O preço do barril de Brent do Mar do Norte, negociado em Londres e referência para as importações nacionais, nem sequer estava acima dos 100 dólares, mas, depois das palavras de Donald Trump, a apontar para uma escalada do conflito com o Irão e sem avançar com datas concretas para o seu fim, subiu aos 108 dólares. O disparo foi superior a 7%.
É em torno dessa magnitude que se segue a valorização do barril de Brent nesta quinta-feira, 2 de Abril, após uma semana de avanços e recuos, período em que chegou a descer dos 100 e, no sentido contrário, a aproximar-se dos 110 dólares, tendo mesmo chegado ao 116 dólares durante a sessão na segunda-feira. Agora, é perto do ponto superior do intervalo que se encontra. A volatilidade continua a marcar a matéria-prima. As subidas do West Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova Iorque, também são superiores a 6%.
Não há uma data para o fim da guerra, há até ameaças de alguma escalada. O ataque ao Irão, nas próximas “duas ou três semanas”, será levado a cabo de forma “extremamente dura”, disse Donald Trump, esta quarta-feira à noite, num discurso à nação que mudou o rumo das valorizações dos mercados financeiros. A ofensiva está “quase completa”, reiterou, mas não há uma data para o fim da guerra.
A nota diária da correctora XTB comenta que “apesar das garantias de sucesso, o Presidente ignorou as questões relativas às tropas terrestres e à diplomacia” e, por isso, “o discurso, destinado a acalmar a opinião pública face ao aumento dos preços da energia, provocou subidas imediatas do preço do petróleo e quedas no mercado bolsista”.
Segundo comentou à agência Reuters o analista de uma correctora chamada Phillp Nova, Priyanka Sachdeva, os mercados estão a reagir ao facto “de não haver nenhuma menção clara a cessar-fogo ou a acordo diplomático”. A incerteza é algo que assusta os investidores, sobretudo quando está em causa o estreito de Ormuz, centro de passagem de grande parte do comércio mundial de combustíveis. Quanto mais receios sobre a oferta, mais repercussões há no preço – que são ainda maiores quando há navios a serem atacados na região. Os preços do gás natural também estão a subir mais de 6%, segundo o Financial Times.
O petróleo sobe de preço, o gás natural também, mas não são os únicos a evoluir após as palavras de Trump. As bolsas asiáticas afundaram: o japonês Nikkei cedeu 2,4%, o sul-coreano Kospi recuou 4,7%.
Pela Europa, as bolsas seguem também uma tendência negativa, contrária ao ganho expressivo da última sessão, na quarta-feira, quando a região viveu o melhor dia desde Abril do ano passado, quase um ano antes.
Esta quinta-feira, pouco antes das 10h00 da manhã, as bolsas alemã e espanhola perdiam mais de 1%, com Paris a desvalorizar-se mais de 1,5%. Lisboa escapava à onda vermelha, com a Galp Energia a ganhar quase 4%. É a última sessão da semana: as bolsas estarão encerradas nesta sexta-feira (3 de Abril) e na segunda-feira (6 de Abril), devido às festividades da Páscoa.
Apesar da incerteza, que normalmente leva à procura de activos de refúgio como o ouro, este metal precioso segue a cair quase 4%, acima dos 4.600 dólares por onça.
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