Escalada das Euribor vai fazer subir a prestação da casa com revisão em Abril

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O que parecia impensável há poucas semanas aconteceu. As taxas Euribor estão a subir consideravelmente, com o prazo a seis meses a superar nesta terça-feira os 2,5%, e o de 12 meses a aproximar-se dos 3%. A explicação está nos efeitos da guerra no Irão, que já levou a uma forte subida dos preços do petróleo e do gás natural, com impacto na inflação, o que pode levar o Banco Central Europeu (BCE) a subir as taxas directoras.

O mercado está claramente a antecipar um cenário de subida de taxas do BCE. E esta antecipação tem um custo que vai começar a chegar aos créditos à habitação a taxa variável já a partir das revisões que ocorram em Abril e, com forte probabilidade, nas que venham a acontecer nos meses seguintes.

A subida também afecta os créditos às empresas, sendo positiva para algumas poupanças cuja taxa de rentabilidade está associada a estas taxas, como é o caso dos Certificados de Aforro.

Nesta terça-feira, dia em que continua a não haver sinais claros do fim do conflito desencadeado pelos Estados Unidos da América e Israel, a Euribor a taxa a três meses, a que menos tem aumentado por se esperar que uma eventual subida de taxas do BCE ocorra no final do primeiro semestre, progrediu 0,049 pontos para 2,178%. Recorde-se que este prazo estava, a 10 de Fevereiro, abaixo dos 2%, e que a 27 de Fevereiro, véspera do início do conflito, estava a 2,013%.

Em maior aceleração, a Euribor a seis meses superou os 2,5%, a dar um salto de 0,121 pontos nesta terça-feira, para 2,589%. Trata-se do valor diário mais alto desde Janeiro de 2025 e bem acima dos 2,128% registados a 27 de Fevereiro, altura em que estas taxas já incorporavam uma ligeira subida com o aumento de tensão entre os Estados Unidos e o Irão.

Dados do Banco de Portugal (BdP), do início do ano, mostram que a taxa a seis meses estava presente em 38,93% do stock de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.

A maior aceleração, a reflectir um previsível agravamento das taxas do BCE a prazo, verifica-se na taxa a 12 meses, que já está muito perto dos 3%. Este prazo subiu 0,189 pontos para 2,929%, o que a coloca no valor mais alto desde Setembro de 2024. Trata-se de uma subida significativa, e este prazo está presente em 31,78% da carteira dos contratos associados às taxas Euribor.

Antes da ofensiva militar no Irão, a 27 de Fevereiro, a Euribor a 12 meses fechou a 2,227%, o que representa uma subida de 0,70 pontos percentuais em praticamente três semanas.

E no mercado de futuros, o contratos sobre a Euribor a três meses com vencimento em Junho eleva a taxa para 2,57%, quando há poucas semanas estava encostada a 2%.

A revisão dos empréstimos à habitação é feita com as médias mensais do mês anterior, que deverão subir em todos os prazos, trazendo agravamentos da prestação. Nos que estão associados à Euribor a 12 meses, a revisão de Abril trará a primeira subida da prestação em dois anos.

A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 29 e 30 de Abril, e, nessa altura, poderá concretizar-se o recurso à “arma” do banco central contra o aumento da inflação, a subida das taxas directoras.

No final da última reunião de política monetária, realizada nos dias 18 e 19 de Março, a presidente do BCE, Christine Lagarde, fez questão de referir que os membros do conselho de governadores do banco estão “calmos, determinados e focados como um laser” nos dados que forem surgindo.

As taxas Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.

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