O Sporting europeu congelou na Noruega

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O Sporting já teve grandes noites nesta Liga dos Campeões e grandes vitórias alcançadas no limite. Mesmo nos jogos que não ganhou, marcou e deu luta. Pela primeira vez na presente edição da Champions, os “leões” ficaram com a sensação de que o adversário foi mesmo muito superior. Nesta quarta-feira, os “leões” juntaram-se à lista das “vítimas” do Bodo/Glimt, ao perderem por 3-0 no jogo da primeira mão dos oitavos-de-final da Champions. Os noruegueses, que já não são uma surpresa para ninguém, dominaram e justificaram a vantagem robusta que levam para a segunda mão, na próxima terça-feira em Alvalade. E o Sporting terá de ser muito melhor do que isto.

Relvado artificial. Frio. Um adversário que sabe jogar futebol e com muitas vítimas da “realeza” do futebol europeu. O Sporting não podia dizer que não estava avisado para o perigo que era defrontar o Bodo/Glimt, mas, por certo, confiava nas suas possibilidades de acabar com a história de encantar dos noruegueses, o mais improvável dos participantes nestes “oitavos”. Quem se qualificara entre as oito melhores da Champions, não podia pensar de outra maneira. Teria de o provar a Norte do Círculo Polar Árctico e não entrar para a lista das vítimas famosas.

Sem Maxi e sem Pedro Gonçalves, Rui Borges deslocou Fresneda para o lado esquerdo da defesa, inseriu Vagiannidis na direita e deu a titularidade a Luís Guilherme na esquerda. O grego cedo se revelou um elo fraco e o espanhol foi metade do jogador que tem sido nos últimos tempos. O Bodo explorou muito bem as faixas, mas não deixou de expor outros pontos fracos do seu adversário português, congelado em campo, apesar de não estarem temperaturas negativas.

O Sporting até pareceu bastante confortável nos primeiros minutos e teve uma boa possibilidade de golo aos 6’, um remate de Suárez após canto que saiu por cima. Os noruegueses responderam de imediato com uma jogada de Hevjen pela direita que acabou com um remate de Hauge – saiu ao lado da baliza de Rui Silva. Foi a apresentação do Bodo no jogo e foi assim que continuou. Equipa dinâmica e imprevisível, daquele tipo de equipas em que a manta estica e nunca fica curta. Jogo muito associativo, em progressão e com propósito, tudo o que o Sporting não conseguia fazer – repetimos, os “leões” estavam congelados.

Tal era o domínio norueguês que o Sporting fez uma pausa táctica, com uma “lesão” de Rui Silva a parar o jogo por uns minutos. Quando o jogo recomeçou, o Bodo continuou a carregar e, aos 29’, teve o seu prémio, com um penálti muito “soft” de Vagiannidis sobre Sondre Fet – e foi o próprio que transformou o penálti em golo aos 32’. Podia discutir-se a justiça do penálti, mas não a justiça da vantagem, que aumentou ainda antes do intervalo, com Blomberg a aproveitar um ressalto em João Simões para ficar na cara de Rui Silva.

Não era nada que não tivesse já acontecido a outros – Manchester City ou Inter Milão, só para falar das “vítimas” mais recentes. E o Sporting tinha uma montanha muito grande para escalar na segunda parte. É verdade que os “leões” entraram melhor na segunda parte, com algumas boas jogadas de perigo – Suárez foi muitas vezes protagonista, mas foi sempre bem defendido pelo sector mais recuado. Fresneda esteve perto do golo com um remate que saiu a rasar o poste aos 50’, Suárez também teve o seu momento para brilhar, mas perdeu o duelo.

O Bodo, a equipa que nunca fica curta, aguentou o embate e, aos 71’, fez o 3-0, com Hogh, o ponta-de-lança dinamarquês, a encostar após um cruzamento de Hauge. Depois de ter passado o jogo quase todo longe da área a servir de pivot no ataque, Hogh foi para a pequena área fazer a diferença deixar o Sporting num buraco ainda mais fundo.

Restava ao Sporting minorar os estragos com um golo. E é verdade que tentou. Rui Borges foi tentando normalizar a equipa, com a entrada de homens como Nuno Santos, Morita e Faye, e houve algumas aproximações com perigo. Nuno Santos deu mais dinâmica ao flanco esquerdo, Guilherme foi mais útil na direita e durante alguns minutos o Sporting conseguiu fazer uma espécie de cerco ao Bodo/Glimt, mas também a defender os noruegueses foram de uma competência inatacável – e também brilhou o guarda-redes Haikin, russo de nascimento que a Noruega quer naturalizar e que, há mais de uma década, jogou no Nacional da Madeira.

Mas não foi só o Sporting que esteve perto de marcar. O Bodo também esteve perto de marcar e de deixar a eliminatória fora do alcance dos “leões”, porque, repetindo aquilo que já dissemos neste texto, é uma equipa que nunca deixa de atacar. E o Sporting, mais habituado a lidar com os blocos baixos da liga portuguesa, não soube encarar uma equipa tão completa.

É verdade que foi vítima de algumas circunstâncias desfavoráveis – penálti “soft”, golo de ressalto – mas isso não explica tudo. Nem um golo o Sporting marcou para tornar a eliminatória menos impossível do que está agora. E o Bodo/Glimt, quem é que se atreve a dizer que eles não vão ganhar a Liga dos Campeões?

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