Camilo, a saúde e as moléstias

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1. Não sei qual a distância à realidade no muito que se disse e se escreveu sobre Camilo Castelo Branco. Há inúmeras incongruências na publicação de factos, silêncios evidentes na sua disponibilização pública, uma tremenda quantidade de polémicas, inimizades, reconciliações, ondulantes picardias políticas e um sem-fim de protagonistas. Talvez, também por isso, mandasse a prudência e a decência ficar por aqui, não arriscar impressões sem as ferramentas da exegese do texto, da análise social e histórica. Deixar correr por escrito o que quer que seja sobre um personagem que ao longo de dois séculos se construiu como lenda, muito provavelmente só poderia ganhar de Camilo um labéu de estultícia. Mesmo se mitigado o atrevimento pelo facto de até muitos dos melhores desse século XIX terem, quanto o próprio Camões, “carecido aliás de formatura coimbrã” (Camilo e António Ayres, Ricardo Jorge, 1925). Percebesse Camilo esta minha invasão da sua vida e o resultado alternativo poderia ser um longo e duro duelo de fogo, imaginável na oportuna fantasia de “ser recebido por Camilo” “na Imortalidade”, replicando a cândida ingenuidade da estratégia que Luiz de Oliveira Guimarães usou para escrever o proémio de O Espírito e a Graça de Camilo (1952). É que “no cérebro humano surgem as ideias mais desconcertantes”. Ou então arriscar, caminhando sem decoro nas palavras do próprio Camilo em O Romance de Um Homem Rico: “Onde está a imaginação do novelista que repete o que viu, ou leu, ou lhe contaram?!… Se nos não maravilha, enfada-nos”.

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