Kevin Spacey não vai a tribunal outra vez por ter chegado a acordo com queixosos

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O actor norte-americano Kevin Spacey chegou a acordo com três homens que o acusam de agressão sexual num processo cível que deveria chegar ao High Court britânico, o equivalente ao Tribunal da Relação ou de segunda instância no sistema judicial português, ainda este ano. Este é o desfecho de um dos mais longos processos legais contra Spacey, que desde 2017, quando foi publicamente acusado pela primeira vez de ser um agressor sexual, nega ter cometido actos dessa natureza.

A BBC noticia esta quinta-feira que o acordo será extra-judicial e que o seu efeito será congelar o processo cível em curso. Em causa estão acusações de três homens que alegam que Spacey os agrediu e/ou assediou em diferentes momentos entre 2000 e 2013, incluindo o período em que foi director artístico do reputado teatro Old Vic, em Londres.

Dois dos três homens mantêm-se sob anonimato ou são conhecidos por siglas na esfera pública, tendo-se identificado devidamente no âmbito judicial; o terceiro abdicou do seu direito ao anonimato e identificou-se como Ruari Cannon. Dois deles, Cannon e um homem conhecido como GHI, situam as suas alegadas agressões no espaço do Old Vic e em ambiente de trabalho ou formação profissional.

Um dos homens alegou que Spacey o “agrediu deliberadamente” em 12 ocasiões entre 2000 e 2005, enquanto outro diz que “sofreu danos psiquiátricos e perdas financeiras” após uma agressão alegadamente ocorrida em 2008.

As denúncias destes três acusadores levaram à acusação formal de Spacey pela Procuradoria britânica em 2022. Em 2023, um júri de um tribunal londrino considerou-o inocente e os denunciantes passaram à acusação cível. É neste campo que se chegou agora a um acordo. Não são conhecidos os detalhes e condições do acordo a que as partes chegaram.

A BBC detalha esta quinta-feira que numa audiência no início deste mês os advogados dos queixosos revelaram ter provas a apresentar em tribunal vindas de sete testemunhas que alegavam ter sido vítimas de comportamentos semelhantes e predatórios por parte de Kevin Spacey; mais, na mesma audiência preparatória tornou-se público que Ruari Cannon tinha chegado a acordo com o Old Vic. Cannon foi actor na peça Doce Pássaro da Juventude, de Tennessee Williams, levada ao palco do Old Vic em 2013, e acusava o então director artístico do teatro de o ter apalpado sem o seu consentimento numa festa após uma das récitas.

Estas informações poderão ter moldado este desfecho, sendo vistas como um prolongamento da exposição pública de Spacey sob tais acusações ou como um reforço do caso da acusação. O acordo foi conhecido na passada sexta-feira através de uma ordem judicial entretanto vinda a público.

Falta de provas

A primeira acusação contra Kevin Spacey veio em 2017 do actor norte-americano Anthony Rapp, que alegou que Spacey o tentou violar quando tinha 14 anos. Essa acusação desencadeou uma série de outros testemunhos, alguns dos quais chegaram a tribunal. No caso de Rapp, bem como nos casos britânicos julgados criminalmente, as alegações foram sempre consideradas infundadas, em grande parte por falta de prova. Algumas delas vieram da indústria britânica, tendo os responsáveis do teatro Old Vic admitido mesmo que receberam 20 queixas de “comportamento inadequado” da parte de Spacey e que não lhes deram seguimento.

Cannon foi um dos participantes num documentário do britânico Channel 4 em que vários homens descreveram Spacey como um predador. Kevin Spacey dera antes uma entrevista ao radialista britânico Dan Wootton em que disse: “Assumo toda a responsabilidade pelo meu comportamento passado e pelas minhas acções, mas não posso e não vou assumir a responsabilidade nem pedir desculpa a ninguém que tenha inventado coisas ou exagerado histórias sobre mim”.

Depois de Spacey Unmasked ter sido transmitido, o actor recorreu à rede social Twitter (agora conhecida como X) para dizer: “De cada vez que me foi dado tempo e um fórum adequado para me defender, as alegações falharam sob escrutínio e fui ilibado”. No passado e no momento pós-MeToo, Kevin Spacey admitiu ser “too handsy”, qualquer coisa como “demasiado atrevido” e dado ao toque físico, mas negou ter “apalpado” alguém contra a sua vontade.

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