Uma comissão independente de inquérito estabelecida pelo Conselho de Direitos das Nações Unidas concluiu na terça-feira que “as autoridades russas cometeram crimes contra a humanidade de deportação e transferência forçada, assim como de desaparecimento forçado de crianças” ucranianas, após o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, em Fevereiro de 2022.
“As deportações e transferências tiveram origem em vários locais numa vasta área geográfica nas zonas ocupadas pela Rússia na Ucrânia, seguindo um padrão de conduta bem estabelecido, o que indica que estes actos foram generalizados e sistemáticos”, diz a comissão, citada pela Reuters, que investigou os casos concretos de 1205 crianças de cinco regiões da Ucrânia e que assegura que cerca de 80% dos “milhares” que foram deportados “ainda não regressaram”.
“Ainda estou à procura da minha filha e tenho muito medo do que ela possa pensar de mim e de como ela consegue sobreviver [na Rússia], onde muitas pessoas odeiam os ucranianos”, lamenta a mãe de uma das crianças desaparecidas, citada no relatório, segundo a BBC.
“A comissão concluiu que os crimes contra a humanidade e os crimes de guerra cometidos pelas autoridades russas tiveram como alvo crianças, que estão entre as vítimas mais vulneráveis. Estes crimes têm consequências irreversíveis nas suas vidas e no seu futuro”, refere o relatório, que vai ser apresentado formalmente na quinta-feira ao Conselho dos Direitos Humanos, em Genebra, na Suíça.
Segundo o Governo da Ucrânia, mais de 20 mil menores ucranianos foram retirados das zonas ocupadas desde 22 de Fevereiro de 2022 e enviados ilegalmente para a Rússia e para a Bielorrússia. Muitos deles, já maiores de idade, estarão inclusivamente a receber treino militar e a ser forçados a lutar contra as Forças Armadas ucranianas, denuncia Kiev.
O Kremlin nega, no entanto, estas acusações, dizendo que simplesmente retira populações “vulneráveis” de zonas de guerra, garantindo que todas as evacuações de civis que tem feito contam com o consentimento das próprias populações.
Para além disso, não reconhece legitimidade à Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre a Ucrânia, estabelecida em Março de 2022, e dirigida pelo juiz norueguês Erik Mose, não tendo, por isso, aceitado cooperar com as investigações.
Não obstante, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu em 2023 um mandado de captura para Vladimir Putin, Presidente da Rússia, e para mais cinco dirigentes russos, afirmando terem “responsabilidade individual” pelos crimes de guerra de “deportação ilegal” e “transferência ilegal” de crianças de zonas ocupadas da Ucrânia.
No seu relatório, citado pela AFP, a comissão de inquérito da ONU denuncia que as instâncias do “mais alto nível” do Governo russo ajudaram a coordenar as operações de deportação de menores da Ucrânia, e diz que o “envolvimento” de Putin, “através da sua autoridade directa sobre entidades que orientaram e executaram esta política, tem sido visível desde o início”.
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