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O catarinense Rodrigo Karvat vive há 19 anos em Portugal e divide-se entre dois papéis: o de humorista e o de empresário. Em Mem Martins, no concelho de Sintra, ele mantém a Lord’s Barbershop, especializada em cortes de cabelo e barba, onde atende 40 clientes por dia, com o apoio de quatro colaboradores, todos brasileiros. Fora do expediente, sobe ao palco para transformar observações do cotidiano em arte e risadas.
Natural de Canoinhas, Santa Catarina, Rodrigo cresceu no campo. Ainda jovem, aprendeu a cortar cabelo e fez formação na área. Aos 19 anos, mudou-se para a cidade de Barra Velha, no litoral catarinense, onde trabalhou em hotéis e restaurantes. Aos 23, retornou à barbearia, profissão que mantém até hoje. A mudança para Portugal, em 2007, o levou a trabalhar em uma barbearia e, depois de algum tempo, abrir o próprio negócio, além de investir na vocação artística.
“A veia da comédia creio que já existia antes de eu vir para Portugal. Eu sempre fui aquele cara que, numa festa, mesmo com vergonha, soltava uma piadinha e todo mundo ria. Depois, comecei a assistir shows de stand-up comedy e percebi que eu também poderia entrar nisso, onde já estou há alguns aninhos”, diz Rodrigo.
O interesse pelos palcos e a comédia o fez encontrar um português chamado Anselmo Oliveira, nascido em Vila Nova de Gaia, no Porto. “Costumo dizer que somos dois imigrantes no palco: eu por ser brasileiro e o Anselmo, por ser do Porto. E um rapaz do Porto, em Lisboa, é também imigrante”, ressalta o brasileiro, entre risadas.
Resposta à xenofobia
A dupla criou o projeto “Postas de Pescada”, expressão que, no Brasil, equivale a falar besteiras, discorrer sobre um assunto que não se conhece. Dentro do projeto, nasceu o espetáculo “EDM Comedy Night”. Em abril, Rodrigo e Anselmo estreiam um novo show, com a participação da humorista francesa Laura, que vive em Portugal e já trabalhou com eles anteriormente.
Divulgação
A proposta de reunir no mesmo palco um brasileiro, um português e uma francesa ganha significado especial em um contexto marcado por episódios de xenofobia em Portugal, em outros países da Europa e nos Estados Unidos, segundo conta o catarinense. A diversidade de sotaques e vivências se transforma em matéria-prima para improvisos, nos quais as diferenças culturais são exploradas com leveza e interação com a plateia. “Uma resposta ao discurso de ódio”, completa o humorista.
Grande parte do repertório de Rodrigo nasce na rotina da barbearia, que completa oito anos no próximo mês. A maioria dos clientes é portuguesa, embora haja presença significativa de brasileiros. Segundo ele, as experiências profissionais frequentemente se cruzam com o conteúdo artístico. Conversas sobre diferenças entre Brasil e Portugal, gastronomia, expressões populares e situações do dia a dia acabam adaptadas ao palco.
Observações do cotidiano
O estilo do stand-up comedy, afirma o catarinense, depende da observação constante: notícias de jornais, discursos de políticos e experiências pessoais. No Brasil, ele lembra que se inspirou em nomes clássicos do humor, como Jô Soares e Chico Anysio. Também acompanha humoristas contemporâneos, como Fábio Porchat, Danilo Gentili, Rodrigo Marques, além de Cláudio Torres Gonzaga, que foi roteirista de Chico Anysio e do programa Sai de Baixo.
“O projeto da barbearia tem sido muito bom e tem crescido. Meus colegas também ajudam muito e temos ideia de abrir mais lojas e expandir o negócio. Por outro lado, penso em investir na comédia, que é uma coisa que gosto muito. Dizem que rir é o melhor remédio. E, quando a gente ri das coisas, enfraquece o que o mal nos causa”, destaca Rodrigo.
Para ele, provocar emoção, seja na cadeira da barbearia ou diante de uma plateia, é o que dá sentido à dupla jornada. “Uma das experiências que acho mais interessantes é essa de subir num palco, dizer uma coisa qualquer e as pessoas rirem. Não sei como explicar, mas é uma sensação muito interessante. É também gratificante e causa o vício de querer voltar a fazer. É como dizer: eu consigo ter esse poder com as palavras e quero repetir a dose e fazer rir”, acrescenta o empresário.
Entre o empreendedorismo e o humor, Rodrigo Karvat construiu em Portugal uma trajetória marcada pela observação atenta e a capacidade de transformar histórias comuns em riso compartilhado. Nos palcos ou fora dele, escolheu rir e fazer rir, porque, às vezes, complementa Rodrigo Karvat, é só o que resta.
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