O Pontapé de Canto FC volta a atacar

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O Arsenal transformou-se no grande mestre das “artes das trevas”. Quando ganha um pontapé de canto, mete meia equipa em cima do guarda-redes adversário, faz bloqueios aos defesas e deixa um homem livre para atacar a bola. No meio do que parece uma formação ordenada do râguebi, os “gunners” já marcaram 16 golos em 2025-26 na sequência de cantos, dois dos quais neste domingo no triunfo por 2-1 frente ao Chelsea. Quando a bola corrida não funciona, há quase sempre uma bola parada a salvar o Arsenal de si próprio. Os adversários já sabem que a equipa de Arteta tem este poder, mas não conseguem defender-se contra as “artes das trevas”. As bolas continuam a entrar.

Neste domingo, no derby londrino no Emirates, o Arsenal FC voltou a ser o Pontapé de Canto FC. Aos 21’, canto cobrado por Bukayo Saka, Gabriel Magalhães deu o toque de cabeça para lá do segundo poste e William Saliba cabeceou para o 1-0 – a bola ainda bateu em Sarr, mas o golo foi creditado ao internacional francês. Ainda na primeira parte, o Chelsea respondeu da mesma maneira, com um canto marcado por Reece James que Hincapie desviou para a própria baliza. Mas o Arsenal voltou a assumir a liderança do jogo (e seria em definitivo) com um golo de Jurrien Timber após canto de Declan Rice.

Pouco depois, o Chelsea ficou a jogar com dez – expulsão de Pedro Neto após falta para segundo amarelo sobre Martinelli – mas ainda teve uma oportunidade para ficar com, pelo menos um ponto, com um remate colocado de João Pedro que David Raya defendeu. O Arsenal, que tremeu durante todo o jogo, acabou por ficar com os três pontos e vai ficar seguro no primeiro lugar, agora com cinco pontos de vantagem (e mais um jogo) que o Manchester City. Se os “gunners”, “vices” nas últimas três temporadas, forem campeões ingleses em 2025-26, podem bem agradecer às bolas paradas – cantos, livres, penáltis, até autogolos.

Depois deste jogo, o Arsenal igualou o número de golos obtidos na sequência de canto (16) do Oldham em 1992-93 (época inaugural da Premier League), do West Bromwich Albion em 2016-17 e do próprio Arsenal em 2023-24, sendo que ainda tem mais nove jogos para ficar com o recorde só para si. E esta foi a nona vez que o Arsenal marcou o golo da vitória através de um canto – e isto já é um recorde da Premier League. Assim se percebe por que razão o Arsenal tem defesas com um número muito saudável de golos, como Gabriel Magalhães (4) ou Jurrien Timber (4) e que Declan Rice, um dos marcadores de cantos, tenha tantas assistências (7).

Não é uma revolução investir em situações criativas nas bolas paradas – todos fazem o mesmo. Mas o Arsenal está a elevar o nível, ao ponto dos adversários temerem um canto a favor dos “gunners” quase tanto como temem um penálti. Como dizia há poucos dias David Moyes, treinador do Everton, “agora pode-se fazer muitos bloqueios, já é uma grande parte”. “Vamos ser honestos, o melhor – e fazem-no com estilo – é o Arsenal. Mas há muito de artes das trevas nisto, como bloquear o guarda-redes pela frente ou por trás, bloquear os defesas e dificultar a sua acção de cabecear”, acrescentou o técnico escocês.

Já há muitos na Premier League (e em outras latitudes) a imitar o Arsenal, mas os “gunners” continuam a ser o melhor exemplo na eficiência das bolas paradas. E muito disto devem a Nicolas Jover, o francês que é o responsável pelas bolas paradas na equipa técnica de Arteta. Jover, de 44 anos, passou os primeiros anos da sua carreira como analista no Montpellier, antes de se mudar para o Brentford, onde trabalhou com Thomas Frank. Em 2019, foi para o Manchester City, indicado por Arteta, e, em 2021, reuniu-se com o técnico espanhol no Arsenal – e foi substituído nas bolas paradas por Carlos Vicens, actual técnico do Sp. Braga.

Quando há um canto a favor do Arsenal, é Jover quem avança e Arteta recua para o banco. O francês dá as suas instruções e a magia (das trevas, como dirá Moyes) acontece.

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