Na semana que celebramos o Dia Internacional da Mulher (8 de março) e o Dia Mundial do Sono (13 de março), vale a pena falar do sono numa fase exclusiva da mulher, e que é a gravidez. Este ano o lema para o Dia Mundial do Sono é “Dormir bem, viver melhor”, o que se aplica a todas as idades e fases da vida da mulher, especialmente durante a gravidez. A gravidez é uma fase muito especial, caracterizada por importantes alterações anatómicas, fisiológicas, hormonais e psicossociais da mulher. Por todas estas alterações, muitas vezes está associada a um sono de pior qualidade, ou porque surgem distúrbios que não existiam antes ou porque houve agravamento de patologia do sono existente, como a insónia, a apneia obstrutiva do sono ou a síndrome das penas inquietas. Os distúrbios do sono na mulher grávida, não causam “apenas” um sono de pior qualidade, mas têm um impacto negativo na saúde da mãe e do feto.
O sono de pior qualidade na grávida pode decorrer da ansiedade própria desta fase e da antecipação do parto, do aumento da frequência urinária durante a noite, das dores nas costas e do desconforto abdominal pelo aumento do útero, da maior sensibilidade mamária, das cãibras nos membros inferiores e das queixas de refluxo. Ao longo da gravidez o sono da mulher vai-se deteriorando, com pior qualidade à medida que a gravidez progride, vários despertares, sonhos desagradáveis ou mesmo pesadelos, ronco e sonolência durante o dia. No último trimestre, é mais frequente o aparecimento de insónia e de apneia obstrutiva do sono (AOS).
A AOS é caracterizada por pausas respiratórias durante a noite, por colapso da via aérea, o que compromete a oxigenação que chega aos diferentes órgãos. A propensão das grávidas para a apneia do sono é explicada pelos edemas relacionados com a gravidez, pelo aumento do peso, pelo aumento do útero grávido, pelas alterações hormonais que promovem o colapso da via aérea e pela obstrução nasal.
Se a apneia não for tratada durante a gravidez, a mulher grávida tem maior risco de hipertensão, pré-eclampsia, insuficiência cardíaca, diabetes gestacional, depressão, ansiedade e risco de maior mortalidade. No caso do feto pode comprometer o desenvolvimento dos órgãos e do crescimento do feto, risco de parto pré-termo, imaturidade do sistema respiratório e maior mortalidade neonatal.
O maior desafio é a suspeita clínica pois há o mito de que é normal a grávida ressonar ou ter cansaço ou sono durante o dia. A melhor forma de esclarecer é procurar apoio médico que, após um questionário exaustivo sobre o sono, solicitará um estudo do sono para confirmar o resultado. No caso de diagnóstico de AOS, o tratamento de primeira linha passa sempre por uma boa higiene do sono e pela ventiloterapia (mais conhecida como CPAP). Este tratamento irá melhorar a qualidade do sono, normalizar a respiração e a oxigenação durante a noite, minimizando assim as consequências para a saúde da AOS não tratada.
Apesar de ser considerado como a primeira linha de tratamento, o CPAP apresenta alguns desafios na adesão. Dificuldades como a adaptação da máscara devido ao ganho de peso, acumulação de líquidos e edema mucoso nasal podem exigir maior pressão e dificultar a adesão.
Em alternativa, os DAM – Dispositivos de Avanço Mandibular, têm menor eficácia, mas para algumas grávidas maior aceitação. A titulação atempada do DAM e a necessidade de realizar a polissonografia do sono, para o controlo da titulação constituem uma dificuldade acrescida. De igual forma, a inflamação gengival e os vómitos existentes em algumas fases da gravidez, podem também contribuir para a dificuldade na adaptação a esta terapia intra-oral. Para ultrapassar os desafios das diferentes terapias é importante uma abordagem multidisciplinar adequada e atempada.
As terapias co-adjuvantes, como a terapia miofuncional, cujos exercícios aplicados ajudam no aumento e regularização do tónus muscular e da resistência das vias aéreas, a terapia posicional, através do uso de almofadas adaptadas ao período de gestação, combinadas com CPAP ou DAM, também são uma opção. A sua integração como terapias de suporte melhora a qualidade de vida e a eficácia do tratamento, as quais reforçam a importância da abordagem multidisciplinar.
De salientar ainda que o controlo terapêutico da apneia obstrutiva do sono deverá ser estendido no período pós-parto e durante a amamentação.
As autoras escrevem segundo o Acordo Ortográfico de 1990
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