Acontece, no vinho ou em qualquer outro produto de consumo: sempre que a procura de um bem alimentar aumenta, a tentação de produzir esse bem em quantidades maiores aumenta proporcionalmente. Como a casta Encruzado, originária do Dão, se tornou nos últimos anos o príncipe mais procurado da nova geração de vinhos brancos de Portugal, é natural que o número de marcas e a quantidade de garrafas com esta casta nos rótulos se tenha multiplicado. A corrida à Encruzado tornou-se viral, e, num ápice, os vinhos provenientes de zonas menos aptas à casta, produzidos em vinhas ainda demasiado jovens, ou sem os cuidados enológicos que esta variedade recomenda deixaram os consumidores confusos. Afinal, o que é a Encruzado? Estará a região a sacrificar a sua grande, e exclusiva, casta branca no altar da impaciência ou da gula?
Para os apreciadores, uma constatação: a maioria dos brancos certificados da Encruzado cumpre o potencial da casta e satisfaz as expectativas. O Encruzado pioneiro, da Quinta dos Carvalhais, continua em grande forma. Brancos da casta provenientes das faldas da Estrela, em altitude, estão cada vez melhores. De Mangualde a Tábua, abundam os bons exemplos, onde se incluem cooperativas. Não são apenas as marcas de referência a fazer Encruzado como deve ser ou a vendê-los a preços razoáveis. Também há pequenos produtores, como a Ladeira da Santa, do ex-ministro da Agricultura Arlindo Cunha, a trabalhar a casta como se impõe — no caso, pela mão do enólogo João Cunha, filho do proprietário.
Este Grande Reserva nasce numa zona de transição de solos do granito para o xisto. Por ali nascem também belos tintos de Touriga Nacional, com um perfil aromático magnífico e aquela finesse do Dão reforçada. Este branco fermentou a baixa temperatura e metade do lote estagiou um ano em barrica de carvalho francês e a outra metade durante meio ano. No nariz, está longe de ser exuberante, como é próprio da Encruzado, com sugestões florais bem associadas à barrica. Na boca é gordo e intenso e revela aquele perfil de harmonia que é o grande segredo da casta: a opulência do volume contrastada com uma acidez vívida.
Bom para a mesa ou para a guarda, este Encruzado é a expressão autêntica de um terroir do Dão e dos cuidados da família que o criou. Como em prova está um branco de uma das três ou quatro grandes castas brancas nacionais, o grau de satisfação que provoca tinha de ser muito elevado.
Nome Ladeira da Santa Grande Reserva 2023
Produtor Ladeira da Santa;
Castas Encruzado
Região Dão
Grau alcoólico 13%
Preço (euros) 20
Pontuação 93
Autor Manuel Carvalho
Notas de prova Do projecto de Arlindo Cunha, com enologia do filho João Cunha, este branco nasce numa zona de transição de solos do granito para o xisto. Fermentou a baixa temperatura e metade do lote estagiou um ano em barrica de carvalho francês e a outra metade durante meio ano. No nariz, está longe de ser exuberante, como é próprio da Encruzado, com sugestões florais bem associadas à barrica. Na boca é gordo e intenso e revela aquele perfil de harmonia que é o grande segredo da casta: a opulência do volume contrastada com uma acidez vívida.
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