Brasil usa comida como cartão de visita em feira de turismo

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Em uma verdadeira mesa partilhada, o Brasil deu a provar um pouquinho dos seus sabores na Better Tourism Lisbon (BTL), que terminou neste domingo (1º de março), na Feira Internacional de Lisboa. Durante o evento, filas nos estandes e muita conversa em torno da boa comida, de norte a sul do Brasil.

O Paraná, que passa a ter um voo direto para a capital Curitiba a partir de julho, apresentou o barreado, um prato de diálogo gastronômico com Portugal. De acordo com o chef Rui Morschel, a receita é tipicamente caiçara, tradicional do litoral, nas cidades de Morretes, Antonina e Paranaguá. “É um prato que tem mais de 300 anos de história e foi introduzido pelos açorianos que foram pra lá”, diz.

Trata-se de um cozido de carne que fica na panela de barro por um longo tempo, até ficar desfiada e bem temperada, especialmente com a intensidade do sabor do cominho. “O prato tem esse nome porque a panela é vedada – ou “barreada” com uma massa feita de farinha de mandioca e água”, explica o chef. A farinha de mandioca também é usada como acompanhamento, bem como a banana, muito abundante no litoral do Paraná.

O Barreado é surgiu por influência açoriana no litoral do Paraná
Gisele Rech

Aqui vai uma curiosidade: para servir as 300 porções diárias na feira, o chef e seu companheiro de batalha, João Scalzo, preparam 20 quilos de barreado por dia. Eles se hospedaram em um alojamento local dotado de cozinha bem equipada para dar conta do recado. “Acaba o serviço na feira e já começamos o preparo para o dia seguinte”, diz Scalzo.

Minas Gerais

A carne de longa cozedura também foi uma das atrações de Minas Gerais, conhecida por sua comida de panela – ou tacho, como se diz em Portugal -, com muita fartura e altas doses de afeto. “É aquele gostinho de comida de vó, feita no fogão à lenha e com muita prosa na cozinha”, diz a chef Gabi Tropicana.

A chef Gabi Tropicana fez arroz de cupim com café e requeijão moreno no estande de Minas Gerais
Gisele Rech

Na feira, a preparação do arroz foi feita na hora, com direito ao aroma no ar. Na sua receita de arroz de cupim, um tipo de corte típico do Brasil localizado na corcunda de bois de raças como Nelore, ela apresentou alguns ingredientes que tornam o território mineiro conhecido em todo o mundo, como o queijo e o café.

Aliás, ela é uma das produtoras da região do Cerrado Mineiro, a primeira Denominação de Origem do Café do Brasil. “É um café reconhecido por sua qualidade e características únicas, que puxam para o sabor de caramelo. Por isso, casa muito bem em receitas como essa”, diz a chef.

Ela usa o produto para preparar a carne, cozida por doze horas, e também para o cozimento do arroz, refogado com alho e cebola. Na finalização da receita, para dar cremosidade, entra o requeijão moreno. “É um queijo que pega essa cor dourada pelo longo tempo de preparo”. Como acompanhamento, farinha de baru, uma castanha típica do Cerrado Mineiro que está em vias de ser importado para a Europa.

Nordeste e norte

De Minas à Bahia, estado vizinho ao norte do território mineiro, o prato do dia foi o acarajé. Na frente do estande, que reproduz a fachada de um casarão do Pelourinho, um dos bairros mais emblemáticos da capital Salvador, tinha fila para provar o quitute da chef Carol Brito. Foi o 14º ano dela na feira e tem gente que volta só para provar a iguaria, relacionada à comida de santo, com fortes influências da cultura religiosa africana.

Carol Brito e Marly Trindade apresentam o acarajé, símbolo da gastronomia da Bahia durante a BTL

Ainda no passeio pelo nordeste brasileiro, o chef Márcio Ricci apresentou, entre outros pratos populares no Piauí, o arroz Maria Isabel. “É um prato feito à base de arroz e carne de sol, muito típica e usada no nordeste e no Piaui, em especial. O nome, dizem, homenageia a cozinheira que popularizou”. Para acompanhar, “paçoca” feita com farinha de mandioca e carne seca.

Chef Márcio Ricci e o arroz Maria Isabel, típico do Piauí
Gisele Rech

Como representante do Norte do Brasil, a chef Cidália França, que é do Pará, serviu a tapioca, preparo feito a partir da goma de mandioca, também típica do nordeste brasileiro e que atravessou o oceano: hoje é possível encontrar a receita em Portugal e por toda a Europa.

“Para o recheio, escolhi o queijo da Ilha de Marajó e o chouriço de Soure, também da ilha”, diz Cidália. Os ingredientes, aliás, têm forte ligação com Portugal, já que o Pará foi um dos estados brasileiros que mais receberam lusos, em especial açorianos.

De quebra, Cidália revelou alguns segredos para se fazer uma boa tapioca. “A farinha tem de estar bem hidratada, a frigideira bem quente e a virada na frigideira precisa: tem que cozer bem, dos dois lados”, ensina.

Chef Cidália França apresenta a tapioca com queijo e chouriço de Soure, da Ilha de Marajó, no Pará
Gisele Rech

Na feira, também teve bolo de rolo de Pernambuco, as castanhas de caju caramelizadas do Rio Grande do Norte e os espumantes premiados do Rio Grande do Sul, acompanhados dos queijos e embutidos da região, além de vinhos de Santa Catarina. Durante a feira, também teve anúncio de grandes investimentos no setor de restaurantes e hotelaria na Paraíba.

Para o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, a gastronomia é uma das grandes ferramentas de atração turística do Brasil. “Temos muita diversidade de norte a sul do país, que carrega muito das culturas que contribuíram para a formação do Brasil”, disse durante a conversa aberta na Galeria Visit Brasil, como o tema Entre Mares, Sabores com Gosto de Brasilidade, com as chefs Ana Carolina Miranda, do Cícero, Carol Brito, do Acarajé da Carol, e a empresária Raquel Lopes, da Casa Cachaça.

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