Nova grande nuvem de poeira do Sara vai afectar Portugal e a Europa

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A Europa prepara-se para enfrentar uma nova nuvem de poeira do Sara, que deverá atingir a Península Ibérica esta terça e quarta-feira e que, segundo previsões iniciais, poderá ser mais intensa do que o recente episódio registado entre 20 e 25 de Fevereiro. A confirmação é do Serviço de Monitorização da Atmosfera do Copérnico (CAMS, na sigla em inglês), que tem acompanhado a evolução da nuvem de poeira e alerta para impactos significativos na qualidade do ar.

De acordo com a nota de imprensa, esta nova invasão de uma pluma de poeira deverá ser mais directa e potencialmente mais forte. Mark Parrington, cientista sénior do CAMS, explica que o fenómeno actual está a ser impulsionado por um sistema de baixa pressão — a tempestade Regina — que transporta poeira directamente do Norte de África para a Península Ibérica e para o Mediterrâneo ocidental.

As previsões iniciais indicam que esta intrusão de poeira do Sara será mais intensa na Península Ibérica em comparação com o fenómeno observado entre 20 e 25 de Fevereiro, afirma Mark Parrington. Espera-se também que seja mais directa, impulsionada por ventos que transportam a poeira directamente para a região ocidental do Mediterrâneo.

O fenómeno anterior estava relacionado com os padrões de vento Calima, que sopram a nuvem do deserto do Sara para o Atlântico Norte. Segundo o CAMS, esta nova nuvem deverá afectar sobretudo Espanha, Portugal e partes de França, antes de se deslocar para norte, atingindo o mar do Norte e a Escandinávia em altitude.

O papel da chuva e céu “nebuloso”

As previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) apontam para uma elevada probabilidade de ocorrência de chuva, que poderá trazer as partículas para a superfície — especialmente em Portugal e Espanha. Este fenómeno tende a intensificar os efeitos sentidos, desde a redução da visibilidade ao depósito de poeira em veículos, edifícios e infra-estruturas.

Segundo os especialistas do serviço europeu Copérnico, em várias regiões, poderá observar-se um céu esbranquiçado ou alaranjado, típico destes episódios, bem como um agravamento temporário da qualidade do ar. De acordo com as imagens de satélite divulgadas, a nuvem deverá afectar sobretudo a região Centro e Sul do país.

DGS alerta para fraca qualidade do ar

Em Portugal, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) já emitiu um alerta para terça e quarta-feira, antecipando uma degradação da qualidade do ar devido ao aumento das concentrações de partículas inaláveis de origem natural.

Entre outras medidas de protecção, a DGS recomenda: evitar esforços físicos prolongados ao ar livre; reduzir a exposição a factores irritantes, como fumo do tabaco e que crianças, idosos e doentes respiratórios ou cardiovasculares permaneçam no interior sempre que possível, com janelas fechadas.

O comunicado adianta também que os doentes crónicos devem manter os seus tratamentos médicos e, no caso de agravamento de sintomas, a população deve contactar a Linha Saúde 24 (808242424) ou recorrer a um serviço de saúde.

A DGS confirma que a situação deve-se a uma massa de ar proveniente dos desertos do norte de África, que transporta poeiras em suspensão, que se prevê que atravesse Portugal continental nos próximos dois dias.

Monitorização essencial

Mark Parrington sublinha ainda a importância da monitorização por satélite e da previsão das trajectórias destas nuvens, que frequentemente atravessam continentes.

Este tipo de transporte é bastante comum nesta altura do ano, com alguns episódios ocasionais mais intensos, como o actual. A nossa monitorização é particularmente adequada para estas situações de transporte transfronteiriço, adianta.

Assim, com a aproximação da nuvem e a confirmação de condições meteorológicas favoráveis ao transporte de poeira, as autoridades de saúde e ambiente mantêm-se em alerta, enquanto os serviços de monitorização europeus continuam a acompanhar a evolução do fenómeno.

Os surtos de poeira do Sara são frequentes no Inverno e no início da Primavera, impulsionados por ventos fortes e condições atmosféricas específicas. No entanto, a combinação entre poeira mineral e fumo de queimadas equatoriais torna este episódio particularmente denso e visível.

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