Resumo
– Jovens eleitores apoiam ataque mas temem escalada
– Divisão sobre matar Khamenei e críticas ao “America First”
– Crescem dúvidas sobre estratégia dos EUA no Irão
Quando Michael Leary soube que os Estados Unidos tinham atacado o Irão, questionou se a decisão respeitava a promessa “America First” que o levara a votar no Presidente Donald Trump e receou que pudesse arrastar o país para mais um lamaçal no Médio Oriente.
Ainda assim, o estudante de 19 anos disse ter acolhido com agrado a notícia da morte do líder supremo iraniano, ayatollah Ali Khamenei, e não estava preparado para condenar a decisão de Trump, expressando esperança de que a operação conjunta com Israel fosse rápida e poupasse vidas americanas.
Aleksandra Michalska
“Uma das razões pelas quais apoiei Trump foi o ‘America First’. Era essa a retórica da sua campanha”, afirmou Leary, que votou pela primeira vez numa eleição presidencial em Trump, em 2024. “Não é que eu discorde da guerra ou dos ataques… Precisamos de saber mais e ver o que vai acontecer. Mas pareceu um recuo face ao que ele dizia.”
Essa mistura de aprovação e inquietação — apoio à morte de Khamenei, mas preocupação de que a pressão de Trump para uma “mudança de regime” possa envolver os Estados Unidos num conflito prolongado — foi ecoada por outros cinco eleitores de Trump num painel estudantil entrevistado esta semana pela Reuters no Saint Anselm College, em New Hampshire.
Os jovens eleitores do sexo masculino foram uma das maiores surpresas das eleições de 2024, inclinando-se para Trump após anos de domínio democrata entre os mais novos. Contudo, sondagens recentes mostram esse apoio a diminuir, num contexto de frustração com a inflação persistente e com a aplicação rigorosa das leis de imigração, medidas que alguns consideram excessivamente duras.
Apenas um em cada quatro americanos apoia os ataques dos Estados Unidos, segundo uma sondagem Reuters/Ipsos realizada no fim-de-semana.
O painel de estudantes, embora seja uma amostra reduzida, oferece um retrato preliminar de como alguns jovens homens estão a reagir aos ataques ao Irão, sugerindo que Trump poderá ter uma margem limitada para obter ganhos claros para os Estados Unidos e estabilizar um conflito que se estendeu ao Líbano, abalou os mercados globais e fez disparar os preços do petróleo.
Um fim rápido da guerra com o Irão poderia ajudar Trump a projectar uma imagem de comandante decisivo, mas um conflito prolongado arrisca alienar os jovens homens que impulsionaram o seu ressurgimento em 2024.
Ausência de estratégia final preocupa
John Fitzpatrick, estudante de Ciência Política de 20 anos, afirmou apoiar a “decapitação” de um regime iraniano que considera uma ameaça antiga aos americanos e desvalorizou os ataques retaliatórios do Irão como “uma tentativa desesperada de último fôlego”.
“Seria bom ver uma mudança de regime — não que devêssemos ter tropas no terreno ou estar tão profundamente envolvidos como estivemos no Iraque”, disse Fitzpatrick, presidente dos Republicanos do Saint Anselm College. “No geral, penso que é positivo.”
Artemius Gehring, também de 20 anos, concordou, afirmando que o objectivo de Trump era pôr termo a um conflito prolongado que remonta à crise dos reféns de 1979, quando militantes iranianos tomaram a embaixada dos Estados Unidos em Teerão e mantiveram dezenas de americanos reféns durante 444 dias. “Penso que ele está apenas a tentar acabar com isto”, disse Gehring. “É a decisão certa.”
Tyler Witzgall, estudante do segundo ano, com 20 anos, disse que, embora apoiasse a morte de Khamenei, estava preocupado com a aparente ausência de um plano concreto por parte da administração Trump para o substituir — um vazio que, receia, possa alimentar instabilidade ou até guerra civil.
“Ele está a dizer ao povo iraniano para se levantar e tomar o Governo, e isso é mais fácil dizer do que fazer”, afirmou Witzgall. “Porque estamos a tomar estas medidas quando não há um plano específico neste momento, ou pelo menos nenhum de que tenhamos conhecimento?”
Aleksandra Michalska
Witzgall disse que os ataques ao Irão, tal como a captura do venezuelano Nicolás Maduro em Janeiro, reflectem o que considera uma ênfase excessiva na política externa. Afirmou ter votado em Trump para impulsionar a economia e cumprir prioridades internas, e gostaria de o ver concentrar-se mais nesses temas.
As promessas de Trump de controlar a inflação, estimular o crescimento e endurecer a aplicação das leis de imigração ajudaram a atrair jovens homens para a sua campanha. Sondagens à boca das urnas analisadas pelo Pew Research Center mostram que Trump obteve 46% dos votos entre homens dos 18 aos 29 anos nas eleições de 2024, contra 51% da candidata democrata, a antiga vice-presidente Kamala Harris. Trata-se de uma mudança significativa face a 2020, quando Trump perdeu entre os jovens homens para o Presidente Joe Biden por 14 pontos percentuais, 53% contra 39%.
Contudo, sondagens recentes indicam que esses ganhos se evaporaram. Em Fevereiro, cerca de 33% dos homens entre os 18 e os 29 anos aprovavam o desempenho de Trump na Casa Branca, abaixo dos 43% registados no mesmo mês de 2025, segundo dados da Reuters/Ipsos.
A forma como a crise com o Irão for resolvida poderá determinar se a taxa de aprovação de Trump sobe ou desce, com potenciais consequências para os republicanos nas eleições intercalares de Novembro. Leary afirmou ser ainda demasiado cedo para dizer se os ataques ao Irão foram a decisão correcta.
“Pode absolutamente revelar-se a decisão certa, ou podemos ficar no Irão durante mais de 30 anos, gastar imenso dinheiro — dinheiro que poderia ter sido investido cá dentro.”
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