Quartos à venda são a última prova da crise da habitação na Europa

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Resumo
Startup espanhola vende quartos em casas partilhadas com teste de compatibilidade
Reino Unido adapta hipotecas a amigos e regressam empréstimos sem entrada inicial
Jovens europeus são afastados da compra tradicional de casa própria

Uma startup espanhola está a vender quartos em apartamentos partilhados com desconhecidos, um promotor britânico oferece hipotecas a amigos dispostos a comprar em conjunto, enquanto participações em imóveis para arrendamento ajudam alguns inquilinos a suportar os custos da habitação.

Estes arranjos pouco convencionais evidenciam até onde alguns jovens europeus estão dispostos a ir para enfrentar uma crise da habitação que os atingiu com particular intensidade.

Na última década, os preços das casas na União Europeia cresceram 10% mais rapidamente do que os rendimentos, segundo dados de investigação da Comissão Europeia, e todos os indicadores mostram que os jovens são os que mais sentem a pressão.

E, embora os planos anunciados pelo executivo comunitário em Dezembro para tornar a habitação mais acessível ainda não tenham sido concretizados, algumas empresas oferecem novas formas de entrar num mercado imobiliário cada vez mais exigente.

Em Espanha, onde a escassez de habitação em Madrid, Barcelona e outras grandes cidades foi agravada por um aumento dos arrendamentos de curta duração para férias, a Habitacion.com disponibiliza quartos individuais até 80.000 euros (95.200 dólares), cerca de um terço do valor de um apartamento T1 em localizações semelhantes.

A empresa afirma ter vendido 200 quartos no ano passado e contar com uma lista de espera de 32.000 pessoas, com imóveis anunciados em sete cidades no seu sítio na Internet.

Oferta para solteiros com orçamentos limitados

O fundador e director-executivo, Oriol Valls, afirma que a sua empresa oferece uma solução para a pressão financeira — dados oficiais mostram que os salários médios mensais em Espanha aumentaram 26% na última década, enquanto os preços do imobiliário subiram 81% — e para a mudança das circunstâncias de vida.

“As pessoas já não se casam, ou, se o fazem, casam-se mas não têm filhos… ou têm-nos muito mais tarde”, afirmou. “Precisam de espaços habitacionais muito mais pequenos e também muito mais acessíveis.”

Os clientes têm de preencher questionários de compatibilidade, que incluem perguntas sobre se têm parceiro ou se lavam a loiça após as refeições, para serem emparelhados com co-proprietários ou arrendatários. Têm igualmente de recorrer a crédito pessoal, em vez de hipoteca, e devem passar pela empresa caso pretendam revender.

Alvarez, potencial comprador que recusou revelar o primeiro nome, afirmou que a Habitacion.com se ofereceu para o ajudar a obter um empréstimo pessoal a dez anos junto de um banco regional, com taxa de juro de 6%, o dobro da média das hipotecas tradicionais, mas acabou por não encontrar qualquer quarto disponível em Madrid, onde reside.

Acrescentou que o modelo, embora seja, em geral, uma boa opção para jovens com poucas poupanças, “perde todo o interesse se eu não puder viver com a minha parceira“.

Entretanto, em Londres, o promotor imobiliário Fairview lançou o programa “Buddy Up”, que propõe ligar amigos a um intermediário de crédito e a um solicitador, suportando até dois mil euros em despesas legais caso decidam comprar conjuntamente um imóvel na capital ou nos seus arredores.

De regresso a Espanha, Carlos Sempere, engenheiro industrial de 36 anos que arrenda um apartamento no centro de Madrid, onde os imóveis estão a ser vendidos por cerca de um milhão de euros — valor fora do seu alcance — adquiriu antes um imóvel para arrendamento no sul do país através da empresa de investimento PropHero. “Ou ajuda a pagar a renda, ou vendo-o no futuro”, afirmou.

Para quem não pode adquirir um imóvel completo, a PropHero oferece igualmente participações em edifícios de apartamentos para arrendamento em Espanha e na Irlanda, a partir de 20.000 euros.

Em última análise, são as condições adversas do mercado que levam potenciais compradores de primeira habitação a ignorar as complexidades jurídicas e os custos destes novos modelos, afirma o consultor imobiliário e responsável por investimentos alternativos da AIRE Partners, Patricio Palomar.

“Todas estas soluções de habitação servem para mostrar como as pessoas estão a ficar mais pobres.”

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