Os iranianos querem que o lema do país seja “longa vida ao Irão” e não “morte a…”

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O Ano Novo do calendário gregoriano costumava ser um tempo de esperança, mas rapidamente se tornou amargo no Irão. A 28 de dezembro, os vendedores do Grande Bazar de Teerão começaram a fazer greve e a protestar devido à maior queda de sempre do rial em relação ao dólar americano. Estes protestos económicos rapidamente se tornaram protestos contra o regime em todo o país, exigindo a queda da República Islâmica devido às condições de vida cada vez mais intoleráveis e injustas. Os protestos levaram a uma variedade de cânticos, como: “Morte a Khamenei”, “Não tenham medo, estamos todos juntos” e “Esta é a última batalha, Pahlavi (o filho exilado do xá defunto) voltará”.

Estes protestos, como esperado, foram inicialmente recebidos com as balas e o gás lacrimogéneo das forças de segurança da República Islâmica, mesmo antes dos eventos que se desenrolaram mais tarde. Os protestos continuaram a espalhar-se por todas as 31 províncias do Irão durante pelo menos nove dias. Enquanto os protestos cresciam, Reza Pahlavi explicitamente convocava a nação para que esta saísse às ruas e protestasse às 20 horas, nos dias 8 e 9 de janeiro.

Nestes dois dias, os iranianos saíram para protestarem em números extraordinários e vídeos foram publicados nas redes sociais pouco antes da República Islâmica impor o maior apagão nacional por volta das 21 horas do dia 8 de janeiro. Com este apagão as pessoas não tiveram acesso à internet ou às linhas telefónicas. Durante este período de isolamento completo, como descobriríamos depois, a República Islâmica tinha desencadeado o mais violento massacre contra civis desarmados na história contemporânea do Irão e de acordo com os funcionários do Ministério da Saúde do Irão, no mínimo 30.000 pessoas foram mortas nas primeiras 48 horas.

Nas semanas seguintes, decorreram muitos funerais durante os quais a resistência do povo se manifestou. De facto, a população celebrou e dançou com música alegre como forma de protesto e rejeição da tentativa do governo aplicar um pesar e silêncio nacionais às famílias enlutadas dos manifestantes que foram mortos enquanto exigiam a sua liberdade nas ruas do Irão. Estes manifestantes massacrados seriam nomeados de javidnaman (‘os nomes imortais’ em persa), demonstrando que o povo vai honrar as suas vidas de sacrifício pela liberdade do Irão, continuando a sua luta por um Irão secular e democrático.

Em outubro de 2025, alguns meses depois da breve guerra entre Israel e o Irão, escrevi um artigo sobre o papel do martírio na identidade nacional iraniana, imposto pela República Islâmica. Hoje, escrevo para dizer que os iranianos ativamente rejeitam esta identidade; o povo chama às pessoas que sacrificaram as suas próprias vidas pela liberdade dos iranianos javidnaman, e não shahidan (‘martírios’ em persa); este último é um termo de que a República Islâmica há muito tempo se tem aproveitando. As celebrações e a recriação dos funerais depois do massacre desses dois dias tornaram-se a própria forma de resistência dos iranianos.

Estes funerais, semelhantes a um casamento ou a uma festa de aniversário e com novos cânticos, foram vistos especialmente durante as comemorações do 40.º aniversário (chehelom) da morte dos manifestantes massacrados, uma data muito importante no processo de luto na cultura iraniana.

A recusa do povo em sucumbir ao pesar mostra que aquele não vai simplesmente seguir em frente; que as suas lutas ainda não acabaram e de facto é muito mais forte e unida já que despoletou uma maior indignação nacional em todas as gerações, desde os estudantes até aos avós do país. Os javidnaman passaram o bastão ao país enlutado e as pessoas estão a levá-lo até à meta. Os estudantes nas universidades começaram os protestos de novo a 21 de fevereiro. Os iranianos recusam estar sujeitos à morte e à mágoa constante e querem convidar um futuro no qual a vida seja celebrada, em que o lema do país seja “longa vida ao Irão” e não “morte a…”.

O fim da República Islâmica é inevitável. Porém, ainda não é o fim para os iranianos; uma revolução está a desenrolar-se e as organizações internacionais devem poder dar a sua atenção aos iranianos e ajudar aqueles dentro do Irão, salvando as vidas que estão sob risco de execução e mais repressão. É preciso dar aos iranianos oportunidade de escreverem o seu próximo capítulo de paz e vida e assim virarem a página deste capítulo atual – 48 anos de medo e morte.

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