Continua a surpreender-me a, amplamente bem distribuída, dificuldade em pensar ou aceitar que uma coisa possa ser simultaneamente outra coisa, ou várias coisas, ao mesmo tempo. Os argumentos simplistas e binários em todo o espectro político sobre o Irão parecem de novo ter esquecido a conjunção coordenativa copulativa “e”, ignorando ser possível querer a libertação de um povo “E” não querer que esse mesmo povo seja bombardeado “E” que tenha direito à sua autodeterminação. E que se condene um regime autoritário “E” que se condenem os regimes genocidários norte-americanos e israelitas que o pretendem desmantelar. A escritora iraniana no exílio Sahar Delijani resume perfeitamente a possibilidade de pensar a simultaneidade ao defender que: “Enquanto viver, jamais defenderei que as bombas caiam sobre um povo enquanto estou confortavelmente sentada na segurança do meu apartamento em Brooklyn. Enquanto viver, nunca estarei nessa mesma segurança a exigir que um povo suporte uma ditadura brutal em nome da preservação dos meus próprios argumentos ‘anti-imperialistas’. Enquanto viver, jamais chamarei complicado a um massacre. Enquanto viver, nunca chamarei libertação a uma guerra. Enquanto viver, jamais chamarei resistência a uma ditadura.”
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