarefa é ainda mais difícil. “Se um casal já faz sacrifício, imagina alguém sozinho…”

“Estou numa idade em que não sou jovem nem sou velho”, diz Rui Costa
Paulo Pimenta

A Rita Vasconcelos entristece-a “não poder sonhar com independência sem estar dependente dos pais ou de uma relação”. Ainda mais quando não está “numa posição má” a nível profissional.

E depois dos 35?

Para quem tem mais de 35 anos e não conseguiu aproveitar estes apoios, “as alternativas são escassas”, refere o investigador Luís Clemente-Casinhas.

Foi o caso de Rita (que prefere não revelar o apelido), uma professora de 36 anos que sente que a sua geração ficou esquecida. “Nem IRS Jovem, nem devolução de propinas, nem apoio do Estado. Não tive direito a nada”, suspira. Quando foi anunciado o apoio da garantia pública e isenção de IMT para comprar casa, Rita ainda tinha 35 anos, e apressou-se a procurar casas para comprar. Na altura, pensou: “Vai ser a minha única oportunidade de comprar uma casa.” Chegou a ter dois contratos-promessa de compra e venda assinados, mas acabaram por não se concretizar. Num dos casos, os proprietários desistiram de vender e, no outro, os donos da casa pediram mais alguns meses antes de saírem.

“Passei os 35 anos desesperadamente a tentar comprar casa”, resume — mas não conseguiu. Aos 36 anos, acabou por conseguir comprar casa num bairro social, a um preço mais baixo — mas longe da zona de Queluz, que preferia. A decisão foi tomada “um pouco em pânico”, para não perder a oportunidade. “Por seis meses paguei mais sete mil euros de impostos”, lamenta, dizendo que o dinheiro lhe teria sido essencial para mobilar a casa ou fazer obras. “Agora não posso fazer isso.”

Com toda esta situação, Rita sentiu-se “impotente e frustrada”. “Não é o facto de ter mais uns meses que altera a minha condição financeira ou a minha taxa de esforço”, diz. Fica contente que haja quem possa beneficiar destas medidas, mas acredita que deveriam ser mais adaptadas a quem tem realmente dificuldades. “Parece que a minha geração não teve direito a nada”, suspira.

Idade: “Um critério imperfeito”

De onde vem este limite de 35 anos? Para o investigador Luís Clemente-Casinhas, este limite de idade, que foi sendo alargado ao longo do tempo, reflecte várias mudanças sociais: “A entrada mais tardia no mercado de trabalho, o adiamento da saída da casa dos pais e da formação de família, bem como percursos profissionais mais longos e instáveis.” No fundo, “é uma tentativa de adaptar a política pública a uma nova realidade geracional”.

Tal como acontece com os candidatos à Presidência da República, o limite de 35 anos está assente no pressuposto de que “essa idade corresponde a um patamar de maturidade, experiência e estabilidade”. Só que essa associação entre idade e estabilidade é cada vez menos clara. “É plausível que, no futuro, este limiar venha a ser reavaliado ou complementado com outros critérios, à medida que se torna claro que as dificuldades no acesso à habitação não desaparecem automaticamente aos 35 anos”, refere o professor universitário.

O limite dos 35 anos nem sempre é estanque: há algumas medidas que se podem estender para lá dessa idade se accionadas antes, e há casais que podem beneficiar de algumas destas medidas se apenas um dos elementos tiver mais de 35 anos.

O investigador reconhece que a idade é um “critério simples e administrativamente conveniente” e que se compreende a sua utilização em políticas públicas, incluindo para apoiar jovens que tendem a ter menos rendimentos, mais precariedade laboral e mais dificuldades no acesso à habitação. Ainda assim, “quando aplicado a políticas sociais e de habitação, a idade é inevitavelmente um critério imperfeito”, repara. Duas pessoas com a mesma idade podem ter situações económicas e profissionais muito díspares. “Faria mais sentido combinar critérios etários com critérios de rendimento, estabilidade laboral e composição do agregado familiar”, aponta Luís Clemente-Casinhas.

Para Romana Xerez, são precisas medidas “criativas, colaborativas e urgentes”, que também ouçam os jovens, sem esquecer que “o problema da habitação não é um problema em que se deve mudar só políticas de habitação”, refere a especialista. “Não podemos discutir estas questões como se discutiam há 10 ou 20 anos, ou pensar que vamos construir mais e resolvemos o problema”, aponta.

É que, como diz Rita Vasconcelos, não conseguir casa “não é por falta de esforço, nem por falta de tentativa ou de vontade”. A partir do momento em que não é uma escolha, “é um problema muito grave”.

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