Caros líderes do PSD e do PS, vimos chamar-vos a atenção para que a difícil situação na qual o nosso país se encontra vos exige que sejam responsáveis e que os portugueses não vos perdoarão se não cumprirdes as vossas obrigações.
Depois de
- o país ter sofrido o que foi certamente uma das maiores tragédias que afetaram de forma profunda as nossas populações, as nossas estruturas básicas, a nossa economia, as nossas finanças e os nossos orçamentos e
- de ter tido umas eleições em que cerca de dois terços dos eleitores rejeitaram de forma clara aqueles que se propunham “Mudar o Sistema”, embora sem terem nem gente, nem ideias, nem propostas, nem moral para o fazer,
chegou o tempo de os partidos que fundaram a nossa democracia e que mudaram Portugal ao longo destes cinquenta anos assumirem as suas responsabilidades e governarem em conjunto para recuperar o que está destruído e preparar o país para um novo ciclo de desenvolvimento.
Há que reforçar a integração do país na Europa, prosseguindo a melhoria dos seus índices de desenvolvimento, já incomparavelmente superiores aos herdados do Estado Novo. Entre tais índices, merecem referência as qualificações da população, a promoção das mulheres, a literacia, a investigação científica, a mortalidade infantil, a esperança de vida, o produto interno bruto ou os apoios sociais.
É requerido um novo ciclo, necessariamente mais exigente do que aquele que vivemos até agora, no qual se reduza de forma significativa a incapacidade do Estado e se promova a produtividade dos diferentes sectores da economia.
Um ciclo em que se perceba que o sucesso requer estudo, preparação, capacidade de execução e de avaliação de projetos, mas que simplifique os procedimentos, agilize as decisões e incentive quem queira contribuir de forma útil.
Tal exigirá a erradicação da atual teia legislativa na qual a burocracia esmaga a iniciativa de pessoas e empresas — uma burocracia que decorre de uma rede de entidades estatais (departamentos, agências, direções gerais, institutos e tutti quanti) que atuam frequentemente de forma desarticulada ou, pior ainda, de forma conflitual, criando grandes dificuldades a quem quiser fazer qualquer coisa que não seja empurrar os problemas com a barriga ou fazer mais do mesmo.
Requer-se um Estado que tenha capacidade para distinguir o que funciona do que não funciona, que celebre e premeie o mérito e saiba punir exemplarmente os que mentem e enganam os outros cidadãos.
Refere-se muitas vezes que o país necessita de reformas estruturais. Sim, ninguém duvida dessa exigência, mas neste momento a grande reforma que deve ser levada à prática é a da desburocratização e simplificação, nomeadamente de tudo o que se relaciona com decisões dos organismos oficiais responsáveis por aprovações e autorizações de projetos, reparações, obras e recuperações dos danos causados pelas tempestades que se abateram praticamente sobre todo o país.
Cabe ao PSD e ao PS mostrarem verdadeiramente o que valem.
Entendam-se como quiserem — com um acordo no Parlamento, um “Centrão”, uma troca de cartas, uma declaração conjunta, um Grupo de Missão Misto, seja o que for — mas façam-no.
Se olharmos para o espectro partidário constatamos que as esquerdas PCP e BE têm muito pouco significado; os liberais não saem de uma retórica de que nada funciona, querendo reduzir os impostos e retirar o Estado das suas funções essenciais; e os que querem “Mudar o Sistema” nada sabem sobre o que estão a criticar, limitando-se a gritar que reina a corrupção e que os imigrantes devem ir para as suas terras.
Ou seja, restam os dois mais clássicos partidos moderados do centro do espectro, que dispõem de uma maioria no Parlamento e que, nessa medida, têm de assumir a total responsabilidade pelo que deve ser feito no país nos próximos anos.
É preciso resolver os problemas com que o país está confrontado; e resolvê-los não é equacioná-los e fazer promessas de que vão ser solucionados, é estudar as soluções possíveis, planificar a sua execução e executá-las sem demora e tendo em consideração que é absolutamente essencial aproveitar o momento actual para preparar o futuro, de forma a que as estruturas existentes sejam adaptadas às novas condicionantes ambientais e energéticas.
Ambos os partidos ainda têm condições para mobilizar os melhores técnicos e os quadros mais qualificados para se conseguirem as melhores soluções.
Se não o fizerem — e a tarefa é ciclópica —, um e outro arriscam-se pura e simplesmente a desaparecer, dando origem a uma situação que ninguém imagina o que será, a avaliar pela mediocridade do que temos visto da parte dos que gostariam de governar para “Mudar o Sistema”.
Os autores escrevem segundo o acordo ortográfico de 1990
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