Governo desembolsa 15 milhões de euros para recuperar praias antes do Verão

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Os danos no litoral português serão “uma das facturas mais pesadas” do comboio de tempestades deste Inverno, disse a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, em entrevista ao PÚBLICO-Renascença, que publicaremos na íntegra esta quinta-feira. O Conselho de Ministros deverá aprovar em breve a libertação de 15 milhões de euros para as obras mais urgentes de modo que fiquem prontas antes de começar a época balnear. Na lista estão muitas intervenções em arribas, como na zona de Albufeira, onde a icónica pedra do Peneco se rachou e é um dos locais onde é mais urgente agir.

É de 200 milhões de euros a estimativa do investimento necessário para a reparação das 749 ocorrências de danos no litoral registadas entre 1 de Outubro de 2025 e 3 de Março de 2026, segundo o levantamento feito pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e que será apresentado nesta quarta-feira, no Porto.

A erosão costeira representa a maior fatia desses problemas (36,7%), mas este é um dano predominante a Norte do Tejo. Para Sul, a instabilidade das arribas (30,6%, no cômputo geral) domina. “As arribas são a minha principal prioridade, no sentido de proteger a vida de pessoas e animais. Porque mesmo que se ponha um aviso, as pessoas têm a tendência de se aproximar. Estive há pouco em Albufeira e está cheio de avisos, mas ou se proíbe mesmo fisicamente a passagem, ou as pessoas têm a tendência de passar ao pé”, alertou a ministra Graça Carvalho.

A zona de Albufeira e Quarteira — em especial na zona do Garrão e da Praia do Forte Novo — será prioritária para esses primeiros 15 milhões de euros para as obras de emergência. Será preciso fazer injecções de areia, como é necessário fazer periodicamente. Desde que a construção da Marina de Vilamoura desencadeou um fenómeno de erosão na costa algarvia, é preciso controlar esta dívida de areia através da injecção de um milhão de metros cúbicos de areia a cada dez anos.

Praias que desapareceram

Mas as arribas dominam as preocupações. Como na Praia do Peneco, em Albufeira, onde o icónico rochedo está rachado – o mais sensato seria partir mesmo a arriba, mas em nome da preservação da paisagem, e do património, está a ser avaliada a possibilidade de o reforçar com betão, contou a ministra do Ambiente.

Para além das arribas, será necessário fazer recargas de areia, porque há praias que desapareceram, e que estão nas prioridades do ambiente, em preparação para a época balnear. É o caso da ilha da Armona, na Fuzeta. “A praia voltou a desaparecer. Só tínhamos feito ainda uma operação provisória, para a praia poder funcionar no ano passado. Vamos fazer outra vez para estar pronta em Maio ou Junho”, explicou Graça Carvalho.

O paredão de defesa da Praia de Moledo, em Caminha, é outro local onde haverá uma intervenção de emergência. Numa primeira fase, o objectivo é estabilizar a praia e garantir condições de segurança durante a próxima época balnear. Numa segunda fase serão realizados estudos técnicos e sondagens para avaliar o estado do paredão e tentar definir uma solução estrutural, mais duradoura.

Outros locais onde já tinham sido lançadas obras, e em que foi preciso interrompê-las devido ao mau tempo, estarão também na linha da frente. É o caso das praias de São João da Caparica (Almada), Quarteira e Garrão, Praia do Vau (Algarve), mas também Furadouro e Espinho. “Tínhamos já 64 milhões de euros adjudicados, em concurso ou já em construção, já em obra”, especificou a ministra do Ambiente.

Todo o litoral sofreu com os efeitos do comboio de depressões que afectou Portugal, mas uma zona que precisará de especial atenção é Vieira de Leiria, que foi por onde entraram em terra os ventos da tempestade Kristin. “Vamos na sexta-feira a Vieira de Leiria, a ideia é fazer um projecto muito abrangente, não só na praia, mas também na zona adjacente à praia”, disse Graça Carvalho.

A ministra diz ter esperança de que se consigam fazer algumas soluções mais duradouras. “Nas obras que já tínhamos feito, e já tínhamos duas ou três prontas, não sofreram como o resto do litoral. Na Figueira da Foz, onde tínhamos feito obra, não sofreu praticamente nada. No Furadouro, a parte que está adiantada sofreu menos do que o resto”, avançou.

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