Morreu Mário Zambujal, jornalista, escritor, malandro e desalinhado

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Jornalista de todos os meios, imprensa, rádio e televisão, escritor de vários atributos e êxitos, incluindo o do romance português mais popular dos anos 1980, alentejano orgulhoso, bom conversador e homem de pequenos e grandes prazeres, Mário Zambujal morreu esta quinta-feira, confirmou o PÚBLICO junto da família. O autor, que cumprira 90 anos há precisamente uma semana, no dia 5 de Março, deixa uma obra vasta e variada.

Nascido em Moura, em 1936, e tendo passado a sua juventude no Algarve, revelou-se nos jornais com um pequeno conto, mostrando uma vocação literária que, no entanto, levaria tempo a confirmar. Antes, fez-se jornalista de renome, um dos mais destacados da sua geração. Na RTP, tornou-se conhecido como repórter desportivo e, depois, como rosto do programa Grande Encontro. Na imprensa, foi contemporâneo do frenesim do Bairro Alto, em Lisboa, quando as redacções dos jornais e a vida nocturna conviviam lado a lado. Passou pelos desportivos A Bola e Record, neste como subdirector, e também por O Século e pelo Diário de Notícias, aqui como chefe de redacção, e ainda dirigiu o Se7e e o Tal & Qual. Distinguido com vários prémios da classe, foi também presidente do Clube dos Jornalistas.

Em 1980, estreou-se como ficcionista e logo com um enorme êxito de vendas. Crónica dos Bons Malandros foi rapidamente adaptado ao cinema, em 1984, por Fernando Lopes, aumentando ainda mais a sua popularidade. História de um assalto ao Museu Gulbenkian que deu para o torto, evidenciava o seu estilo como autor: curto, claro e conciso, como mandam as regras do bom jornalismo, mas também expressivo, plástico e inventivo. Com várias reedições, deu origem a uma série da RTP, de 2020, e vários espectáculos.

O bom malandro, como carinhosamente era tratado pelos amigos, ainda lançou mais dois romances, História do Fim da Rua e À Noite Logo Se Vê, em 1983 e 1986, respectivamente, mas ficaria quase duas décadas sem publicar. Regressou já no novo milénio, em 2003, com fôlego renovado, com títulos como Fora de Mão, Já Não se Escrevem Cartas de Amor, Uma Noite Não São Dias, Cafuné, Romão e Juliana. O seu livro mais recente, O Último a Sair, foi publicado no ano passado. Ao correr da pena, experimentou vários géneros, num percurso literário homenageado, em 2020, pelo Festival Escritaria, de Penafiel.

Nunca dispensou o almoço semanal, às sextas, com a tertúlia “Os empatados da vida”, um bom vinho, um copo de whisky (ou de aguardente) e um doce à sobremesa. Há vários anos doente, nunca se lamentou, mesmo quando reconhecia ter sido “um desalinhado” toda a vida.

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